Pobreza infantil cobre-nos de opróbrio!

Ocasionalmente, os nossos ministros deslizam, caiem em contradição e ninguém parece reparar.
Contenham-se, por favor, que não vou zurzir na dupla Pinho e Lino ou, como diria Chavéz, num momento único, “Lino e Pinho, Pinho e Lino”!
Não, desta feita vou pegar no que disse Vieira da Silva, o cavalheiro que nos saiu na rifa do Trabalho e da Solidariedade Social.

Numa alocução no Fórum Europeu sobre Crianças de Rua, o governante admitiu que a pobreza infantil está a crescer na Europa e que "a dimensão social tem sido menosprezada nas políticas europeias".
Por seu turno, Anthony Simpson, da direcção da Federação Europeia de Crianças de Rua, estima que existam entre 150 mil e 200 mil crianças a viverem sem tecto.

Leio e penso como é possível que se admita, tenha permitido sequer que as coisas tivessem chegado a este estado.
Se fosse necessária uma prova cabal sobre o mais absoluto primado do individualismo e do egoísmo social, ela aí está.
Se fosse necessária uma prova cabal sobre a mais absoluta irresponsabilidade dos nossos políticos, ela está nas palavras de Vieira da Silva.

Conseguiu vislumbrar que as políticas europeias têm menosprezado este problema, mas nem por isso assumiu que as políticas têm protagonistas.
E que ele é um deles. Isso, senhor ministro, seria pedir-lhe de mais, não?
E logo a si que bem pregava, mas mal pratica agora!

Em Portugal, e a provar que o dito Estado Providência ou Social é coisa para estar na Constituição mas não para levar a cabo, as estimativas apontam que 1 em cada 5 crianças se encontre em risco de pobreza.
Os dados constam do relatório da Comissão Europeia sobre a protecção social e inclusão, adoptado em Fevereiro pelos ministros do Emprego da União.
Portugal surge no grupo dos oito países da União com os níveis mais elevados de pobreza na infância, apenas ultrapassado pela Polónia.

É um ultraje, uma vergonha.
Um país que não consegue ou não quer cuidar das gerações vindouras, merece existir?
Notem, por favor, que eu escrevo País e não Nação, coisas que são bem diversas.

29 comentarios:

salvoconduto disse...

A Vieira da Silva não lhe pesará a consciência? Provavelmente não...

Peter disse...

O Ministro deu um tiro no pé! Mas continua. O mais que lhe poderá acontecer será levar um pontapé para cima.
Melhor que ministro só ex-ministro.

(c) MAIORIA SILENCIOSA: P.A.S. disse...

Este excelso ministro não dá um tiro no pé, anda é de G3 em punho a atirar sobre os desempregados, retirando-lhes o subsídio, aniquilando os empresários quando lhes penhora a iniciativa, estralhaçando os reformados quando os obrigou aos 65, arrumando os empregados quando universalizou os verdes recibos.

pedro oliveira disse...

é com os magalhães e com os cheques diplomas que estes senhores querem tapar o sol com a peneira. O País está definhar e está tudo a assobiar!Vergonha.
po
vilaforte

lusitano disse...

É o que eu digo, fazem o "diagnóstico" e põe-se de aldo como se não fosse nada com eles, como se não estivesse nas suas mãos mudar as coisas que estão mal.

«Se fosse necessária uma prova cabal sobre o mais absoluto primado do individualismo e do egoísmo social, ela aí está.»

É o que eu venho repetindo à saciedade!

A sociedade que estamos a "construir" baseada nesses "primados", só pode lever a isto.

De acordo caro Ferreira-Pinto, em tudo!

lusitano disse...

"de aldo" - "de lado", obviamente!

Carol disse...

Tal como tu, fiquei indignada, revoltada e envergonhada com o rumo que leva a Europa. E note-se que digo Europa, porque o que está em causa não é só Portugal.

Todos os políticos europeus que realmente deram cartas nas políticas levada a cabo têm culpas no cartório!

Vieira da Silva reconheceu o óbvio, mas esqueceu-se do acto moral e ético que melhor lhe assentava: o mea culpa! Isso não me surpreende, porque quantos na nossa sociedade se demitem das suas responsabilidades todos os dias, nas mais pequenas coisas?!

Blondewithaphd disse...

1 em 5 é inqualificável! O problema é que não é só a pobreza que dificulta a infância: a falta de afectos, a negligência, todos os abusos reservados aos mais fracos, ou, por outro lado, os excessos materiais que tentam compensar os vazios por preencher. Maus tempos para se ser criança!

Manuel Rocha disse...

Peço licença à Blonde para pegar nos "excessos materiais que tentam compensar os vazios por preencher" e deixar ao autor do texto a seguinte questão: pode o Ministro ser responsabilizado por todas as consequências marginais de uma sociedade dividida entre os que já são ricos e os que querem ser ricos ? Qual é o papel das familias e das comunidades de vizinhança neste problema ? Será que andam ocupadas a discutir o casamento entre homosexuais ?

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA o amigo aqui pode sempre perguntar e interromper.

Quando pergunta pode o Ministro ser responsabilizado por todas as consequências marginais de uma sociedade dividida entre os que já são ricos e os que querem ser ricos? como é evidente, apenas posso responder que NÂO.

Afirmar o contrário seria desonesto. Contudo, pode e deve ser responsabilizado por algumas das consequências que as suas atitudes e decisões permitem.
Quer ver uma e que se calhar o deixará espantado?

Sei que recentemente, se deslocou a uma certa localidade nortenha para apadrinhar um projecto candidato ao programa PARES que, na sua génese, é muito louvável.
O projecto vai ser dinamizado por uma cooperativa cujos cooperante são oriundos de outras e onde muitos deles fazem da solidariedade a sua causa de vida, mas especialmente o seu modo de vida.

Serve isto para dizer que a coberto da causa da solidariedade se tem permitido muito desmando.

Eu, aliás, que já integrei os órgãos sociais de uma IPSS pergunto porque é que a Segurança Social não obriga a que se respeite o limite temporal imposto por lei quanto à ocupação de cargos e mandatos nas IPSS's?

Quanto pergunta Qual é o papel das familias e das comunidades de vizinhança neste problema?, eu poderia dizer que podem tentar ajudar e a minorar o problema. Não se esqueça, no entanto, que as pessoas por muito solidárias que sejam, lutam, também elas, com dificuldades ... o Manuel bem sabe que a classe média anda nas ruas da amargura. Nalguns casos por culpa própria!

Finalizo dizendo-lhe, meu caro amigo, que ou me engano muito ou as famílias neste momento têm mais com que se preocupar do que com o casamento entre homosexuais!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Lamento desde há muito que Vieira da Silva, um homem preocupado com as questões sociais e laborais, que fez um trabalho excelente enquanto secretário de estado de Ferro Rodrigues, tenha aceitado colaborar com o governo de Sócrates, o primeiro-ministro mais insensível às questões sociais e laborais, desde o 25 de Abril.
Percebo que o contexto é difícil, admito que era necessário tomar decisões impopulares.
Não aceito que um homem como Vieira da Silva se tenha prestado a este papel, porque sei que ele sabe que havia maneiras de combater os problemas sociaias e laborais do país sem carregar todo o ónus de mudança nos trabalhadores.
Infelizmente, hoje em dia, não o consigo ver senão como traidor. Traiu a quem devia servir e traiu-se a ele mesmo. A sua consciência nunca lhe perdoará.

DANTE disse...

A avultada pobreza material que se verifica no nosso país , apenas demonstra a pobreza de capacidade de resposta de quem nos lidera.
È um tema que , infelizmente , terá sempre do que se falar.
Pelo menos enquanto , independentemente da cor partidária , a política for pobre.

Um abraço

João Castanhinha disse...

E continuamos nós os Europeus, ricos cidadãos preocupados com as nossas muito importantes desgraçadas estatisticas...

1 em cada 5 em risco de pobreza? Isso é o quê ao certo?

Pobreza na Infância revela o quê?

150 a 200 mil a viverem sem tecto significa o quê caro Ferreira, na rua? homeless?

Como dizia um amigo da Costa do Marfim, na europa até os pobres são gordos.

tadinhos de nós.

António de Almeida disse...

-A questão é demasiado complexa, e tenho alguma dificuldade em formar opinião. Por exemplo, uma família que insiste em viver na pobreza, recorrendo a expedientes vários para sobreviver, sem vontade de trabalhar, deverá ver o estado retirar-lhes os filhos? Por outro lado, deverá o estado subsidiar-lhe os filhos, permitindo-lhe o desvio de verbas para outros fins? Não estou obviamente a afirmar que esta é a realidade da maior parte da pobreza, mas ela também existe, muita dela é voluntária, e aí, qual deverá ser o papel da sociedade, por inerência de delegação dos estados? É que a pobreza e crianças de rua não andam longe de fenómenos criminosos, consumo e pequeno tráfego de droga, alcoolismo ou prostituição. Se por um lado protegemos a criança implica retirarmos direitos aos pais, por outro respeitar os direitos destes, implica muitas vezes condenar os primeiros, e fechar os olhos às condições propícias em que estes fenomenos se desenvolvem e multiplicam. É que esta não é exactamente a pobreza que se combate com rendimentos mínimos e apoio social, pelo menos nos moldes generalizados e massivos.

Tiago disse...

Há coisas das quais o senhor ministro não tem culpa (têm colegas dele, mas ele pessoalmente não) mas há algo que tem de ser mudado muito rapidamente: LEI DA ADOPÇÃO! Não se admite que os pais adoptivos tenham de esperar 5 anos para adoptar um filho... Se é tão fácil criar uma empresa na hora, porque é tão difícil adoptar um filho em menos de, sei la, 3 meses?

Manuel Rocha disse...

Ferreira-Pinto:

Eloquente ( como sempre ) mas não qb para convivente, pelo menos por enquanto e para este seu amigo...;)

Esclareça-me sff: então e os orgãos colegiais das IPSS’s, não têm uma palavra a dizer sobre a aplicação da lei de limitação dos mandatos nas suas intituições?! Precisamos sempre de uma “autoridade” que nos obrigue a respeitar a lei e as normas ?? Queremo-nos democracia mas praticamos a sua versão abstracta ? Quer dizer que só nos faz sentido andar na estrada a 90 porque a 100 nos apreendem a carta ??

Quanto à solidariedade. Famílias com problemas ? Sim, sem dúvida. Entre eles o que aponta a Blonde: o de “compensar vazios por preencher”. Não há Ministro que resolva isso.

Joaninha disse...

Não se pode, já nao se pode ouvir essa gente a falar, como se nada estivesse a acontecer.

beijos

jo ra tone disse...

O maior culpado de tudo
é o governo

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA é óbvio que os órgão sociais e, até mais que estes, os associados devem ter uma palavra a dizer. Deviam, digo eu.

Sabe porquê?
Na maior parte das IPPS's olhe bem para a composição dos órgãos sociais e depois veja quantos dos dirigentes têm interesses directos na instituição. Por exemplo, familiares que lá trabalham.

E a coisa ainda piora se a fórmula é a de cooperativa pois, apesar de tudo, entra quem se quer!

Nós, infelizmente, e o amigo, que é homem do Mundo, bem o sabe, precisamos ainda de uma entidade que nos regule. Por muito que o lamentemos, ainda não atingimos aquele grau de maturidade e de elevação cívica que se exige.

Muitos já deixaram de cuspir para o chão, mas ainda assim continuam uns bacocos!

Quanto à ausência de afectos, especialmente naquelas famílias onde se pode compensar por outra forma, de facto aí não há ministro que nos valha.

Quanto ao que diz, JOÃO CASTANHINHA, você abordando a questão pela perspectiva cínica (digamos assim) tem toda a razão. O problema, meu caro, é que para mim uma criança é um ser humano seja em África, seja na Europa.

E, já agora, então como é?
150 mil "homeless" é gente em demasia ou não, certo?
E a Europa que esbanja dinheiro em burocratas e quejandos, não pode acorrer a esta situação?

Uma criança em cada cinco em risco de pobreza significa passar, na maior parte dos casos, para aquele limiar em que a vergonha impede alguns de pedirem ajuda ...

E não, não é estatística.
Sabe porquê?
Porque essa é mesmo a visão que os que nos comandam querem que adoptemos neste domínio.
Como noutros.

"Et pour cause", 'tadinhos sim mas é dos europeus para quem 1% ou 99% são a mesma coisa. Excepto quando lhes entra pela carteira dentro!

André Couto disse...

Caro Ferreira Pinto,
Começo a ficar sem vontade de dar opiniões sobre o que quer que seja. Estou a ficar saturado com os Vieiras da Silva, os Teixeiras dos Santos, os Sócrates Sousas, as Manuelas Leites. Farto dos da Esquerda. Farto dos do Centro. Farto dos da Direita. Farto de todos esses senhores que apontam o dedo a tudo o que está mal. Farto da sua capacidade de constatar o óbvio e da sua completa, manifesta, dolorosa incapacidade em fazer seja o que for para o corrigir.
Na Assembleia da República temos o "Palramento". Local onde as excelências por nós pagas manifestam o portentoso potencial de discordar uns dos outros e concordar entre si.
Vivemos numa ilusão.
Vivemos numa palhaçada.
Não há absolutamente ninguém que tenha argumentos para fazer seja o que for.
E nós? Apenas figurantes discretos num cenário negro.

Perdoe-me o desabafo.
Abraço.

O Guardião disse...

Talvez poucos conheçam o pensamento de Vieira da Silva há alguns anos, quando era da esquerda pura e dura. Os recém convertidos, ao poder bem entendido, são sempre bastante piores do que aqueles a que se juntam, não sei bem porquê. Talvez seja para que não lhes recordem as ideias do passado...
Cumps

Tiago R Cardoso disse...

"Um país que não consegue ou não quer cuidar das gerações vindouras, merece existir?"

Muito bem colocado, talvez até possa existir mas não tem futuro.

joshua disse...

É automático concluir que o cinismo e a sem-vergonha tomaram conta dos detentores dos desígnios políticos de todos.

Ser olimpicamente indiferente à larga maioria, às crianças, não zelar pelo dever de protecção e salvaguarda dos cidadãos mais vulneráveis, praticar uma governação de casino, em que a Casa ganha sempre quando e desde que, beneficiando claramente os oligopólios, vejam-se os representantes temporários da Casa beneficiados pelos mesmos oligopólios, tudo isso se tornou praxis deliberada e obscena, novo Maoísmo Capitaleiro, nova Directriz Culturalista Dogmatizante e Revolucionária de Tudo e de Todos.

Cinicamente, há por aí um Governo e uma maioria que prodigiosamente consigiu estar inteiramente do lado do MegaCapitalNacional e ao mesmo tempo vem agora protestar vivamente, com a demagogia mais pegajosa que Portugal já viu, ser a mais lídima representante do regresso em força do Estado.

Querer estar longe de esta falsidade de merda! Não suportar mais a miséria que os meus olhos colhem de esses jovens e crianças alijados das políticas, ao alto porque o querem e ao alto porque os abandonaram.

PALAVROSSAVRVS REX

Daniela Major disse...

Bom texto. Os políticos acham que ter preocupações sociais fica sempre bem, mas normalmente não passam de palavras e discursos bonitos.

Compadre Alentejano disse...

Fazem-se contas às crianças pobres oriundas de famílias socialmente mais desprotegidos, mas também se deve fazer contas às crianças da classe média que o Sócrates arruinou... Essas, também passam fome, mas uma fome envergonhada...

João Castanhinha disse...

Com o mal dos outros podemos nós, é esse o mote desta Europa, felizardos da Segurança Social e das estatísticas que nos servem de queixume azedo interno, são os pequenos subnutridos realmente subnutridos (como tão bem refere António Almeida)? quantos desses dados estatisticos nos dizem respeito? Os 200 mil incluem-nos até aos Urais e a familias nómadas curdas ou pára nos 15, ou nos 24? Que universo é esse?
E desculpe meu caro e mui prezado Quin, também anseio mais do que tudo que parem as guerras, a fome, a prostituição infantil, o trabalho infantil...mas o meu cínismo vai directo ao discurso político, o mesmo que vi (e desculpe a dureza)no Seu uso a um tema que tão bem esta Europa têm conseguido resolver ao longo das ultimas 6 décadas (mas só eu tão novo é que tenho memória do que isto era?)e que de todo é comparável com outras realidades.

O trabalho esta todo feito? não, mas já faltou muito mais.

Deviamos era pensar Tambem nos que têm, muito, mas mmmmmmmuuuiiiito menos do que as nossas "uma em cinco" no limiar da pobreza crianças. Foi só esse o meu reparo em forma cínica de alerta.

Grande Abraço

Fa menor disse...

As crianças são sempre as maiores vítimas de todos os males.

Esquecem-se os adultos que elas são os futuros adultos...

Que semeamos nós???

Ferreira-Pinto disse...

JOÃO CASTANHINHA, tem toda a razão quando diz que o mote tem sido o do "com o mal dos outros podemos nós" ... meu e, presumo, seu!

O universo, sabe, não é assim tão relevante quanto isso. O amigo, contudo, insiste nessa perspectiva e eu digo-lhe que nem na nossa rua se devia permitir tal coisa, quanto mais a 15, a 24, com curdos, sem curdos, nos Urais ou no Burkina Faso.

É intolerável. Ponto. Final parágrafo.
Não sou nem déspota iluminado, nem seguidor de uma qualquer Madre Teresa de Calcutá para dizer que, se calhar devia fazer mais, muito mais ... e, às tantas, não circunscrever a coisa ao discurso ... com ou sem cinismo.

Meu caro, a dureza é salutar pois é aí que nos fortalecemos e eu, quando falei no cinismo, foi na perspectiva filosófica. Nada mais.

Francisco Castelo Branco disse...

LINO E PINO, PINO E LINO....

duas personagens do Portugal real.
Ou do governo real

Só dizem bacoradas, desempenham mal os seus papeis, ofuscam a realidade "não há crise"? e agora k diz Pino?; e nao sao chamados á atençao

Os piores Ministros, ou os mais "gozados", são os intocaveis de Socrates