A entrevista


Desde Segunda feira que me debruço profundamente, (está-se mesmo a ver, não está?), sobre a entrevista que José Sócrates deu à RTP.
Depois da exaustiva reflexão sobre tudo o que o “querido líder” disse, surgiu-me este longuíssimo texto, o qual vos peço que leiam, apelando a toda a vossa paciência e bondade.

1 “Por qué no te callas?” 2
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Passar com o rato desde o 2 até ao 1.

Apoiar Barroso porque ... sim!

Durão Barroso, quando fugiu, deixando a choldra para o bem bom de Bruxelas distinguiu-se de Guterres apenas pelo facto de que foi para Presidente da Comissão Europeia. Mais nada.
Claro que aqui aos ingénuos e crentes disseram que era para nosso bem, que aquilo ia ser prestigiante, que íamos ficar a ganhar.
Tirando o sonoro fiasco do “porreiro pá” do Tratado de Lisboa, não me lembro, assim de repente, em que mais se distinguiu o homem e em que saímos beneficiados.

E, atento o estado em que me encontro, e pese o facto de pensar que a lista que o PS apresenta a sufrágio ao Parlamento Europeu ser pouco melhor que uma diarreia, subscrevo inteiramente o que diz Vital Moreira a propósito do apoio a Durão.
Isto quem ganha, quem tem mais votos é que tem a força para eleger e mais nada.

Andar agora, como anda Sócrates, a dizer que o PS e o Governo estão com Barroso é estultice.
Eu queria ver se por arte do demo, o PSE, mais a esquerda, tivessem a maioria em Estrasburgo em quem votavam os eleitos do PS.
E o argumento usado de que é português? Tenham paciência e arranjem coisa melhor para argumentar.
Por fim, se Sócrates diz que o PS e o Governo estão com Barroso, está já admitir a derrota do PSE. Eu bem sei que a lista do PS é fraca, mas assim tão pouca fé fica mal!

Da puerilidade de MMSs e MEPs

Eu até acho bem que haja movimentos de cidadãos que se unam em contextos políticos e submetam projectos de benefício social ao escrutínio dos restantes. Acho até que essa é uma solução perfeitamente legítima e legitimada no caso do governo local. E também não tenho nada a obstar à criação de novos partidos. Afinal, todos os denominados grandes partidos nasceram do associativismo ideológico.

Agora, este MMS (Movimento Mérito e Sociedade) e este MEP (Movimento Esperança Portugal) vêm acrescentar exactamente o quê ao já cronicamente trágico quadro político português?
O primeiro quer lutar por uma sociedade meritocrática. Muito bem. Mas primeiro mostrem-me o mérito dos seus candidatos. Ademais, alguém acredita que em Portugal algum dia prevaleça uma meritocracia?
O segundo parece muito interessado em somente discutir assuntos europeus e demite-se, quanto a mim muito bem, de discussões transversais de politiquice interna e legislativa. Porém, não percebi se este partido só existe para as parlamentares europeias, se vem com o sério propósito de ascender a ladeira política, o quê.

Ele já há tanta confusão entre esquerdas e direitas e centros que o não são exactamente e tanto partido que não sei bem se mais dois recém-chegados não contribuem para a dispersão e para a aflição política deste país.
Não sei não.

As coisas são mesmo assim!

Vejam se conseguem associar os nomes que se seguem a algum cargo de relativo destaque no Estado português e que todos eles desempenharam: Coronel Manuel da Costa Braz, Conselheiro José Maria Barbosa Magalhães Godinho, Conselheiro Eudoro Pamplona Corte-Real, Bastonário Ângelo Vidal de Almeida Ribeiro, Bastonário Mário Ferreira Bastos Raposo e Conselheiro José Manuel Meneres Sampaio Pimentel?
Depois de ter descoberto a resposta, faça ainda um outro exercício e descubra quais foram os dois titulares desse cargo que foram impostos pelo PSD?
Já sabe?
Então, agora, e face àquela galeria de notáveis, a que devemos acrescentar o actual titular, será que o nome do Professor Doutor Jorge Miranda ficaria assim tão mal na galeria?

Pergunto ainda outra coisa … quantas vezes ouviram a Oposição, nomeadamente o PSD, socorrer-se de Guilherme d’ Oliveira Martins para zurzir o Governoe recordem-se do que disseram alguns deles quando o agora Presidente do Tribunal de Contas foi nomeado!
Por isso, sendo “as coisas como são” em Portugal (embora não o devessem ser) e tanto PS como PSD façam disto uma quinta, acho muito bem que o PS vá a jogo com o seu candidato.
Ponha o PSD o seu na mesa e logo se verá.
Acabem é com o escarcéu e deixem Nascimento Rodrigues ir embora!

Finalizo dizendo que mesmo que ontem não tivesse feito 45 anos, mesmo assim não tinha visto a entrevista de José Sócrates. Tenho mais que fazer...

Das ideias feitas e preconceitos

Não sei se já vos aconteceu isto ou não, porque ultimamente tenho tido muitas lições de vida e cheguei à conclusão que não podemos concluir nada sobre os outros tendo por base a nossa própria experiência... mas acontece que no mundo em que vivemos e nos dias que correm, é recorrente termos ideias feitas sobre toda a gente e preconceitos que nos envergonhamos de ter mas não deixamos de os ter ainda assim.
Como por exemplo?

Olharmos com desconfiança todo e qualquer cigano que se nos apresente pela frente, porque toda a gente sabe que não passam de uma raça de malfeitores e pedintes, que arranjam confusão por dá cá aquela palha e só mandam os filhos à escola para receber dinheiro para o qual não contribuem! Não será assim?
Ou então, olharmos para os ricos com inveja, porque sabemos com toda a certeza que o seu património deriva todo dos nossos bolsos e foi ganho às nossas custas, sem que para isso eles tivessem tido um minuto de trabalho.
Ou, o nosso preferido, os políticos e a sua corrupção mais que evidente, ao usarem os cargos públicos para que os elegemos por forma a tirarem proveitos próprios.

Ora bem, estas são algumas das ideias feitas que pululam pelo nosso Portugal fora e para lá das fronteiras também, deve dizer-se, preconceitos que vão minando as nossas estruturas sociais e que servem como catalisador, em muitas ocasiões, de manifestações, revoluções e outras situações acabadas em ões...
Mas de quando em vez... de quando em vez levamos bofetadas sem mão... de quando em vez somos acordados para a nossa própria ignorância, olhamos de frente o monstro que nos habita e, se forem como eu, não gostam do que vêm.
Há quem lhe chame consciência, há quem lhe chame crescimento, espiritualidade, humildade, o que quiserem - estará sempre correcto.
O que daí advém é de facto um crescimento interior, um ascender a outro patamar de consciência, um acordar para a nossa espiritualidade latente, o resumir-mo-nos à nossa própria imperfeição, mostrando-nos humildes perante a magnificência da natureza...

Ultimamente tem-me sido recordado de forma algo violenta, que não passo de uma humana, uma humilde humana e, vão desculpar-me a aliteração, esta simples escolha de palavras, com o seu ritmo tão encadeado, pode parecer-vos suave, mas na vida real é algo de muito doloroso, sobretudo quando a determinado momento das nossas vidas nos consideramos tão especiais que nos parece que todos os outros é que são os imperfeitos!
Esta semana só vos peço este exercício - olhem à vossa volta, para os que vos são mais detestáveis, os que vos deixam mais indignados, os que vos fazem revoltar o estomâgo, aqueles por quem nutrem uma aversão fidagal, um odiozinho de estimação... olhem bem para eles, observem os seus movimentos e as suas acções, sem o acto contínuo de julgar cada segundo, sem as ideias feitas e formuladas há muito... olhem e vejam até que ponto eles também são humanos e imperfeitos e verão no espelho o vosso monstro e vos garanto... que não vão gostar!

Mas como em tudo na natureza, é nos momentos em que destruimos as nossas barreiras, em que nos vemos no espelho da realidade, que crescemos, que evoluimos e, observando as nossas insuficiências, as nossas imperfeições, damos conta que até o mais improvável, o mais feio, o mais defeituoso e mal feito pode revelar as mais belas coisas - tal como a flor de lótus que pela sua beleza faz-nos esquecer que nasce do lodo escuro e lamacento.
Para vos dar um excelente exemplo disto mesmo que acabo de dizer, deixo-vos este vídeo. Vejam-no, saboreiem-no bem e sobretudo, ouçam-no de janelas da alma abertas, porque por vezes, a Mãe Natureza tem maneiras de nos mostrar que na imperfeição reside a verdadeira perfeição.
Há ainda outra lição a tirar deste vídeo meus amigos - um sonho só morre quando o deixamos morrer...