E se a classe média acabar?

Quintarantino - 05.05.2008

“Low Cost – O Fim da Classe Média” é um livro (da Teorema) onde se afirma que a economia global está a acenturar o fosso entre os ricos e os pobres e, consequentemente, a levar àquilo que já muitos de nós sabemos: o fim da classe média.

Para Massimo Gaggi (jornalista do “Corriere della Sera” em Nova Iorque) e Edoardo Narduzzi (empresário das novas tecnologias) a classe média foi a responsável pelo “baby-boom”, Estado Social e à produção em massa, mas hoje, apesar do seu inegável contributo à riqueza das nações, está condenada. É como os dinossáurios.

No livro falam do surgimento de uma enorme mole sem contornos definidos, com rendimentos médios ou baixos, que deseja consumir mais e agora tem acesso a bens e serviços outrora apenas reservados aos mais abastados.

Segundo refere o jornal “Público” - O FIM DA CLASSE MÈDIA?“os autores advertem que a tendência do fim da classe média será potenciada no futuro com o aumento do poder de compra em países como a China, Índia, Brasil, Rússia, Turquia e África do Sul. E explicam quais serão as suas consequências, por exemplo, ao nível da falência do modelo de Estado Social e das políticas sociais dos Governos e das empresas”.

Não se sabe ao certo o que o futuro nos reserva, mas pelo caminho que as coisas levam não se augura nada de bom.
Independentemente do que se possa pensar, está provado que os tempos que correm não só são estranhos, como aparentemente pouco dados a lidar com os fenómenos que aprendemos a ver apodados nas novelas do “Globo” de “gente suburbana”!
Até quando é o que estamos para ver.

12 comentarios:

antonio disse...

Tretas de jornalistas vendidos! Os estados evoluídos continuam a apostar na sua classe média como factor número um da sua competitividade. Nenhum país sobrevive com miséria e fome, embora isso seja fundamental para alguns empresários financiadores da imprensa mundial.

Mais do que um modelo de sociedade, precisamos de reinventar o tipo de jornalismo que temos.

Em breve teremos o Belmiro a comprar arroz a 10 cêntimos e a vender a 10 euros poruqe nos enfiaram uma treta qualquer sobre fome mundial!

António de Almeida disse...

-Subscrevo inteiramente uma frase, "não se sabe o que o futuro nos reserva", aliás nunca se sabe, existem muitas variantes capazes de influenciar e condicionar os povos, foi assim ao longo da História, continuará a sê-lo. As classes médias nunca poderão desaparecer, fala-se na globalização, mas esta só existe enquanto existirem consumidores, e estes por sua vez só existem enquanto existir poder de compra. Agora estou de acordo que a Europa pode perder tudo o que construiu ao longo dos séculos, se continuar agarrada aos seus dogmas, daqui a uns anos ficará com os seus sistemas sociais, as suas políticas, mas sem dinheiro para as implementar, o mundo entretanto vai-se deslocalizando para outras paragens, e talvez no final deste século a Europa tenha ocupado o lugar da América Latina, que China, Malásia, India e Brasil, a par do Japão, Austrália, Canadá, Rússia e claro EUA, dominarão a economia global. A Europa toda talvez não, que a ilha saltará fora, e a escandinávia e Alemanha farão correções ajustando-se, a pobreza ficará para os países do Sul. É a vida, ficaremos com a razão moral de termos sonhado com sociedades justas, mas ficaremos pobres, enquanto outros...

O Guardião disse...

Segundo nos diz a História, foi sempre a classe média que impulsionou o crescimento económico e a inovação das civilçizações, pelo contrário quando esta classe perdia a sua importância e peso específico a nível social e político, as sociedades definhavam e perdiam toda a sua punjança. Será que alguém terá reparado nisso?
Cumps

Dalaila disse...

eu tenho duvidas que não tenha acabado já.... estamos mesmo como o Brasil, com tendência sempre a piorar

Carol disse...

Olha, e eu a pensar que a classe média já era... Afinal, ainda resiste, segundo os autores. Resta saber até quando...

mAmAdA_mAn disse...

WWW.MOTORATASDEMARTE.BLOGSPOT.COM

Fa menor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Blondewithaphd disse...

Hmm, apesar de sentir as barbinhas a arder, acho que a classe média ainda se vai manter. E oxalá mesmo!

Tiago R Cardoso disse...

Acredito que vamos a caminho de extremos, muito ricos e pobres, poderá de facto a classe media desaparecer, se é que existe ainda.

Marcos Santos disse...

Eu penso que a classe média tende a aumentar em número de indivíduos e diminuir em termos de renda. Sendo assim será maior e mais fraca.
No Brasil está ocorrendo um fenômeno em que as classes mais baixas estão ascendendo às camadas inferiores da classe média, aumentando sua base, no entanto os extratos da camada superior estão caindo, engordando a faixa inferior. O volume de indivíduos aumenta, mas a renda cai.

Falcão disse...

Ao ler o artigo e suas conclusões, bem como a crítica de Jaime Fidalgo, fica-nos um certo amargo de boca quer por afirmações do próprio estudo, quer por conclusões no mínimo enviesadas e de alguma ligeireza de análise por parte do jornalista. E vejamos porquê.


Quanto ao estudo em sí, ele faz uma correcta descrição da génese do que se considerou «classe média» até ao início da «globalização», bem como das mais valias que a mesma acarretou para o desenvolvimento dos países desde a revolução industrial. A constatação de que a economia global está acentuar o fosso entre os mais ricos e os mais pobres é evidente, assim como a actual composição destes estratos sociais mas já se me afigura desajustado afirmar que tal facto estará (necessàriamente) a assinar a certidão de óbito da classe média.
É claro que uma imensa massa de pessoas que outrora não tinha capacidade financeira para usufruir de bens e serviços normalmente considerados mais ao alcance dos mais abastados anseia e consegue obtê-los hoje, mas à custa do extraordinário aumento de concessão de crédito por parte da «banca» e à difusão perfeitamente generalizada dos cartões de crédito.
E é conhecido o nível de crédito mal parado com que o bancos se têm de debater hoje em dia, a quantidade de famílias endividadas até ao último cêntimo e o aumento exponencial de leilões de habitações cujas prestações não foram pagas em devido tempo. A actual crise mundial, para além da do petróleo, tem por base todo este processo de crédito de alto risco concedido nos EUA para compra de habitações por parte de quem não tinha condições para tal.
Isto faz com que não seja verosímel crer no poder de uma dita massa indistinta de pessoas com médios ou baixos salários a exigirem "qualidade" nos produtos.
Tanto mais que as empresas apresentadas como exemplo de "qualidade a baixo custo" são simplesmente de "baixo custo". A título de exemplo, a RYANAIR é uma empresa do transporte aéreo que se designa a sí própria de "Low Cost" e sem outras pretensões que não sejam permitir o transporte do maior número de passageiros por voo, com separação entre filas exígua, com um serviço de bordo caracterizado por refeições tipo snack do mais espartano possível, com um serviço de handling subcontratado a preço de saldo e com voos regulares sòmente em linhas de grande afluxo de turismo barato.
Considerar o IKEA outro exemplo de "qualidade a baixo custo" é outro sofisma. O IKEA caracteriza-se a si próprio pela inovação, o modernismo e esencialmente pelo "Low Cost".
Quanto ao Wal-Mart, só por piada e quem nunca entrou num dos seus armazéns pode considerar existir "qualidade" nos seus produtos.
Apressado em comentar "ao de leve" o estudo em causa, Jaime Fidalgo perdeu a oportunidade de referir e talvez dizer ao nosso (des)governo que, tal como então, o progresso não nasce de um nivelamento «por baixo», mas sim da criação de condições que propiciem o aproveitamento dos mais aptos para serem os motores da mudança imposta pela globalização a um País sem recursos naturais, que não produz o que come, que exporta essencialmente produtos de baixo valor acrescentado, que não consegue incorporar inovação na maior parte dos produtos que produz e que, nem no Turismo aposta na qualidade em vez da quantidade. Vejam-se os packs de turismo para o Algarve comprados em Inglaterra que permitem a qualquer inglês "de meia tigela" viajar na Ryanair e passar uma semana no nosso País com tudo pago, incluindo pensão completa, por pouco mais de 300 euros!
Para finalizar gostaria de dizer ao jornalista Jaime Fidalgo que a realidade tem mostrado que o Porter que conheço, aquele ao qual foi encomendado um estudo sobre oportunidades para a nossa economia e que disse esta coisa espantosa - exportem os vossos produtos tradicionais, mas com incorporação maciça de "qualidade" e para nichos de mercado precisos, continua a ter razão. Na altura, alguns dos nossos aprendizes de «carreirismo político» riram-se, talvez porque a tradicional mania das grandezas dos portugueses os fazia crer que bastava uma discussão de café e o assunto estava resolvido!
Caro Sr Jaime Fidalgo, já que de produtos sem qualidade e a baixos preços já temos o País invadido graças às lojas chinesas, acredite que nos faz falta a "diferenciação" de Porter, a qual implica "qualidade, valor acrescentado para grupos de consumidores exigentes. Ok ? E "consumidores camaleões" são consumidores que se não deixam «fidelizar», mudando constantemente de fornecedor. Os seus camaleões, que viajam em executiva quando vão em trabalho e em "low Cost" quando vão em família, normalmente podem ter quatro nomes - "Quadros de empresas", "Altos Funcionários da Administração", "Deputados" ou "Membros do Governo". Alguns destes últimos até têm amigos com jacto particular que os convidam para umas férias nas suas casas!!!

Publicada por Falcão em 22:53 em tretadepais.blogspot.com

jaime disse...

Olá Falcao e demais autores de comentários ao meu texto do Publico. Gostei de ler os vossos comentários e aprendi muito com as criticas. Queria só precisar que muitas das opiniões que me foram atribuídas são na realidade dos autores. São eles que consideram que a classe média vai acabar devido ao crescimento do fosso entre ricos e pobres. E são eles que qualificaram a Ryanair, IKEA, WalMart, etc, como simbolos da sociedade low cost. Pessoalmente acredito que os dois fenómenos coexistem. Há, de facto, um crescimento do número de milionários e a pobreza persiste. Mas ao mesmo tempo que o fosso entre eles aumenta, creio que a enorme massa do meio - "a classe média" - está também a aumentar e não a definhar como sustentam os autores. Quanto à segunda parte da critica gostaria de sublinhar que considero Michael Porter o maior pensador vivo da História da Gestão (após Peter Drucker). Tive a sorte de o entrevistar em Harvard, sou fã do trabalho dele, estudei-o a fundo na universidade e acompanhei de perto o estudo que a sua consultora fez em Portugal (editei o estudo na integra na revista Exame, cujas conclusões foram aliás muito mal entendidas pelo poder politico). Não obstante concordo com quem sustenta que hoje a dictomia entre qualidade (diferenciação) e baixo preço (low cost) está obsoleta. As empresas têm de oferecer ambas. Hoje os consumidores estão mais exigentes e informados. As decisões de compra são cada vez mais racionais e movidas pelo "value for money". O Ipod é um exemplo de oferta de diferenciação (em termos de design e branding) que apesar, da inovação tecnológica, tem um preço competitivo. A tese dos "consumidores camaleao" foi desenvolvida por autores como o francês Bernard Dubois. Talvez o exemplo da viagem de avião não seja a mais feliz. No fundo, o autor defendeu a ideia (da qual é dificil de discordar) que hoje em dia as pessoas tomam decisões de compra que baralham os estudos de mercado. As mesmas pessoas de classe alta que vão ao Corte Ingles comprar uma mercearia de luxo podem fazer logo a seguir as compras do "mês" no Lidle. No sentido inverso pessoas de classe media-baixa usam roupa de marca que compraram no outlet ou fazem uma qualquer extravagância consumista, devido à facilidade de crédito de que justamente falava Falcao. Tais exemplos servem, por isso, para rebater a ideia expressa pelos autores que a globalização está a matar a classe media. Pelo contrário eu penso que a classe media esta a alastrar em todo o mundo e no futuro essa tendência será ainda mais evidente com a ascensão economica da China e India. Só que os textos que assino no Público não são de opinião. O meu papel é, sobretudo, o de comentar e resumir as ideias dos autores (não as minhas). Em suma, as conclusões que eu tirei podem obviamente ser enviezadas. Mas espero que este texto tenha servido para provar que não houve ligeireza na análise. Apenas manifesta falta de espaço. Disponham sempre. Sté breve, Jaime Fidalgo