Porque os homens também sofrem...

A semana passada, a "Visão" publicou um artigo sobre cancro da mama, nomeadamente em mulheres com menos de 35 anos. Como vão perceber, esta é uma temática que me diz muito.
Tenho 33 anos e desde os 27 que sou alvo de uma vigilância médica apertada.
Após uma cirurgia à tiroide, a minha médica decidiu não correr riscos e fiz um check-up geral. Nessa altura, foram detectados dois nódulos na mama.

Desde então, faço duas ecografias mamárias todos os anos e já fiz uma mamografia, para um controle mais rigoroso da situação. Aprendi que devo fazer palpação mamária todos os meses e tento sempre fazê-la, apesar de haver alturas em que me desleixo um pouco por saturação.
Sei, no entanto, que todos estes passos são essenciais para prevenir problemas futuros. Estas são as armas de que disponho para, caso a doença decida atacar, estar preparada e não ser apanhada desprevenida. Prevenção é a palavra-chave.

Esta é a forma de cancro que afecta mais mulheres portuguesas. Todos os anos são detectados cerca de 5000 novos casos de cancro da mama. Em 2002, morreram 131 mulheres, entre os 25 e os 44 anos, vítimas desta doença mas, dois anos depois, este número baixou para os 97.
Estes números provam duas coisas: que a prevenção é a forma mais eficaz de combater o cancro e que o desenvolvimento na medicina é notório.

Segundo Helena Rodrigues, responsável pelo núcleo do cancro da mama do Instituto Português de Oncologia do Porto, hoje há, de facto, mais informação e, como tal, são recebidas "mais jovens nas consultas, porque estão motivadas para o auto-exame e as próprias mães alertam as filhas". Acrescenta, ainda, que possui "muito mais armas do que há 20 anos:opções terapêuticas, doentes mais informadas. Antes, pensava-se que o IPO era era para morrer. Hoje, toda a gente sabe que aqui se pode tratar. É mais fácil transmitir confiança, pois acreditamos mais no que estamos a dizer. Todos os anos há coisas novas".

Efectivamente, este cancro é o que tem melhor taxa de sobrevivência e são cada vez menos os casos que necessitam de fazer mastectomia total e esvaziamento da axila. Hoje em dia, só 40% dos casos necessitam deste procedimento, porque chegou-se à conclusão que a retirada do gânglio sentinela (o primeiro a ficar doente) era, muitas vezes, suficiente.

Julgo que é do conhecimento geral que há factores de risco (idade, história familiar, menarca precoce, menopausa tardia, doenças da mama prévias), mas a prevenção é essencial. Esses factores não podem impedir que as mulheres se vigiem, conheçam o seu corpo e estejam atentas a todos os sinais de alarme.
As mães e o pessoal médico têm um papel preponderante na divulgação e implementação desta arma.

No entanto, acho que os homens devem ser chamados a desempenhar um papel mais activo nesta luta porque, quando a doença ataca, seja a mãe, a mulher ou a filha, eles também sofrem, eles também são vítimas.
Por isso, hoje peço-vos que também vós estejam atentos, informem-se, conversem com as mulheres que vos rodeiam e ajudem-nas a lutar com todas as armas contra esta doença.

Ah, e já agora, não se esqueçam que o cancro da mama, apesar de numa escala muito reduzida, também pode atingir o sexo masculino!

8 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Ainda bem que os progressos da Medicina e a crescente informação das pessoas levaram a que hoje haja mais consciência que cancro não é certidão de morte.

Espera-se agora que, debelado o mito do "mal ruim", se passe para novos horizontes na descoberta da cura.

DANTE disse...

Ali o amigo Ferreira já disse tudo , mas ainda assim existe uma grande dose de 'tabu' em relação á abordagem que certas pessoas fazem a isto. Conheço mesmo algumas pessoas do sexo feminino que se recusam a fazer a simples apalpaçao por 'medo de encontrar alguma coisa'.
Não entendo isto...

Jokas Carol :)

Carol disse...

Tens razão, DANTE, é difícil perceber que algumas pessoas prefiram correr o risco de vir a ter problemas graves a tentar descobrir as coisas atempadamente. No entanto, também há quem pratique sexo sem preservativo sabendo que pode contrair o vírus VIH só porque sente mais prazer sem ele ou porque não gosta de preservativos.
Haverá sempre pessoas inconscientes, por muita informação e divulgação que se faça.

Adoa disse...

Infelizmente ninguém está livre de que nos apareca um cancro... Infelizmente as pessoas ainda estao com medo, embora menos, de falar do assunto. Mais do que lutar contra as doencas em si, temos de lutar contra os preconceitos, que muitas vezes sao mais mortais...

Beijos e nao te desleixes.

Zé Povinho disse...

Os progressos da medicina são muitos mas a prevenção e a informação são indispensáveis.
Boa semana
Abraço do Zé

Carol disse...

É verdade, ADOA, ainda há muitos preconceitos, medo de chamar os bois pelos nomes. Não me vou desleixar.Tenho muitos projectos por cumprir!

Blondewithaphd disse...

Prevenção é chave, de facto. Esperança é a palavra de ordem. Sei bem (demais) do que falas.

pedro oliveira disse...

Sim e tenho um irmão que em tempos teve de fazer vários exames porque suspeitava-se que podia ter cancro na mama, felizmenet tudo não passou de um susto.PREVENÇÃO!

PO
Vilaforte