Notas Emprestadas - Vulnerabilidade

Dando sequência à divulgação e cooperação com outros autores e projectos, o NOTAS SOLTAS avança com mais umas Notas Emprestadas.
É mais um texto vindo do Brasil e da autoria de uma excelente escritora, quem leu o primeiro já sabe da excelência da escrita, os outros podem comprovar.
Uma pessoa fenomenal, uma amiga que acompanhamos e lemos com prazer há muito tempo. Conceição Britto de seu nome...

Quando, sem razão aparente, a pessoa a qual amamos decide nos escalar ao ápice do esquecimento, nasce à solidão.

Assim como a erva daninha, a solidão se enraíza na alma, assim como o amor faz com o coração. A solidão nascida do amor frustrado é um dos sentimentos mais tristes na alma.

Uma vez perdido o amor, somente o silêncio responde às nossas perguntas. Nos faltam o alento, encorajamento e a tristeza.

Surge então o desânimo que logo cede espaço para a depressão que nos invade e nos consome por dentro.

Qualquer coisa está como estava antes.

Nós precisamos nos olhar novamente com os olhos dele (a) para percebermos que nunca será como o nosso.

Nós procuramos refúgio na casa dele(a) e a porta sempre aparece fechada. Nós queremos que ele (a) saiba que estamos aqui sempre disponíveis para o que der, mas nossa mão de expansão é rejeitada. Nós queremos abrigar os outonos dele (a), como fazíamos antes, mas no jardim dele (a) não parecem cair as folhas. E então, nesse momento nos falta encorajamento para superar os dias. A chuva morre em uma terra mais fria e nos tornamos tão fracos como a dor que pode causar a água retida nas mãos.

Somos fracos face à indiferença e vulneráveis face à tristeza que deriva do mesmo.

Não é fácil dar solução à angústia que sofre o coração esquecido. Talvez o tempo, e a procura em nosso interior, sejam os nossos melhores aliados para achar as respostas a essas perguntas que convertem nossas noites infinitas. O que nunca deveria faltar é a certeza que o amanhecer sempre nos é devolvido, com um novo dia, e pouco a pouco vai limpando o ar que era escasso pela tristeza, até estar limpo, fresco e livre.

O ar livre é o que nos permite respirar.

Autora : Conceição Britto - Convidada do Brasil

11 comentarios:

NuNo_R disse...

Muito Bonito o texto.
Em linha com o meu "pensamento" ;)

abr...prof...

quintarantino disse...

De uma profundidade assinalável.
E de uma beleza que encanta!

Sniqper ® disse...

Quantas pessoas sabem o que é amar?
Quantas amam de verdade?
Quantas enganadas julgam que amam e por esse julgar errado são votadas ao esquecimento!
Amar é um sentimento de partilha, mas muitas são as que entendem essa partilha como dar e receber, quando afinal amar é simplesmente viver.
Quando sentimos o amor como uma necessidade, quando ele se transforma numa forma de sobreviver e não de viver, então é nesse dia que a estrada fica escura, abrindo o caminho aos fantasmas da ausência, esses que devoram almas, sugam corações e atiram os restos para a terra que fria espera pelo corpo moribundo, que de tanto se interrogar se esqueceu de voltar a amar.
O Amor é um sentimento que alimenta vidas, que renova forças, que remove barreiras.
Não se aprende a amar, sente-se. Não se respira sem ele, nem mesmo ao ar livre, simplesmente porque ele é a Vida e sem ele mais nada existe.

Maria Faia disse...

Amar...
Verbo facilmente pronunciado mas... dificilmente vivido com verdade e profundidade. Nos dias que correm, o egocentrismo apodera-se, demasiado facilmente, de seres em incessante busca de satisfação pessoal. Muitas vezes assistimos ao "amor" usado, estropiado, em prol de causas pessoais que de amor nada têm que não seja o do Eu e mais ninguém.
Começa a ser difícil acreditar...

Mas, quem sabe ele existe mesmo!
Gostei da reflexão.

Desejo-lhe um Domingo feliz,

Maria Faia

Miguel Ângelo disse...

Gostei imenso da prosa poética, aqui, debitada, faz-nos entrar nas profundezas do nosso eu introspectivo. Enfim, valeu a pena ter passado, neste cantinho blogosférico, aliás como sempre o faço.
Um abraço
P.S. - Este texto veio alegrar a minha insónia....

Tiago R. Cardoso disse...

Publicamente agradeço a participação da Conceição, uma enorme alma.

Obrigado por este momento, que diz muito de uma forma tão profunda e tão bela.

Como sempre tenho pouca capacidade para comentar a tua escrita.

Blondewithaphd disse...

Fazer das nossas vulnerabilidades as nossas forças, aí está o difícil e o maravilhoso. O eterno paradoxo da vida!

Carol disse...

Um texto lindíssimo e muito verdadeiro, como já é hábito.

Lampejo disse...

............

Somos muitas vezes nossas próprias vulnerabilidades.

Isso acontece quando abandonam as coisas que nos fazem sermos nós.

Decepcionadas (os) nauseadas (os) sumimos tão completamente da vida... como uma pedra no poço.

(a)braços e flores de girassóis :)

Latitudes disse...

o meu olhar persegue
qualquer lugar
onde amanheces para
o (nosso) encantamento

respiro-te!

Fa menor disse...

Se tens o coração
encharcado na solidão
retendo nela sempre o olhar,
sem dares oportunidade
a que outras belezas
se possam manifestar,
qualquer dia negarás
que possam existir
peixinhos dourados
e crianças a sorrir.
Então o teu mundo
será apenas tu,
o teu coração
e um amor
que não podia florir.