Marketing em Nova Iorque "by" Teixeira dos Santos

Quintarantino – 07.05.2008

O progresso das Finanças Públicas, a reforma da Administração Pública e os avanços no governo electrónico são os 'pontos fortes' de Portugal que o ministro das Finanças apresentou ontem a investidores institucionais norte-americanos.

Ora cá está um caso em que estou de acordo com Teixeira dos Santos.
É que pelo menos sempre se revela mais ajuizado que o seu colega Manuel Pinho.
Falou de coisas positivas.

A não ser que no Governo haja uma táctica para se ter um discurso conforme as audiências.
Se é em Nova Iorque vai o Teixeira, em Pequim o Pinho!

Na altura critiquei o Pinho pela atoarda, hoje agradeço a Sócrates tê-lo mandado abrir a boca. A gente lá quer chineses a investir aqui e a pôr-nos a produzir terylene e poplyne outra vez!

3 comentarios:

Carol disse...

Tanto abrem a boca, que algum dia havia de sair alguma coisa de jeito!

joshua disse...

Num dos livros de referência para hordas de economistas, Paul Samuelson apresenta um exemplo clássico para explicar que os recursos são finitos e a política económica tem de fazer opções, com as consequências inerentes: se se desviam para produzir canhões, a economia produz menos manteiga. Ora na candente questão da subida dos preços alimentares, cujos gráficos juntos ilustram e tão dramaticamente encenada pelo presidente do Banco Mundial, Roberto Zoellick, que abriu a sua conferência de imprensa segurando numa mão um pão e noutra um pacote de arroz, o que está em causa não é o combate à pobreza, mas saber quem deve pagar a factura para travar e inflectir o custo de bens essenciais para as populações, sem o que explosões sociais em vários países serão só uma questão de tempo.

Há consenso em relação a algumas causas e, como escreveu recentemente Paul Krugman, a resposta está numa combinação de tendências de longo prazo, má sorte - e más políticas. No primeiro caso, temos a subida do poder de compra em vários países emergentes, que coloca os seus cidadãos em condições de começarem a levar uma dieta alimentar igual à dos ocidentais, aumentando a procura e, logo, pressionando a subida dos preços agrícolas. Além disso, o segundo maior exportador mundial de trigo, a Austrália, há dois anos que passa por uma seca prolongada, que está a atingir severamente os seus níveis de produção. E depois a subida do petróleo conduz também à pressão altistas dos preços alimentares, já que nos principais produtores mundiais de cereais, as explorações mais modernas utilizam energia de forma intensiva, desde fertilizantes a tractores. Se a energia utilizada custa mais, o produto final é, obviamente, mais caro.

Contudo, a questão torna-se uma disputa política feia entre países ricos e emergentes quando se analisa a responsabilidade da produção do etanol e de outros biocombustíveis, mediante a utilização de milho ou cana de açúcar, na carência de bens alimentares a nível mundial, com a correspondente subida dos preços.

Krugman sustenta que é errada a ideia de que a transformação de cereais em energia promoveria a independência energética e ajudaria a limitar o aquecimento global, como é particularmente evidente no caso do etanol de milho (produzido nos Estados Unidos): a produção de um litro de etanol de milho utiliza mais energia do que aquela que esse mesmo litro contém. Acrescenta contudo que mesmo aquelas que aparecem como 'boas' políticas de biofuel, nomeadamente a do Brasil, aceleram o passo das mudanças climáticas, ao promoverem a desflorestação - e a terra usada para produzir os cereais destinados a biocombustíveis é terra não disponível para produzir cereais para alimentação. O director das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, Jean Zigler, carregou nas tintas, ao sugerir que o cultivo em massa destinado aos biocombustíveis, reduzindo a área destinada à produção de alimentos, configura um crime contra a Humanidade devido ao impacto no preço dos bens alimentares.

A resposta, dura, veio do Brasil, que produz álcool de cana há mais de trinta anos e diz não só conseguir alimentar toda a sua população, como aumenta anualmente os excedentes exportáveis, subindo a sua participação no comércio internacional de carne, açúcar, sumos e grãos. Mas a ActionAid, uma organização não-governamental, também veio dizer que o avanço dos biocombustíveis no Brasil concorre com a produção de alimentos e aumenta os riscos de fome no país, tendo entre 2004 e 2006 havido um aumento da área plantada de 545 mil hectares de cana de açúcar e a redução de 1,3 milhões na área destinada a outras culturas.

O presidente brasileiro Lula da Silva respondeu a Ziegler na 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO), dizendo que o "o verdadeiro crime contra a Humanidade será descartar "a priori" os combustíveis e relegar os países estrangulados pela falta de alimentos e de energia à dependência e insegurança" e que o proteccionismo dos países ricos, em particular da União Europeia, e os subsídios são os grandes responsáveis pelas distorções no comércio dos produtos alimentares e não os biocombustíveis.

Ou seja, perante os gravíssimos problemas que o planeta azul enfrenta, aquilo que se assiste é uma troca de acusações para saber quem é o responsável pelo estado a que se chegou e quem vai ter de pagar a factura, em vez de se optar por trabalhar em conjunto para encontrar soluções. O que vem dar razão a um tradicional provérbio português: em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão.

PALAVROSSAVRVS REX

Tiago R Cardoso disse...

Gostei da perspectiva, pelo menos ainda alguém no governo pinta o cenário como deve ser.

Diga.se o que se disser do Sr. Sócrates e do seu governo, mas em algumas rareas, como é o caso do governo electrónico e a aposta na tecnologia, estão bem conseguidas.