O atoleiro!

Assisto impotente ao triste espectáculo que todos os dias acontece neste nosso Portugal, seja pelas “noticias” dos jornais, seja pelas repetidas intervenções do Primeiro-Ministro a afirmar a sua inocência e a proclamar uma cabala contra ele, não se sabe de quem e porquê.

Afinal aquilo de que ele acusa os outros, ou seja insinuações sobre a sua pessoa, faz ele também sobre os jornalistas e os outros políticos, ao dizer que há uma cabala contra ele, sem quaisquer provas do que afirma.

Até pode ser inocente (porque não?), mas a verdade é que sucedem-se as “inverdades” (ou serão mesmo mentiras) que teimam em perseguir o Primeiro Ministro.
Veja-se o recente caso do relatório, dito da OCDE.

Para mim, se dantes lhe podia dar o benefício da dúvida como político, esgotou-se o pouco capital que tinha como homem que eu possa aceitar para chefiar o Governo de Portugal.
Chega de intervenções e declarações ao País.
Começa a fazer-me lembrar a história do menino e o lobo.
Tantas vezes grita a mesma coisa, que quando for importante ouvi-lo, já ninguém lhe liga.
Apetece gritar como a criança da história: "O rei vai nu!"

Se Luís de Camões vivesse agora neste tempo, provavelmente os Lusíadas começariam assim:
"As armas e os barões já desbotados
Que da ocidental praia «lusídia»
Por mares já por tantos navegados
Nem chegaram a passar da Trafaria."

O atoleiro em que Portugal se meteu, em que todos o metemos, parece não ter fim!

E se o sistema rebentar?

Em dois dias 85.000 pessoas, por esse mundo fora, ficaram a saber que iam ficar sem trabalho.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) admite que a actual crise arraste mais 51 milhões de pessoas para o desemprego.
Face a este quadro desolador que soluções nos apresentam?

Em Portugal, mas não só, pois também nos EUA a nova Administração aponta para aí (embora numa proporção diversa), a solução passa por privilegiar obras públicas de envergadura que obrigarão a recorrer ao crédito. Isto é, mais endividamento.
Os apoios às empresas têm sido quase todos à Banca.

E por esse mundo vêem-se governos a injectar milhões nas empresas.
E estas o que fazem? Pedem mais milhões e despedem aos milhares.
Ora, digo eu, se é para isto, então os tais milhões que sejam destinados a apoiar quem fica no desemprego e deixe-se ir à falência quem tiver de falir.
Paralelamente, e no quadro da União Europeia, assuma-se duma vez por todas que a coisa é a doer e deixemo-nos de brincadeiras. Feche-se o espaço económico e exija-se a devolução dos incentivos dados às empresas de comportamento “beduíno”.

A outra solução, baixar impostos parece-me razoável mas num quadro de um novo comportamento ético de muitas empresas. E dos governos, também.
Há quem assevere que assim se potenciava investimento e disponibilizava mais dinheiro para incentivar ao consumo.
Mas, pergunto eu, não foi por esta via que, em parte, se chegou a este triste estado de coisas?
Sim, porque isto foi cada um à sua medida.
Uns endividavam-se para ir de férias às Caraíbas ou a patroa encher as mamas de silicone; outros para comprar acções e mais acções …

Face a tudo isto, se o sistema falir que iremos fazer?
Já pensaram nisso?
E que concluíram?

Freeportgate

Acho que em vez de Freeportgate devia ser Freeportgaita. Senão vejamos.
O cérebro de uma Blonde é assim uma coisa muito cheia de coisas e muito solicitada no dia-a-dia. O tempo é escasso e precioso (e vale money ainda por cima). Vai daí a Blonde apreende informação de uma maneira muito sui generis e só capta o que interessa.

Tio de Ministro.
Governo de gestão.
Aprovação de projecto duvidosa.
Inconstitucionalidade.
Infracção.
Corrupção.
Área protegida.
Quercus ao barulho.
Queixa em Bruxelas.
Justificações de legalidade.
Mais justificações de legalidade.
Reiteração das justificações de legalidade.
Reiteração da reiteração.
Oposição barafusta.
Governo defende.
Eleições à vista.
Muitos milhões em causa.
Favores.
Diz que não.
Diz que sim.
Insinuações.
Provas em contrário.
Mais insinuações.
Insistência na prova.

Sou só eu com este neurónio em curto-circuito e overloaded, ou alguém mais acha que onde há fumo há fogo?

Eu mamo, tu ... porta-te como deve ser!

Temos entre nós alguns que adoram de cultivar o dito popular “olhai para o que eu digo, não olheis para o que faço!”.
Aqui o escriba conhece uma senhora que está sempre com esse floreado.
E há dias, juro-vos, tive de contar, não até dez, mas até cinquenta para não lhe ir às trombas!

A "madame" dá aulas no ensino público mas nunca deixou de trabalhar para a empresa da qual se despediu. Nunca pediu acumulação e recebe por baixo da mesa na privada!
E quando não arranjou colocação, venha o respectivo subsídio de desemprego ...

Casada com um médico, vê o excelso marido trabalhar num hospital público, dar aulas numa escola de saúde privada, dar consultas em dois consultórios e ainda a despachar num hospital e numa clínica privada.
E só não dá ela própria consultas, porque as frequentes viagens que faz ao estrangeiro para acompanhar o marido a congressos médicos não lhe deram ainda o traquejo quanto baste!
Mas mete atestado médico para ir passear ao estrangeiro sem que lhe doa a consciência.

A coisa deve ser genética, já que o pai conseguiu transformar uns perlimpimpins comunitários numa piscina.
Esta sua fina consciência social é burilada com uma costela conservadora que a leva a votar nem que o candidato seja um quadrúpede. Ao caso, no PSD. Mas, também conheço quem assim aja com o PS. Não é, pois, por aí.

E ia-lhe eu às trombas porquê?
Não é que o animal, na tal ocasião, me vociferava por causa da empregada doméstica ter pedido que lhe fizesse os descontos de lei para a Segurança Social?
Pode?

Será preciso ter fé?

Numa entrevista dada ao "Público" na sexta-feira passada, Joe Berardo diz: "Há tanta gente que pergunta: queres vender a posição na Zon? E eu pergunto: quem és tu? E ele diz quem é. Mas isso não significa nada para mim. É necessário que digam de quem parte a proposta. E que o façam por escrito. "

Ora bem, já dizia o povo que mais vale prevenir do que remediar e além de que existe ainda aquele outro ditado que diz que ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão... Não que o Joe seja ladrão, ou que o estejam a tentar roubar com ele a ver, não... nada disso.

Mas vem esta posta a respeito dessa tão bela tradição portuguesa - a palavra de honra.
É claro que esta tradição já não existe e todos sabem que a tradição já não é o que era, nem sequer era preciso o "Johnny Walker" a avisar-nos.
Palavra de honra é coisa que já não existe e portanto, nos dias que correm, empresário que se preze tem mais é de ter tudo escrito, preto no branco, com honras de carimbo e selo branco, só por coisas.

Dir-me-ão que ando azeda e com os azeites e dir-vos-ei que ando mesmo é virada do avesso.
Querer ter uma empresa bem organizada e com tudo legal, é muito bonito e está muito certo. Fazer cumprir a lei dentro da nossa casa, prezar a ordem e pagar os impostos é também muito nobre e pagar a fornecedores a tempo e horas, cumprir com as nossas obrigações perante os clientes para que nos voltem a visitar também está muito certo...
Mas acontece que o bonito, o certo e o legal também começam a ter os dias contados.

Já não é bonito confiar-se na palavra dada e não é certo que o acordo tácito seja cumprido, muito menos é legal acertar verbalmente um trabalho, porque se sabe de antemão que não será pago.
Ora bem, o azedume vem todo a respeito das relações empresariais que se estabelecem hoje no nosso tecido económico. Sendo eu própria empresária com várias obrigações para com empregados, clientes e fornecedores, sou assaltada pelas dúvidas colocadas a qualquer empresário português - como pagar as dívidas e sair com algum lucro para reinvestir no fim do exercício?

Por estes dias, a questão ainda tem sido mais premente, porque a par da crise, existem alguns empresários de meia tigela, que aproveitando-se do semi-caos instalado, se põem ao fresco com o dinheiro que devem a todos.
Resultado: milhões de euros de prejuizo, desconfiança e descrença... o que provoca uma notável quebra nas relações comerciais que deviam ser fluidas e sem demasiadas burocracias.
Papéis para acertar obras, assinaturas para adjudicar, papeis para facturar, assinaturas para cobrar e o simplex que se queria para o Estado, começa a tardar para o tecido empresarial.

E com tudo isto, nem sequer a ginástica orçamental que se vai fazendo todos os dias, é suficiente para cumprir com a obrigação fundamental para qualquer empresa, seja ela grande, média ou pequena - a motivação dos recursos humanos.
Haja alguém que me dê uma luz!