Sentado no vagão de mercadorias...

Muito bem dito, concordo com frase… "Não quero que Portugal fique para trás na alta velocidade europeia", da autoria de José Sócrates, Primeiro-Ministro.

Como José Sócrates, também eu não quero que Portugal fique para trás em relação à Europa, quero e desejo que este país progrida e se equipare à alta velocidade europeia, se não a toda a alta velocidade, pelo menos que seja parecida com a de alguns países.

Portugal está a ficar para trás, está a ficar para último neste comboio europeu, onde os grandes avançam rapidamente e em força, em classe executiva e em primeira classe, enquanto nós já há muito tempo que já nem vamos na classe económica… vamos é já no vagão de mercadorias e sentados em cima de um caixote vazio.

Mesmo assim, conforme José Sócrates disse, temos de acompanhar a alta velocidade europeia, temos de nos modernizar, acreditar que podemos chegar e atingir a velocidade dos países mais bem colocados.

Teixeira dos Santos, revisor da carruagem portuguesa, afirma que " a economia portuguesa está, agora, mais preparada para enfrentar a crise económica internacional".

Neste caso tenho sérias duvidas, parece-me que o Senhor Teixeira dos Santos, não reparou que a maioria dos portugueses viaja sem bagagem, muitos dificilmente tem dinheiro para comprar o bilhete, quanto mais dinheiro para malas.

Até aqui tudo bem, isto se José Sócrates estivesse a falar de economia, se estivesse a falar de tentar modernizar o país e lutar para atingir a média europeia, de deixarmos de estar na cauda da Europa.

No entanto, o PM, falava de mais uma obra de regime, falava do TGV, essa é que é a grande velocidade a que se referia, nessa é que vão ser investidos uns "pornográficos" valores em milhões e milhões de euros, essa é que vai aproximar Portugal da Europa.

Por isso, como disse no início, concordo inteiramente com a frase, mas discordo e oponho-me ao sentido dado pelo Senhor Sócrates.

16 comentarios:

mac disse...

Costuma viajar algumas vezes no Alfa Pendular. O Alfa pára em todas as estações que o Intercidades também pára, e a velocidade a que viaja fica muito aquém da velocidade máxima. O único troço em que passa os 120 km, é o troço compreendido entre Santarém e Coimbra. Em vezde se gastar um balúrdio no TGV, porque não rentabilizar o Alfa, já que tem todas as condições para isso?

António de Almeida disse...

-´Concordo em absoluto com o MAC, só faria sentido apostar no TGV caso o Alfa estivesse esgotado nas suas potencialidades. Mesmo que admita em tese, a necessidade de ligação de Portugal á rede europeia de alta velocidade, então faria sentido apostar apenas nas ligações Porto-Vigo, e Lisboa-Madrid, agora Lisboa-Porto, com paragens em Rio Maior, Leiria, Coimbra e Aveiro pelo menos, expliquem-me como será possivel atingir uma alta velocidade.

Dalaila disse...

Não me parece um investimento interessante, mas se for será apenas para os europeus, os portugueses não terão dinheiro para viajar nessas carruagens à velocidade da luz

Manuel Rocha disse...

Sobre os seus comentários quanto ao TGV, estamos solidários Tiago.

Fica-me é uma dúvida. Quer dizer que temos por adquirido que a economia e as várias "médias" europeias são um bem em si mesmas e que por conseguinte são um paradigma inquestionável ?

quintarantino disse...

Andas tu aqui a discutir comboios e carruagens, e a Nação abalada pelo terramoto que foi a demissão do Luís Felipe Menezes!

Carol disse...

Ó homem, eu a pensar que tu nos ias brindar com uma ironia ao cataclismo vivido esta noite no PSD e tu vens-me com a história dos comboios de mercadorias?!

Agora a sério. Nós nunca saímos desses vagões mais desconfortáveis e sem condições, nem o vamos fazer nos tempos mais próximos. A culpa não é de Sócrates, apenas. A culpa é de todos os governantes e políticos que estiveram no poder nos últimos 32 anos.

indomável disse...

Quint, vá lá que foi esse o terramoto e não a vitória do Sporting sobre o Benfica...
Aí foi mais um caso de luto nacional, certo?

Quanto ao TGV Tiago, mais uma vez me vou repetir nestas coisas e quando me leio ou ouço pareço aquela senhora que está sempre a repetir - no meu tempo - ou a avó que conta sempre a mesma história de cada vez que está com o neto...
Os políticos e não só, em Portugal, vivem da imagem, o conteudo pouca importância tem. Assim se explica que tenhamos um pais depauperado, familias desgastadas por falta de tempo, de ligação entre os seus membros, temos empresas exauridas de recursos, quer físicos quer humanos e toda uma economia que se regula pelo que existe lá fora e não vê o que se passa cá dentro.

Olhem, vou dar-vos um exemplo de como em Portugal se faz tudo olhando para o lado, como um aluno cábula que quer copiar tudo sem perceber primeiro o que copia.
Faço parte da Direcção de uma Associação de Solidariedade Social do interior do país. As zonas rurais são sempre muito destituidas de tudo, sobretudo no que diz respeito à protecção da terceira idade. Todos ouvimos há uns anos os meios de comunicação social darem conta do fecho de imenso número de lares para idosos por falta de condições - as condições impostas pela Segurança social que copiou, ou melhor, introduziu as normas da União europeia. Acontece que a Segurança social quando transpõe a norma europeia, para ser bem vista pelos parceiros, impõe regras ainda mais rígidas que as reguladas pela norma europeia.
Assim, aos lares fechados não foram introduzidas alternativas, porquê? Porque nenhum dos que ficaram abertos tinham vagas para os idosos que ficaram sem lugar e não haviam mais instituições com possibilidades de criar as condições impostas pela segurança social.
A Instituição da qual faço parte foi aberta com a figura do Centro Comunitário. Para quem não saiba, esta valência serve para unir a comunidade em torno de um ponto central, onde as familias se dirigem nas horas mortas para se conhecerem. Ora só os senhores de Lisboa podem pensar que uma valência deste género serve num centro rural, onde as pessoas não precisam de um ponto de encontro para socializar. O Centro comunitário foi de uma falência total em Portugal, porque as normas europeias foram transpostas com tanta rigidez pelos senhores em portugal que não é possivel levá-las a cabo. O aluno quis ultrapassar o professor e espalhou-se ao comprido.
Assim, a Instituição candidatou-se a um programa de subsidio comunitário para criação de um lar e de um infantário... acontece que as prioridades nacionais não foram da terceira idade, que é tão bem tratada em Portugal, foi da primeira infância, que é um fenómeno crescente no país. Assim, foi aceite apenas a candidatura do infantário. Acontece, meus amigos, que a verba atribuida à instituição era para a ampliação do edificio existente, mas... existe sempre um mas que nos lixa não é? mas impuseram alterações ao restante edificio, alterações tão importantes que a verba que a instituição teria de avançar ultrapassava em larga escala a verba dispendida pela segurança social... os valores não foram nem serão revistos...
Em reunião de Câmara para tentar ultrapassar este problema, foi-nos dito que no municipio foram aprovadas 6 candidaturas a infantários, dessas 6 se forem 2 para a frente será um milagre, porque todas as candidaturas prevêm alterações de valores astronómicos a que a segurança social não ajusta os valores que contratou.
Concluindo e resumindo, os senhores de Lisboa primeiro contratam o apoio e depois impõem alterações cujos valores suplantam exponencialmente os valores contratados e as instituiç~ioes que se arranjem...

Ora digam lá se isto não é querer ser mais papista que o papa?

Soube do caso de uma instituição rural que no primeiro ano de funcionamento tinha mais pessoal a trabalhar que utentes e todos eles eram exigidos pela segurança social, sob pena de fecho de portas...

Meus amigos, a meu ver, enquanto os nossos politicos não se convencerem que não basta olhar para o lado e tentar copiar, que têm de olhar de frente para o que têm na mesa, conhecer por dentro a nossa realidade, saber as nossas caracteristicas internas e depois então olhar para o lado... enquanto isso não acontecer, vamos andar a correr atrás, vamos tentar sempre sem conseguir!

Precisávamos de um terramoto sim, mas de mentalidades, de ideias e isso é que eu não vejo acontecer tão cedo... as palas são demasiado compridas!

antonio disse...

Não faz mal, apanhamos o próximo comboio...

Carol disse...

Este humor lapidar do António mata-me!

Compadre Alentejano disse...

Enquanto Portugal usou os lºs fundos europeios para fazer auto-estradas, a Irlanda usou os mesmos fundos para desenvolvimento, e só depois é que fez as auto-estradas. Resultado: a Irlanda está a anos-luz desta parvalheira.
Com o desenvolvimento da aviação, o TGV faz algum sentido? Para mim, não!
Um abraço
Compadre Alentejano

Silvia Madureira disse...

Olá:

se for possível passa no meu blog.

obrigada

Zé Povinho disse...

Caro Tiago
O nosso 1º(como me custa dizer isto) estava a falar dum comboio para trazer os espanhois ao fim de semana a Portugal e transportar os turistas que viajem de avião até Alcochete, para a capital.
Ele falou em portugueses? Se calhar nem para a construção, porque há mão-de-obra mais barata, e como o trabalho é lá para o interior, também não haverá nenhuma inspecção do trabalho.
Bom fim de semana
Abraço do Zé

Miki disse...

Afinidade…
Não é sentir, nem sentir contra…
Nem sentir para…
Nem sentir por…
Nem sentir pelo…
Afinidade é sentir com!

Um fim de semana cheio de alegria e harmonia.
Beijo

Fa menor disse...

Tiago,
a Net fugiu-me...
agora o comboio, bem... nem no vagão de mercadorias lá vamos!

Fa menor disse...

Ah!
mas estou a ver por aqui uma contagem decrescente...

LUIZ SANTILLI JR. disse...

OBRAS, MAIS OBRAS, E TOME OBRAS...

É a forma mais fácil do dinheiro ir para o bloso dos políticos!

Conta-se que o Secretario informou ao Presidente que havia chegado uma Comissão (para uma reunião com o tal Presidente).
O Presidente perguntou:
-"É em grana viva? Euros ou Dólares?"

É O FIM.