Os nossos antepassados latinos gostavam de mostrar-se bastante democratas e dizer estas frases feitas que muito divergiam do que realmente se passava em Roma, em que escravos eram tidos como pouco mais que os animais e os animais pouco mais que pó.
Mas passados estes séculos todos eu pergunto-me se Orwell não teria mesmo muita razão quando na sua maravilhosa obra "O triunfo dos porcos" dizia que todos somos iguais mas uns são mais iguais que os outros?...
É que se o Sol quando brilha é para todos, eu sinto-me um pouco à sombra, em pleno solarengo Maio, na bela serra algarvia onde o estio se sente logo desde cedo.
Sim, sinto-me à sombra e não estou só, somos alguns milhares os que de repente nos sentimos abraçados por uma imensa mão cinzenta e fria que nos vai esganando e exaurindo todos os recursos que com cuidado, perseverança e trabalho fomos tentando construir pelo tempo fora.
Mas do que raio estarei eu a falar?
Pois então passo a explicar e que me perdoem os apologistas da liberdade entre raças e a igualdade de oportunidades, mas o que é demais também chateia e no momento estou muito, muito aborrecida.
O caso foi o seguinte: infelizmente tenho na família um caso de doença oncológica, que exigiu há uns tempos a extracção mamária, sofrimento e dor à mistura, com a consequente mágoa de um filho demasiado pequeno para perceber porque não podia estar com a mãe e a possibilidade de não a ver de todo pelo futuro fora.
Numa das consultas de rotina, esta minha familiar teve de aguardar a sua chamada na sala de espera do Hospital, tal como centenas de outros pacientes, que, uns com mais outros come menos dores, lá iam pacientemente aguardado a sua vez, sem queixumes ou aparente revolta...
Já depois de algum tempo de sofrimento, por a cirurgia ter sido recente e a costura estar inflamada, a minha familiar preparava-se para ser chamada, faltando-lhe apenas duas pessoas à frente, pouca coisa para quem tinha já esperado duas horas... Mas entrou pela porta uma senhora de etnia cigana com uma criança esfarrapada ao colo, num berreiro que metia dó e durante mais trinta minutos gritavam mãe e filho, cada um à vez e por vezes em simultâneo, até que de dentro das portas da urgência sai uma médica muito bem intencionada a convidá-la a entrar antes de todas as outras pessoas que até ali tinham aguardado pacientemente pela sua vez...
Eu sei o que estais a pensar: então e ninguém se queixou? Pois não, ninguém se queixou, porque uns ficaram em choque, outros estavam tão doentes que o que quer que acontecesse à sua volta não passava de uma mancha na paisagem, outros ainda estavam satisfeitos por, como que por magia, o som estridente daquela mulher e criança ter-se evaporado!
Sol lucet omnibus?
Não me parece! A mim parece-me que o sol hoje quando brilha é para quem grita mais alto, para quem faz mais barulho, por muito que o que diga não passe de demagogia, de publicidade, de fanfarronice. Vão-me desculpar se aos ciganos vou assemelhando os políticos, mas a analogia era demasiado aparente para eu a desperdiçar...
Fico-me então por esta garra que me vai apertando a garganta, dizendo de mim para mim que não sou de todo racista ou xenófoba, assim como alguns dizem por aí que não existem bruxas, mas que las hay, las hay!
indomável
Sol lucet omnibus?
Por: indomável em Terça-feira, Maio 19, 2009

4 comentarios:
Torna-se dificil comentar sem saber o grau de urgência que a cigana, independentemente da gritaria de facto possuia. Muitas vezes entrar primeiro na triagem não significa ser atendido à frente, porque alguns entram e começam logo a receber actos médicos, outros entram, mas esperam sentados lá dentro em corredores.
Estou como diz o António de Almeida. Bem sei que por sistema a etnia cigana, para além de deslocar meio acampamento para a porta do hospital, se costuma anunciar com grande espavento.
Esperemos que, no caso, houvesse mesmo precisão de berreiro!
Aqui à tempos, no eléctrico em Lisboa entrou um jovem de aparência duvidosa, e pôs-se a procurar o passe. Comentário do motorista, que por acaso era uma senhora: "Não sei porque finges que procuras o passe; toda a gente sabe que não tens". O individuo dirigiu-se para um lugar vago, impávido e sereno. Tenho a certeza absoluta, de que se eu, que por acaso sou branca, classe média e tenho um trabalho honesto, tentasse a mesma proeza seria impedida de entrar no eléctrico.
Concordo com a Indomável...se alguém fazer um espectáculo, e se tiver um aspecto duvidoso ainda melhor, consegue geralmente o que quer...
É triste mas säo assim que acontecem as coisas. E há casos bem piores.
Há casos de pessoas idosas que nem se conseguem exprimir e os acompanhantes säo obrigados a ficar lá fora(às vezes estäolá dentro horas sem serem atendidos chegando a morrer)... Enquanto noutros casos, há ciganos que entram com toda a famelga dentro dos hospitais e ninguém tem a coragem de impôr a ordem.
As pessoas têm medo dos ciganos e eles servem-se disso...
Enviar um comentário