O líder do mundo

Da próxima vez que eu aqui vier a América já terá um novo Presidente eleito (empossado só a 20 de Janeiro de 2009).
E não é preciso ser a Maga Patalógica para prever que Barack Obama será o próximo inquilino da 1600 Pennsylvania Avenue, Washington DC.

Se as previsões não falharem alegra-me que Obama seja eleito. Não porque eu esteja em particular sintonia com a sua agenda, mas porque é um Democrata e o Partido Democrata tem dado à América Presidentes com um certo carisma. Certo, que deu Lyndon Johnson que foi um excelente Presidente e aquele que mais fez progredir a causa dos direitos civis, contrariamente ao que as pessoas costumam pensar. Só que teve o azar histórico de ser o Presidente que sucedeu ao Kennedy, esse sim uma figura icónica de carisma (que, a nível governativo teve o sucesso que teve porque, lá está, tinha um Lyndon Johnson e tinha um irmão chamado Bobby - para mim a eminência política mais genial que os anos 60 produziram na América). E deu também um Bill Clinton, a quem a História há-de fazer muito jus. Obama tem tudo para ser o próximo Presidente carismático.

E, claro, é Afro-Americano. Logo aí tem vantagens desleais face a competidores brancos. Aliás, na América ser branco é que começa a ser pertencer a uma minoria étnica. Entre as imensas comunidades Latinas, Afro-Americanas e Asiáticas resta pouco espaço populacional aos Brancos. A coisa de que os meus alunos mais se admiram é quando percebem que, na América, não são Brancos mas "Hispanics" e "Hispanic" na América não é ser branco. P
or isso, mais que não seja por questões étnicas, aí vem um Presidente para a História.

Não acredito, porém, que à conta da etnicidade, as minorias norte-americanas encontrem finalmente a panaceia para as suas ancestrais reivindicações em termos de direitos civis. Aliás, desde Lyndon Johnson que conquistaram grandes direitos. Refiro-me às políticas de discriminação positiva, "positive discrimination" ou "affirmative action", mediante as quais têm acesso privilegiado às universidades e às quotas do mercado de trabalho.
Por conseguinte, pouco deverá mudar até porque não é um Presidente que muda a mentalidade colectiva de uma nação.
E a América é uma sociedade profundamente segregacionista e muito consciente das clivagens étnicas.

Obama agrada às classes intelectuais minoritárias (o mundo universitário que é tendencialmente Democrata), aos jovens, às minorias étnicas e aos poucos espíritos esclarecidos que lêem jornais e revistas como o "Washington Post" ou a "New Yorker" e que se concentram na área da New England que, coincidentemente, é a parte mais densamente povoada nos Estados Unidos.
E Obama agrada-nos a nós papalvos que não votamos nas eleições americanas mas que, com os nossos palpites, achamos que podemos intervir.

De certa forma até deveríamos se entendermos que a América é a metrópole de um império informal que nos coloniza hegemonicamente através do globalismo da cultura, do comércio e da diplomacia de guerra.
Venha aí, então, o Sr. Obama que, em rigor, terá sempre fortes probabilidades de superar o seu antecessor. (Pior é difícil).

19 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Anda um homem a matutar em fazer um brilharete e vem-me uma loira fazer isto!
Não perde pela demora, são só 24 horas ...

Uma análise escorreita e séria ao fenómeno Obama. Como bom advogado do demo, amanhã levantarei outras lebres.

DANTE disse...

Já há quem faça apostas sobre o calibre da munição que o vai destituir...
Esperemos que não se repita a história.

Jokas loira kum kanudo :)

Peter disse...

Nos meus comentários não costumo louvaminhar, mas não posso deixar de salientar a qualidade pedagógica do artigo, o que não é de estranhar.
Digamos que, depois de ver na RTP1 um documentário sobre as eleições americanas, este artigo é o seu complemento, ou vice-versa.
Venha então o senhor Obama, para meu descanso e tranquidade, profundamente abaladas pela crise financeira » económica e não obstante os comentadores salientarem o elevado número de pessoas que não respondem aos inquéritos, o que pode indiciar votantes que à boca das urnas "pensam branco" e votam em McCain.
Aguardemos também que o Sr Dr Ferreira Pinto (vingançazinha por me tratar por senhor) nos esclareça sobre os motivos que o levam a estar "de pé atrás" para com o candidato democrático.

UF!!!

Ferreira-Pinto disse...

Em tempo de crise, quando no mês de Setembro 80.000 americanos ficaram sem casa e durante o presente mês cerca de 265.000 foram notificados que as instituições financeiras iam accionar as respectivas hipotecas, Barack Obama delapidou ontem três milhões de dólares num anúncio de meia hora denominado “Histórias Americanas”.

O supracitado anúncio passou nas “majors” e em horário nobre.
Eu, se fosse norte-americano, teria ontem, estivesse indeciso ou não, decidido a votar em qualquer um dos candidatos que correm por fora, mas nunca em Obama face a tamanha demonstração de arrogância, opulência e triunfalismo.

Sintomaticamente, dentro do próprio Partido Democrata e em sectores que sempre se identificaram com Obama, existe um receio de que o dito norte-americano médio possa não reagir bem a esta mostra de poderio financeiro por parte da campanha.

“Histórias Americanas” intercala testemunhos de pessoas de todas as raças e profissões que contam as suas dificuldades das suas vidas com palavras de mudança de Barack Obama, que parece ser a única coisa que o candidato há muito consegue dizer. “Change …”, “change …”, “change …” …

Um momento particularmente brilhante surge quando a mulher do candidato, Michelle, vem explicar que o marido é um pai de família … porque telefona todos os dias para as suas filhas apesar da apertada campanha eleitoral!

PETER então? Foi apenas uma forma de demonstrar respeito e educação, mais nada caríssimo amigo.

O pé atrás ante Obama resulta um pouco de alguma falta de substãncia.
Embora, esclareça já que do lado de lá da barricada veja perigos ainda muito maiores!

Peter disse...

"PETER então? Foi apenas uma forma de demonstrar respeito e educação, mais nada caríssimo amigo."

Faz sentir-me mais kota...

"O pé atrás ante Obama resulta um pouco de alguma falta de substãncia. Embora, esclareça já que do lado de lá da barricada veja perigos
ainda muito maiores!"

Entre dois males, escolhe-se sempre o menor e se estou interessado no desfecho, é porque penso que apanhamos sempre por tabela.

Também reprovo o "novo-riquismo" de Obama mas, se fosse americano, daqueles que estão já vivendo nos seus automóveis por terem tido a casa penhorada, fechava os olhos quando votasse nele.

Ferreira-Pinto disse...

PETER nada disso ... sempre ouvi dizer que "kotas" são os trapos ... e o amigo velho não é. Basta ler o que o amigo escreve para ali ver vitalidade e juventude de espírito que quem dera a muito marreta.

Quanto ao voto, essa dos olhos fechados parece ser a solução.
Por cá já alguns engoliram sapos, por lá, às tantas, alguns um Obama.

Antes um Obama que uma Palin ... hum, ok, esta pode dar azo a interpretações dúbias :)

Também concordo que nos devemos preocupar com a eleição do presidente norte-americano pois a capacidade de influência dos EUA no Mundo ainda é de considerar.

O mesmo sucederia se a China fosse uma democracia ou, porque não dizê-lo, a própria Rússia!

António de Almeida disse...

Certo, que deu Lyndon Johnson que foi um excelente Presidente e aquele que mais fez progredir a causa dos direitos civis, contrariamente ao que as pessoas costumam pensar. Só que teve o azar histórico de ser o Presidente que sucedeu ao Kennedy, esse sim uma figura icónica de carisma (que, a nível governativo teve o sucesso que teve porque, lá está, tinha um Lyndon Johnson e tinha um irmão chamado Bobby - para mim a eminência política mais genial que os anos 60 produziram na América).

Apoio Obama quase desde a primeira hora, a princípio dividi as simpatias entre Obama e McCain, logo no início das primárias, mas rapidamente optei por Obama, embora considere que McCain poderia ser um bom presidente, sem Mrs Palin é óbvio. No entanto desde que me conheço sempre apoiei Republicanos, e isso acontece desde 1980 Reagan vs Carter, até 2004, sim em 2000 apoiei W contra o embuste Gore, em 2004 é que não poderia em consciência apoiar um imbecil como se veio a revelar W. No entanto terei de discordar da minha amiga no parágrafo que transcrevi acima, sim L. Johnson foi um excelente presidente, mas os irmãos Kennedy tornaram-se mitos por terem sido assassinados, ninguém poderá hoje saber o que teria acontecido sem os assassinatos, ou até talvez tenham estado na origem dos mesmos, as ligações perigosas com Sam Giancana, o desembarque fracassado na Baía dos Porcos, os negócios cubanos com Mayer Lanski e Santo Trafficante jr., o affair miss Monroe, e Bobby não estaria de mãos limpas em tudo isso. Afirmar quem foi o melhor presidente é injusto, até porque cada um viveu em circunstâncias históricas diferentes, admiro Ronald Reagan pela sua firmeza e por ter ganho a guerra fria, o fim do império do mal, a felizmente já extinta ex-URSS é uma dádiva para a Humanidade, daquelas que apenas acontecem uma vez na vida, mas não a teria conseguido sem M. Gorbatchov do outro lado da cortina de ferro. Existe demasiada expectativa em redor de Obama, julgo que será um bom presidente, melhor que qualquer um dos Republicanos que se apresentou nas primárias, excepto Ron Paul, mas aí já são as minhas convicções a falarem, nunca levei a sério a candidatura de Paul, agora que será muito díficil Obama corresponder á expectativa, nenhuma dúvida a esse respeito, precisamente por estarem demasiado altas a meu ver. Em relação ao que interessa por agora, julgo que Obama irá obter uma vitória história, podendo ganhar a Virgínia, Alasca (Palin pode perder em casa), Florida, Ohio, Pennsylvania, Novo México, Carolina do Norte, tudo estados que à partida não seriam prováveis.

pedro oliveira disse...

Eu se fosse "america" votava Obama.
Porquê, por uma questão de equilibrio,numa função como a de ser presidente deve haver capacidade de equilibrio deconseguir juntar os "cacos" e ter uma visão de futuro.Do que ouvi e li Obama tem essas caracteristicas que eu relevo.
PO
vilaforte

Carol disse...

Se fosse americana, não votaria em nenhum dos dois candidatos que se apresentam neste momento.
Sinceramente, nunca liguei muito à política americana, mas Bill Clinton espicaçou o meu interesse e, a partir dessa altura, procurei estar mais atenta.
Hillary era a minha candidata e seria nela que depositaria o meu voto sem a menor hesitação.
McCain nunca seria o meu candidato, mas depois de escolher Sarah Pallin então...
Obama soa-me a falso. Há muita opulência, muita arrogância, muita manipulação dos meios de comunicação e no uso da internet... Sinceramente, se fosse americana, votava em branco.

Carol disse...

P.S.: E, sim, BLONDIE, é sempre possível fazer pior do que o antecessor, mesmo sendo este o Bush...

João Castanhinha disse...

O que me apoquenta nesta estória é ter-se transformado uma campanha eleitoral numa "fashionable trend" e isso a modos que me irrita, especialmente por ter sido desenhada na sombra dos Kennedys e Martin Luthers, de "bitáites e soundbytes" que ouve apenas quem quer.

De resto maravilhoso texto Dra.:)

Zé Povinho disse...

Tudo indica que assim seja, mas ainda há que contar com o fenómeno Califórnia, que em caso de votação mais apertada, pode vir a repetir-se. Não creio que as mudanças sejam muito sensíveis, mas também acredito que será melhor do que Bush, senão seria uma desilusão absoluta e não abonaria nada a favor de alguém que quase todos reputamos de inteligente.
Abraço do Zé

Ferreira-Pinto disse...

Esta via-a na TSF e não resisto a transcrevê-la.

Apoiante de Hillary Clinton, Hezekiah David está agora rendido a Barack Obama, uma candidatura que este pastor metodista de Little Rock, no Arkansas, tem a mão de Deus.

«Do ventre de uma mulher branca, de pai africano, nasce um homem que está prestes a ir para a Casa Branca dos Estados Unidos. Isto é obra de Deus», afirmou este pastor que tem feito trabalho social na capital do Arkansas.

Este negro de 65 anos entende ainda que mesmo que Obama não seja eleito este já deu uma lição ao mundo, dado que se provou que quem trabalha no duro pode chegar muito longe.

«Mesmo que não venha a ser presidente, ele já teve um impacto significativo no mundo, uma vez que, como afro-americano ou de outra minoria neste país, prova que se se trabalhar e estudar muito pode ser-se o que se quiser», explicou.

Antes de apoiar Obama, este pastor confessou ter apoiado Hillary Clinton, uma amiga de longa data, que conhece há mais de 30 anos, e que classificou como uma «pessoa muito inteligente, muito carinhosa».

«Espero que o Bill e a Hillary usem a sua experiência política ao longo dos anos para aconselhar Barack Obama se ele se tornar presidente», concluiu Hezekiah David, que acredita que não terá oportunidade de votar para outro negro para a presidência dos EUA no resto da sua vida.


Sobre o que aqui se lê ficam duas notas: o apego e a crença que, com trabalho, tudo é possível (eu diria que quase tudo é possível) e a esperança que Obama solicite o apoio do duo Clinton, coisa que quase aposto nunca sucederá.

Por razões de estratégia e de necessidade de marcar posição.

Carla disse...

Venha o Sr. Obama e que mude a história dos EUA, tem todas as condições para isso
beijos

André Couto disse...

Cara Loira,
desejo profundamente que a sua pontaria para previsões não seja equiparável à do Prof. Zandinga.

Comungo da ideia da necessidade de uma vitória democrata nas eleições Norte-Americanas.

Podemos não saber se a luz no fundo do túnel é bom ou mau sinal. Pelo menos é um sinal.
Venha daí o Obama e que não dê cabo da esperença que nele é depositada.

Saudações.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não estou asim tão certo quanto à vitória de Obama. Não seria a primeira vez que uma vitória aparentemente folgada, se transformava numa derrota estrondosa.
O que essencialmente me faz torcer por Obama é a ideia de ver Sarah Palin chegar à Casa Branca. Para pesadelo já chegou o Bush!

lusitano disse...

Como já aqui uma vez disse que me é um pouco indiferente quem ganhe as eleições nos EUA, embora reconheça a sua influência no mundo em que vivemos.

Tirando James Carter e este Bush, que a meu ver foram duas nódoas como presidentes dos EUA, nunca vi assim tão grandes diferenças entre todos os outros, pelo menos no que nos respeita.

Se acho a Palin um "saco de vento", perigoso, também, não sei bem porquê, (chamem-lhe "feeling" se quiserem), me parece que Obama não será minimamente na prática aquilo que aparenta ser nos discursos.

Como diz um provérbio português:
«A ver vamos, como diz o cego»!

Abraço

Compadre Alentejano disse...

Para substituir Bush qualquer um serve, desde que tenha um mínimo de condições. Se for o Obama, tanto melhor.

Adoa disse...

Se eu tivesse de votar nas eleicoes americanas... Simplesmente nao votaria...

Acho ridículo todo este zunzum. Dá-se semasiada importancia, ou melhor, eles querem que sede essa importancia toda e nós vamos atrás.

Eu apenas nao votaria no Obama porque tem amigos com opinioes perigosas e será igual a todos os outros.

O McCain parece-me ser tao idiota ou até mais que o Bush... também tem a mania de que tudo se resolve com guerras...