Notas Emprestadas

Mais uma vez e dando sequência à divulgação, cooperação com outros autores e projectos, o NOTAS SOLTAS avança com mais umas Notas Emprestadas.
Mais um texto de um amigo, que acompanhamos e lemos há muito tempo, António de Almeida.


Corria o ano de 1995, já tinha visto uns quantos indivíduos pousarem vaidosamente tal aparelho em balcões de bares ou mesas de restaurantes, alguns mesmo conversando enquanto andavam na rua, ou conduzindo a sua viatura.

Nada semelhantes àquela espécie de mala que muitos carregavam, de utilização pouco prática, para cúmulo, bastante dispendiosos, nos quais alguns amigos investiram dinheiro, apenas 2 ou 3 anos antes.

Mas quase de um dia para outro, multiplicaram-se aqueles aparelhos.

Todos queriam ter o seu, não seria eu a ficar para trás, para cúmulo dois amigos e colegas de trabalho quase em simultâneo adquiriram-nos, era demais para mim, e era também final dum mês, não me recordo exactamente qual, pelo que acabado de receber o vencimento, não hesitei ou pensei duas vezes, era 6ª feira, final de tarde, entrei no C.C.Amoreiras, adquiri o meu primeiro, e até hoje único pago com o meu dinheiro, telemóvel.

Naqueles dias devo ter parecido um tonto, qualquer disparate servia de pretexto para efectuar uma chamada, não existiam na época tarifários pré-pagos, recebi a primeira mensalidade, 56 contos na moeda antiga, depois a segunda, mais 38 contos, até que gradualmente a coisa entrou na normalidade.

Passado algum tempo distribuíram-me um telefone de serviço, e depois outro, vieram os SMS’s, mais um sem número de avanços tecnológicos, os aparelhos actuais têm uma capacidade de armazenamento e processamento de dados infinitamente superior aos daquela época, incluindo ainda um sem número de funcionalidades, desde jogos a máquinas fotográficas, mas já não conseguem obter um décimo do encanto, do fascínio pela descoberta das inúmeras possibilidades que a simples posse daquele objecto representava nas nossas vidas, alterando-as por completo.

Para cúmulo, hoje em dia este aparelho irrita-me um pouco, sempre que tenho oportunidade, desligo-o!

Autor : Antonio de Almeida - Direito de Opinião

13 comentarios:

quintarantino disse...

Eu gosto mesmo é daquele pessoal que compro o NOKIA modelo não sei quantos, com câmara fotográfica com não sei quantos megapíxeis, vídeo, leitor de MP3, toques reais e polifónicos, gasta uma pipa de massa no brinquedo e quando, num restaurante, por exemplo, atendem o telefone, mais parecem o glossado "negro com o rádio de pilhas" do Rui Veloso.

O verniz da alegada civilidade desaparece e elevam a voz a não sei quantos decibéis ... outros, deixam o "cacarelho" ficar ali a tocar, a tocar com toques do mais irritante que há ... de grunhidos de porcos a mugidos de vacas há de tudo!

O bicho é útil, desde que não nos tornemos seus escravos.

Aqui o comentador, por exemplo, tem um NOKIA (isto é para ver se os tipos me dão algum ...) usa-o com parcimónia e dá-lhe abundante descanso nocturno, de fim-de-semana e quando em férias!

Blondewithaphd disse...

Coisa rara a Blonde comentar a estas horas (é o que dá muito trabalho).

Pois, eu nunca fui muito à bola com telemóveis e nunca comprei nenhum apesar de já ter tido um cento dessas máquinas infernais. Dão um jeitão!! Mas detesto-as, figadalmente. Nem a primeira me encantou! E mudar de telemóvel deixa-me doente uma semana. O último que me deram andou esquecido cá por casa até que eu me decidisse que era hora de aceitar a realidade da mudança.

E mais, tenho ganas de morte a quem usa telemóveis com toques de canções bimbas, quem põe música parva no sinal de espera, quem deixa o bicho ligado na Missa, nas aulas, nas reuniões, wherever!

Ó praga!

quintarantino disse...

Ops ... vou já tirar o "ringding" ...

Sniqper ® disse...

Fantástico...
Muito bom este texto, uma história para recordar e ao mesmo tempo provar que Portugal continua 50 anos atrasadinho!
Para completar a explicação sobre telemóveis passo a transcrever a sua evolução.

A invenção do telemóvel ocorreu em 1947 pelo laboratório Bell, nos USA. É um aparelho de comunicação por ondas electromagnéticas que permite a transmissão bidireccional de voz e dados utilizáveis numa área geográfica que se encontra dividida em células, de onde provêm a nomenclatura celular, cada uma delas servida por um transmissor/receptor.
Há diferentes tecnologias para a difusão das ondas eletromagnéticas nos telemóveis, baseadas na compressão das informações ou na sua distribuição.
Na primeira geração (1G), a analógica, desenvolvida no início dos anos 80, com os sistemas NMT e AMPS.
Na segunda geração (2G), digital, desenvolvida no final dos anos 80 e início dos anos 90 GSM, CDMA e TDMA.
Na segunda geração e meia (2,5G), uma evolução à 2G, com melhorias significativas em capacidade de transmissão de dados e na adição da tecnologia de pacotes sem a comutação de circuitos, presente nas tecnologias GPRS, EDGE, HSCSD e 1xRTT. Na terceira geração (3G), digital, com mais recursos, em desenvolvimento desde o final dos anos 90, com UMTS e cdma2000.


Depois claro a febre pegou, o telemóvel era parte do corpo humano, como um brinquedo nas mãos de uma criança. Foi fazendo parte do nosso quotidiano e hoje é um pesadelo, dizem uns, outros não vivem sem ele e alguns utilizam o dito cujo como uma ferramenta que de utilidade tem só uma, COMUNICAR!

antonio disse...

Desligar? Nunca, quando muito em silêncio...

Compadre Alentejano disse...

Antigamente (há 12 ou 13 anos) era ridículo ver algumas pessoas com autênticos tijolos às costas, ou quase.
Hoje, é igualmente ridículo os toques que alguns têm no telemóvel. Falando com um amigo psicólogo, ele disse que consegue, através do toque, caracterizar o seu possuidor.
Por mim, tenho um NoKia vulgar, TMN e, geralmente, pago 9,99 € por mês, por assinatura. Não quero mais...
Um abraço
Compadre Alentejano

O Guardião disse...

Recuso-me a ceder à escravatura a que esse aparelho me condena, mas tenho que me submeter à sua tirania quando me ausento de casa ou do escritório.
Só uso quando é inevitável, e prefiro os mais simples e com maior autonomia, mas depois de um toque no carro, passei a querer um com câmara fotográfica, que afinal até pode ser útil.
Cumps

lusitano disse...

Devo confessar que me parece que passava melhor se tal objecto não tivesse sido invintado, mas que dá jeito em certas coisas, lá isso dá!
O problema é que os telemoveis estão a caminhar no mesmo sentido das águas e outras coisas!
Explico:
Não vêem como vai sendo dificil comprar uma água que "saiba" a água, ou seja, que não tenha sabor...
Ele há-as com sabor a figo, laranja, morango, etc, etc dificil é ..."sabor"a água.
Com os telemoveis é mais ou menos amesma coisa, "mal-acumparado" como se diz na minha terra.
Há-os com máquina fotográfica, com MP3, 4, 5 e sei lá mais que números, com ligação á net, com toques disto e daquilo...
Dificil mesmo é um que só faça e aceite chamadas telefónicas normais!
Já sei que essas coisas dão muito jeito, que não a mim, mas que querem, tinha que escrever alguma coisa!!!!

Tiago R. Cardoso disse...

Antonio Almeida
Obrigado pela tua participação.

Eis um a aparelho que uso só com uma única finalidade, que é comunicar, mais nada.

Só dos daqueles que vai comprar um telemóvel só quando o meu actual avaria e não tem mais garantia, o que procuro sempre é o mais básico, sem grandes exageros.

Faz-me lembrar um familiar meu, que andou a tentar comprar o mais básico que existe, sem essas câmaras fotográficas, etc, e simplesmente não encontrou, hoje todos já trazem aquelas coisas todas.

Blondewithaphd disse...

Ó Quinn, tu pões-me ringding nessa engenhoca?! Ó homem d'um camandro, tu queres lá ber que me fico sim o assistente?! Logo agora que me ando besga de trabailho!

E por falar na engenhoca dos infernos, num sei donde pára a minha! Lá terei de telefonar de casa para a minha pessoa a ber onde diabos o bicho se meteu!!! Ó bida santa!

NuNo_R disse...

O telemovel hoje em dia já faz parte do corpo humano.
Estranho é ainda não ter nascido nenhum bebe com um membro "telemovélico" eheh

Mais a sério,
Do meu frupo de amigos tb fui dos primeiros a ter telemovel. Foi um Motorola Flare, bem quadradão que nada tem a haver com o telemovel fino e leve que hoje em dia uso.
Também o comprei um pouco a reboque damoda que se instalava na altura, mas como precisava de um para trabalhar, foi uma boa desculpa para "engatar" os meus pais.
Pois nos meses em que a conta transbordava o orçamento, lá os cravava para darem uma ajudinha...
Sempre com a desculpa que depis não lhes podia ligar.
E desde essa altura mantenho a minha assinatura mensal.
E posso dizer que já fui dos 300melhores clientes particulares da TMN.
Coisa que hoje em diua sria impensável.
Senão punham-me as malinhas à porta eheh

abr...prof...

Agradeço ao painel do blog por esta serie dos domeingos, e ao António por me trazer á memória alguns casos carictos que tive quando comecei a usar o telemovel.

Zé Povinho disse...

Não sou um grande adepto destes aparelhómetros, apesar dasua utilidade em casos urgentes, mas acho que há um abuso na sua utilização para o qual eu certamente não contribuo.
Abraço do Zé

JOY disse...

Encaro o Telemovel como uma ferramenta de trabalho, e de comunicação, sempre que posso fica desligado e não quero saber se a máquina fotográfica tem x pixels etc,até porque não faço questão de ter um topo de gama . Faz-me confusão os agarrados ao telemovel,abomino o pessoal que fala ao telemovel aos berros para que toda agente ouça a conversa ,isto para não falar nos bimbos que colocam determinados toques que só dá vontade de partir para a agressão fisica(lol).

Joy