O senhor EURO vai fazer anos!

Quintarantino - 06.05.2008

Aguarda-se com enorme expectativa o que a Comissão Europeia nos poderá trazer amanhã quando se comemora o décimo aniversário da decisão que fixou o nível das taxas de câmbio em relação ao euro das divisas de onze Estados-membros, entre as quais se encontrava o escudo português.
E digo aguarda-se com expectativa pois que são anunciadas propostas para melhorar o funcionamento da União Europeia e Monetária.

Sim, nós bem sabemos que o euro é uma moeda espectacular, que as notas também (embora eu, pelintra, tenha de confessar que assim “alive and kicking” só tive nas mãos das de 5, 10, 20 e 50), mas queremos mais. Muito mais.

Quero lá saber que em 2002 eu pagava 60$00 por um café e hoje pago 0,55€!
Ou que um jornal custe quase 200$00 em moeda de antanho; ou que andem por aí a vender sabonetes da ACH Brito a mais de 600$00; ou … ou … ou … digam-me lá, é de mim ou na troca do escudo para o euro alguém nos comeu de cebolada, fez de nós lorpas e aproveitou para arredondar uns preçozitos?

Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE) decidiram numa reunião em Bruxelas de 01 a 03 de Maio de 1998 lançar o euro em 01 de Janeiro de 1999 em 11 Estados-membros: Portugal, Áustria, Bélgica, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Holanda e Espanha.
Apesar de as notas e moedas em euro só terem sido introduzidos em 2002, a última fase (terceira) da União Económica e Monetária foi lançada em 1999 com as taxas de câmbio fixas e uma política monetária comum.

E assim se foi o escudo, embora eu (e todos nós) tenhamos ficado com recordações desses tempos: umas moedas e … os ordenados!
O resto, o resto é tudo à europeia!

3 comentarios:

joshua disse...

As más notícias chegam em catadupa. A Comissão Europeia prevê que os rendimentos das famílias portuguesas em 2008 vão ser pressionados pela inflação (que vai subir), por condições financeiras mais apertadas (juros mais altos e mais dificuldade na obtenção de crédito bancário) e pelas incertezas macroeconómicas, em particular o aumento galopante dos preços do petróleo e da alimentação (que devem crescer 39% este ano!)
Como resultado, Bruxelas prevê pelo terceiro ano consecutivo, desde 2006, que os salários reais venham a cair de novo, penalizando a generalidade dos trabalhadores. Se a isto juntarmos que Portugal é o segundo país europeu onde é maior a desigualdade entre ricos e pobres e que em 2009 passaremos de sétimo a nono país mais pobre da União, sendo ultrapassados pela Eslováquia e Estónia no "ranking" da riqueza por habitante (PIB per capita ajustado pelas paridades do poder de compra), ficamos com uma ideia clara das enormes dificuldades que atravessamos e de quanto temos de nos esforçar para ultrapassar esta situação.

Provavelmente, o que de mais grave tem acontecido em Portugal desde 2002 e que mais consequências dramáticas pode ter no futuro é a pauperização da classe média. E um país sem classe média é uma auto-estrada para o banditismo, a violência e a criminalidade. É sobre isto que têm obrigatoriamente de reflectir os governantes e os empresários: os primeiros porque têm conduzido uma política orçamental onde uma das pedras de toque foi o congelamento salarial durante três anos na função pública; os segundos porque as estatísticas mostram que, da riqueza produzida no país, cada vez é menor a fatia que cabe ao factor trabalho e maior a que vai para o factor capital.

E têm de reflectir pela prosaica razão que um país crescentemente desigual e sem segurança não atrai turismo de qualidade nem o de terceira idade que compra casas para passar uma parte do ano; não atrai quadros qualificados; e não atrai investimento. Ora isto é tudo o que Portugal não pode admitir. Se alguma vantagem comparativa temos, a segurança era, até agora, uma delas. Parece, contudo, estar a perder-se. As explicações podem ser várias (aumento da população nas zonas urbanas, desemprego crescente a afectar a população, em particular os imigrantes, etc.), mas convém não fazer como a avestruz e meter a cabeça na areia: a principal razão para o que estamos a assistir é o empobrecimento da classe média. Evitar que a tendência se torne irreversível deve ser o objectivo de todos os que querem viver num país onde se possa continuar a sair à rua sem medo de ser assaltado.

Última nota: o Estado tem de cortar as suas adiposidades. Mas convém fazê-lo com bom senso. Não é admissível que haja esquadras só com um polícia, que assiste impotente à agressão de um cidadão à sua frente. A ideia que passa é que o país está cada vez mais inseguro - e que a polícia não tem meios para combater o crime.

PALAVROSSAVRVS REX

Paulo Vilmar disse...

Quintarantino!
Aqui, o Euro é forte...Desbancou o Dólar, faz tempo.
Pena, que vejo, por aí, muita miséria, pois andei vendo uma estatística, onde apareciam 5 milhões de portugueses vivendo com renda inferior a 100 Euros.
Abraços!

Tiago R Cardoso disse...

Somos modernos, não somos?

estamos ali na cristã da onda, um euro forte em relação ao dólar, somos uma união, quer dizer ás vezes e avançamos cheios de força.

Pena que os preços sejam demasiado modernos para uns salários demasiado antigos.