Vender o corpo à crise...

A crise quando chega, toca a todos e há quem tenha de recorrer a métodos menos próprios para fazer face à mesma.
De acordo com o Diário de Notícias, há mulheres entre os 35 e os 50 anos de idade, da classe média-baixa, sem marido e com filhos que se prostituem para conseguir cumprir com todas as suas obrigações e enfrentar as dificuldades financeiras com que se deparam.
Segundo as Irmãs Oblatas, de há um ano e meio a esta parte, o número de mulheres que se prostituem esporadicamente terá aumentado cerca de 15%. Por exemplo, há uma mulher que "trabalha em part-time numa empresa de limpezas (...) Tem um filho adolescente a estudar, está separada e o marido não paga a pensão de alimentos.".

Por outro lado, Inês Fontinha, directora d' O Ninho - uma associação que se dedica à recuperação e acolhimento de mulheres que se prostituem, acrescenta que "muitas mulheres acumulam também um trabalho normal com a prostituição à noite, para ajudar nas despesas", mas que correm o risco de se fixarem nesta actividade já que "não é fácil estar a noite toda acordada e ir trabalhar às 08:00h. Isso é possível durante algum tempo, mas depois a maioria acaba por ceder.".
Outro risco é o de serem aliciadas para redes de prostituição ou por proxenetas, já que se encontram mais fragilizadas e vulneráveis.

Num país em crise e onde pessoas com mais de 35 anos são consideradas inaptas para o mercado de trabalho, não me admira que esta situação se verifique!

Não condeno, nem enalteço quem opta por esta via mas, de uma coisa estou certa, não será fácil para uma mulher tomar este tipo de decisão e nem imagino como será viver no medo de ser vista ou reconhecida por alguém.

16 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Como dizes, o mais correcto será, provavelmente, não condenar e muito menos enaltecer esta actividade.

Especialmente a que resulta dos pontapés da vida!

Já o mesmo não posso dizer das intervenientes da indústria das acompanhantes, das célebres massagens anunciadas em profusão nos nossos diários ou de quem, para manter o estatuto ou poder de compra para bens materiais perfeitamente desnecessários ...

Outro contributo que deixo para eventualmente ser ponderado (embora antecipe que este seja daqueles temas que vá passar lateralmente) é o que se deva pensar dos frequentes clientes não só dessas, mas das famosas casas de alterne e de prostituição.

Onde, muitas vezes, as envolvidas são voluntárias ... à força!

lusitano disse...

A verdade é que o mundo que estamos a viver se afasta cada vez mais da dignidade da vida, e as pessoas não encontram respostas às suas dificuldades.

Claro que há outras maneiras de se resolverem os problemas, mas o que sei eu do que algumas dessas mulheres vivem de desepero.

No entanto e como diz o Ferreira-Pinto lá estão sempre uns que se servem da desgraça dos outros, seja "contratando", por vezes à força, seja "utilizando".

Esta sociedade está doente!

C Valente disse...

Boa semana com saudações amigas

JOY disse...

Pegando nas palavras do Ferreira Pinto, não quero condenar ou enaltecer semelhante situação, parto do principio, que na maioria das vezes uma mulher não toma uma decisão destas de animo leve, porque mais tarde ou mais cedo tem custos para o corpo e para a
alma, mas a situação actual em que vivemos leva a que as mulheres nomeadamente as que enfrentam maiores dificuldades optem por esta vida.

Joy

Carol disse...

Totalmente de acordo, FERREIRA! Uma coisa é sustentar manias de grandeza ou vícios, outra é fazer de tudo para que não falte o essencial aos filhos e cumprir com os seus compromissos financeiros essenciais.

Relativamente às famosas casas de alterne e espaços afins, condeno veementemente todos os que ali se dirigem enquanto clientes e os que vivem à conta de muitas mulheres que, como dizes muito bem, são exploradas contra a sua vontade.

António de Almeida disse...

-Não tenho muitas certezas nesta matéria, e julgo que o DN também não, ficou-se um pouco pela rama. Em tempos disseram-me que para verificar se este fenómeno aumentava ou diminuia, era consultar os classificados do Correio da Manhã, um dia alguém que trabalha em publicidade, disse-me que existe multiplicação de anuncios, a mesma pessoa chega a colocar meia dúzia, e que não é fiável recorrer a tal método. Este fim de semana tendo por base o DN, a SIC-N afirmou que está a diminuir a frequência de bares de alterne e prostituição, o que poderá pressupor um aumento da oferta e uma diminuição da procura. Mas trata-se dum meio camuflado, onde é dificil analisar seja o que for, e se por um lado podemos culpabilizar a crise, não deixa de ser verdade que anda por lá quem queira obter dinheiro para droga, ou viver segundo padrões que de outra forma nunca atingiria. Mas até que veja um estudo detalhado, todas as hipóteses são válidas, não sei o que prevalece, se é que existe algum padrão.

pedro oliveira disse...

Se por um lado deve aumentar o número de mulheres que "têm" de recorrer à prostituição para pagar os seus encargos, também não será verdade que a crise faz dimuir o número de clientes.

PO
Vilaforte

Compadre Alentejano disse...

No consulado de Sócrates tem sido constante o aparecimento de casos destes.Não condeno as mulheres que são obrigados a venderem a sua dignidade, para fazer face ao gastos do quotidiano.
Condeno sin, tal o Ferreira-Pinto, a indústria que está por detrás da mais velha profissão do mundo.
No entanto, lamento e acuso as autoridades de não criarem um organismo que auxilie estas mulheres.
Compadre Alentejano

Carol disse...

ANTÓNIO, no caso concreto fala-se da prostituição de rua e os dados fornecidos são da organização das Irmãs Oblatas, que apoiam estas mulheres na rua e d' O Ninho.
Se os dados são os mais exactos ou não, desconheço mas posso afirmar que na zona de Aveiro este é um fenómeno cada vez mais presente e visível.

joshua disse...

Também aumenta o número de homens, saudáveis, muito capacitados para proporcionar prazer, amor e fantasia a uma carteira fixa ou ocasional de mulheres. Divorciados ou não, também eles têm de pagar pensões alimentares e outras despesas de dignidade e sobrevivência.

Não aplaudo nem condeno quem se tenha transformado num gigolo por motivos prementes.

Livrai-me, Senhor, da aventura, ventura dissoluta e carnal, que é apascentar mulheres carentes e sós, que pagam bem por companheiros charmosos, eficientes, conhecedores de ritmo e anatomia, de etiqueta e cultura geral. Bons conversadores, mas sem exagerar, que a tagarelice destapa a tesura.

Tenho mulher e filhas e não hei-de ir por aí. Pela escrita, Senhor, pela escrita se prostituem tantos e tantas! Por que não aprenderei eu o mesmo e me acomodarei a fazê-lo de igual modo?!

Hoje, treze de Outubro, reabraço o meu desemprego crónico. Já estou habituado. Foi um mês a laborar nas salas de aulas que bem conheço. Precisamente um mês de esperança rastejante acabada de cessar e falir.

A minha psique não sei se resiste a tanto.

MS disse...

Como o pais está, faz com que muitas famílias estejam à beira da miséria, famílias que viviam muito bem, com bons carros e boas casas apesar de estarem a pagar aos banco o dinheiro chegava e sobrava.
Hoje se um fica sem emprego a vida leva uma volta muito grande e faz muitas vezes com que se perca a cabeça e se comentam estas loucuras.
MS

João Castanhinha disse...

E o papel que as suas familias poderão ter, ou muitas vezes o não querer diminuir o padrão e admissão de falta/culpa?
Situações que de facto se verificam e não apenas neste país, situações extremas, medidas extremas mas terá mesmo de ir até aí?
Talvez, mas com reservas.

Caro Joshua, lamento saber, e se ajuda, o meu abraço fortalecedor, como dizia Churchil, "we shell never surrender", especialmente tu ó REX!

DANTE disse...

Maior medo ainda será o de chegar a casa sem alimento para os filhos...
São tristes as 'realidades' escondidas.O mais engraçado é que ao serem , em certos casos , reconhecidas/os nas ruas por alguém do grupo familiar , o que resulta daí são sempre criticas e escárnio , e nunca uma palavra amiga ou auxílio quando se verifica a necessidade dos mesmos.

Jokas carol

O Guardião disse...

A degradação dos salários e outros factores de natureza pessoal têm consequências, e esta é uma delas. A atenção da sociedade e a denúncia da existência de situações deste tipo deviam acordar as consciências que por aí andam adormecidas.
Cumps

joshua disse...

Caríssimo João, acolho a tua solidariedade que sem dúvida ajuda e conta para mim. Lutarei (ando sisudo como um cara de peixe, uma moreia!, mas há-de passar) para cumprir esse 'we shall never' altamente inspirador.

Abraço

Carol disse...

JOSHUA: Be strong, my friend! One day, things will be different!