Será que queremos mesmo Democracia?

O que me traz hoje por cá?
Bom, pensei trazer um tema actual, que implicasse contestação, para ver se vos ponho a discutir comigo... ando com sede de reverberação, com fome de discussão acesa e esclarecida!
O que me levou de volta aos tempos clássicos de Atenas, onde primeiro surgiu esse tão difundido, debatido e amplamente aceite termo - DemoKratia.

Todos conhecemos o termo, muitos julgam conhecer o conceito por dentro e por fora e todos o defendem com unhas e dentes, como se dele dependesse a nossa liberdade e bem estar.
Mas então e se olhássemos de mais perto, não só o conceito, mas a forma como foi levado a cabo pelos Atenienses, shall we?

Pois bem, na sociedade ateniense, a demokratia respeitava ao poder nas mãos dos cidadãos - acontece que os cidadãos englobavam apenas os nacionais de Atenas, filhos de pai e mãe atenienses. De fora ficavam todos os outros, incluindo mulheres, estrangeiros e escravos.
Para além disso, existiam normas para se ser considerado cidadão, a saber:

  • Não dever nada ao Tesouro Público
  • Ser legitimamente casado
  • Possuir bens em Atenas
  • Ter cumprido os deveres para com seu pai e mãe
  • Ter feito expedições militares sem “arremessar o escudo”
  • Ser filho de pais atenienses
  • Trabalhar (ou na politica ou no comercio ou na construção) de Ágora
  • Gostar, amar e honrar Atenas
  • Pagar impostos altos.
  • Nunca ter cometido crime contra a cidade.
Ora bem, se repararem bem, neste tipo de Democracia, não é o cidadão que está acima da Nação, é esta que está acima de todos.
Lá teria razão John F. Kennedy com o seu "ask not what the Country can do for you, but what you can do for the country!"

Quantos de nós se pergunta o que realmente pode fazer pelo País? O que podemos dar ao País?
Quando o que mais se ouve nas nossas ruas é o Estado tem de me dar, tem de me sustentar...
Poderá ainda funcionar a democracia?

O conceito tal como o entendemos, requer direitos para os cidadãos e obrigações para o Estado, o que não estaria mal de todo, afinal abrange um equilibrio na balança, não fosse o caso de termos duas balanças presentes - a dos cidadãos e a do Estado, já que são partes distintas do que devia ser o mesmo corpo.
Temos então um corpo completamente desfeito, sangrando, com duas balanças de pesos diferentes, completamente desiquilibradas, onde alguns dão e muitos tiram.

Se o nosso País fosse o corpo de um de nós, onde reinasse o conceito de Democracia tal como o conhecemos, o nosso coração deixaria de funcionar assim que as plaquetas sanguíneas resolvessem fazer greve por excesso de trabalho e os glóbulos brancos se recusassem a trabalhar por excesso de toxinas!
Um conceito teórico é sempre bom nisso mesmo - na teoria - assim que é alargado, adaptado sem ser bem compreendido, normalizado r normativizado, passa a usar-se a sua forma sem se ter muito em conta o seu conteúdo.
É um pouco como o baptizar-se um filho ou casar-se pela Igreja sem se voltar a pisar o chão de uma igreja outra vez na vida, só porque é tradição, porque ficaria mal.
Temos uma concha cujo conteudo faleceu há séculos.

Será que defendo aqui, neste espaço democrático de partilha de opinião, o fim da democracia?
Não sei. Que tal trocarmos uma ideias sobre o assunto?

Metem-me nojo!

O título podia aplicar-se a inúmeras situações que se vivem no nosso país, mas não é o caso. Esta história passa-se com alguém que me é muito próximo e que conheço melhor do que a mim própria.

A protagonista desta história tem 64 anos, chama-se Maria e trabalha num restaurante muito afamado da cidade onde vive. Aí desempenha as funções de cozinheira e, dizem muitos dos que frequentam aquela casa, faz um arroz de marisco de comer e chorar por mais.

Trabalha para aquela gerência há onze anos e, durante esse tempo, faltou apenas cinco dias por motivo de doença; substituiu o patrão quando este sofreu um enfarte do miocárdio e nunca reclamou as folgas que perdeu nesse período; para não comprometer os patrões, omitiu alguns factos à Inspecção do Trabalho, nomeadamente que não trabalha apenas as oito horas diárias que a lei prevê e que nunca lhe pagaram as horas extraordinárias, os domingos e feriados em que nunca deixou de trabalhar. Abdicou ainda de cerca de 300€ de retroactivos que o patrão lhe deveria ter pago, porque tem consciência que os tempos são de crise e que a casa tem trabalhado pouco. Recebe 630€ por mês, assina um recibo onde o patrão declara, apenas, o salário mínimo e trabalha, no mínimo, dez horas por dia.

Apesar de tudo isto, os patrões da Maria, na passada sexta-feira, não tiveram vergonha de lhe fazer a seguinte proposta: "Sabe, D. Maria, os tempos estão difíceis e temos que reduzir despesas ou, então, no fim do ano temos que fechar a casa. O seu salário é muito alto e, como tal, queria-lhe propor que escrevesse uma carta de demissão e, em troca, nós compromotemo-nos a pagar-lhe três meses de ordenado. Pense nisso e, depois, diga alguma coisa."

É certo que os patrões estão no seu direito quando querem reduzir despesas e é certo que podem fazê-lo cortando pessoal, mas daí a dizer que 630€ mensais é um salário muito alto e proporem que a Maria abdique de todos os direitos que adquiriu pelo trabalho efectuado ao longo de onze anos é demais. Uma funcionária que em Dezembro deste ano se vai reformar, que profissionalmente deu o melhor de si e que, em momentos difíceis, deu provas da sua lealdade e amizade para com os patrões merecia que não lhe fizessem uma proposta que põe em risco, pelo menos, um salário por cada ano de trabalho, os subsídios de Natal e de férias e, até, o direito ao subsídio de desemprego!

Esta é a história da Maria. A Maria que eu tão bem conheço. Mas, certamente, há, em Portugal, muitas outras Marias e muitas outras histórias deste género. Histórias que mostram de que é feito muito do patronato do nosso país, que ilustram a indiferença de uns pelo bem-estar de outros, que mostram que, infelizmente, não vale a pena ter amor à camisola.
E são pessoas como os patrões da Maria que me metem nojo, porque dizem não ter dinheiro para pagar os salários atempadamente (hoje, dia 9, a Maria ainda não recebeu), mas não deixam de ir ver os jogos do Porto quase todos os fins de semana, nem deixam de ir ao Brasil sempre que lhes dá na real gana!

Vila Forte em destaque!



Porque o projecto do NOTAS SOLTAS não podia deixar de se associar à divulgação de um blogue amigo, aqui fica a nossa chamada de atenção para a iniciativa do colectivo do VILA FORTE.

Os sinais estão aí!!!

"Há «obsessão da fidelidade ao líder» no PS
Histórico do PS, Henrique Neto, critica Augusto Santos Silva a quem chama o «ministro da propaganda».
O socialista Henrique Neto considerou ontem existir «de facto, medo» no PS, fazendo duras críticas «à obsessão da fidelidade ao líder» de Augusto Santos Silva, a quem chama «ministro da propaganda».
«Há de facto medo no PS e na sociedade portuguesa, pelos mais variados motivos», diz o empresário Henrique Neto, numa carta aberta ao ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, e ao deputado socialista Manuel Alegre, enviada à Lusa",
referia o Portugal Diário
Os sinais de controle das pessoas, não só no partido, mas também na sociedade, a manipulação encapotada da Comunicação Social, a sensação de receio em falar, sobretudo naqueles que dependem do Estado, as figuras que se vão colocando debaixo do chapéu do poder, as desculpas e indignações que não convencem, a sensação de impunidade dos suspeitos que se vai sentindo, mesmo ao nível da Justiça na forma como esta parece actuar, a propaganda intoxicante permanente, as mentiras ditas e depois arremessadas aos que as denunciam, o querer convencer-se a nação do “ou nós ou o caos”, multiplicam-se todos os dias aos nossos olhos.
O que mais será preciso para se perceber o estado para que o país caminha?

É de situações destas, que fragilizam a democracia, que por vezes aparecem os “salvadores” da pátria.
O descrédito instalou-se, a desconfiança também.
Já ninguém acredita, nem mesmo aqueles que defendem o “statu quo”.
O país afunda-se aos olhos dos estrangeiros e aos olhos dos portugueses.
Os sinais estão aí e multiplicam-se todos os dias, só não os vê quem não quiser.
Estarei a exagerar, mas é o que eu sinto!

Quando a bola beija a rede ... é golo!

Isto de escrever às portas de acontecimento de interesse nacional é chato!
Isto porque em dez milhões, 60% estão preocupados com as opções de Quique … e 25% com as do Professor.
Segunda começamos a discutir o resultado e, feita a pausa do próximo fim-de-semana, começamos a pensar no Carnaval.

Enquanto isso ... andamos a mentir descaradamente a uns tipos duma seguradora num estudo sobre condução e segurança rodoviária.
Nós, no contexto dos europeus inquiridos, somos os que melhor entendem as regras de condução? Está bem, abelha!
Como nem a mentir somos completos, lá complementamos com um “mas eu tenho dificuldade em cumprir”.
Dificuldade em cumprir um dever ...

... cá está outra característica inata nos portugueses.
Veja-se o caso do Senhor Magalhães, esse computador ladino, cuja obrigação era chegar às mãos dos meninos a tempo e horas e … nada!
Está como aquele comboio que “chega quando chega”
Ele lá pensou com os seus circuitos integrados que era para levar à letra o tempo que o outro Magalhães (o Dom Fernão) demorou na sua viagem que, ainda por cima, não acabou!
Para quem gosta destas coisas da História, é só navegar aqui.
O pobre do Dom Fernão não cumpriu porque foi trespassado nas praias das Filipinas ...

... mas há quem não cumpra, nem faça cumprir e ache tudo natural desde que ...
Por exemplo, Correia de Campos acha normal existirem fraudes na Saúde. Mas só até 5%!
Ora bem, nada como dizer aos burlões qual a percentagem de crimes admissível …

No mais, o Presidente, para gáudio dalguns sectores, lá vetou mais uma lei; o Primeiro viu o Freeport hibernar uns dias; os despedimentos prosseguem; a chuva, o frio e a neve também; a crise na mesma … mas nada disto importa, quando está aí um Porto/Benfica à porta!
E tenham bom fim-de-semana ...
Disse.