(Des)Acordo Ortográfico

Segunda-feira foi dia de Prós e Contras. O tema prometia ser polémico - o novo Acordo Ortográfico.

Os convidados, todos eles de renome (uns mais que outros), digladiavam os seus argumentos a favor e contra esta revolução forçada da língua portuguesa.

Eu não vou torrar-vos a paciência com pormenores sobre o programa, nomeadamente quem eram os convidados, mas vou sintetizar os argumentos a favor e contra este acordo. Então, a consubstanciar o acordo temos:

- a diminuição dos custos económico-financeiros da produção de edições diferentes de dicionários, livros didácticos e literários motivados pela existência de ortografias oficiais distintas;

- diminuição do tempo de edição de obras lexicográficas comuns;

- preparação de um dicionário de vocabulário técnico-científico comum;

- estabelecimento de alianças estratégicas na acção de difusão e fortalecimento do português;

- reprodução simplificada de materiais pedagógicos;

- criação de programas comuns de formação e aperfeiçoamento para professores de português como segunda língua.

Por outro lado, temos um conjunto de argumentos contrários à ratificação do acordo de 1990. A saber:

- a ideia de que as diferentes ortografias colocam entraves à compreensão da língua nos diferentes países da Comunidade de Povos de Língua Portuguesa (CPLP) é falsa, pois o que pode motivar algumas dificuldades de compreensão será sempre o vocabulário e isso é algo que nunca poderá ser evitado através de um acordo;

- os custos elevadíssimos que a adaptação do corpo literário já existente acarretaria;

- a súbita obsolescência de dicionários, gramáticas e livros escolares que terão de ser substituídos;

- a reaprendizagem ortográfica forçada para um elevado número de pessoas;>

- a questão falaciosa de que uma unificação linguística trará uma maior preponderância à língua portuguesa;

- o facto de haver um distanciamento cada vez maior relativamente aos escritos dos antepassados sempre que há uma evolução linguística forçada.

Sinceramente, ontem, cheguei ao fim do programa com a nítida impressão de que o que move a ratificação deste acordo são ideias economicistas e políticas que beneficiariam muito mais o Brasil do que qualquer outro membro da CPLP.

Eu sou contra este acordo! Eu sou pela evolução natural da língua!
E vocês?

25 comentarios:

Alma Nova disse...

Só ontem????!!! Mas em que mundo tens vivido até agora????...

Sniqper ® disse...

Mais um dos belos programas da nossa televisão, Prós e Contras, mas como esse e outros eu acho que outro nome seria bem melhor, tipo Conversas de Merda, afinal é sempre a conclusão final.
Quanto ao seu acordar Carol, que se traduz na frase Sinceramente, ontem, cheguei ao fim do programa com a nítida impressão de que o que move a ratificação deste acordo são ideias economicistas e políticas..., isso anda mau, será muito trabalho que provoca essa falta de atenção?
Quanto ao acordo, quero que eles o metam onde lhes der mais jeito, por mim continuarei a escrever o português que aprendi, mais nada.

bluegift disse...

Tens toda a razão Carol. Há já muito tempo que te tens vindo a pronunciar sobre esta situação e não há dúvida que o "Pós e Contras" renovou a indignação presente face a este tema. Há uma concesssão económica, não tenhas dúvidas. O mundo ocidental prostitui-se cada vez mais em prol de um único Deus omnipotente: o dinheiro!

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Eu achjo que essa unificação não tem cabimento!
Unificar não vai levar a nada, pois Portugal e Brasil vivem dois mundos completamente diferentes.
Portugal é Europa, estabilidade populacional, como país mais antigo tem maior tradição!
O Brasil está inserido num contexto diferente. Todos nossos vizinho falam língua espanhola. Tivemos no periodo pós-colonial, uma invasão de nacionalidade, italanos, alemães, japoneses, além das influências dos negros e índios, tornando o nosso português totalmente diferente do falado e escrito em Portugal!
Acho uma coisa quase impossível essa unificação, que só cabe na cabeça de governos tão incapazes como os nossos, nestes tempos.
Essa é minha opinião e nem conheço a proposta, mas a idéia não tem cabimento.
Os ajustes ocorrerão naturalmente com o tempo, se de fato, houver maior interesse de ambas as partes!

Santilli

joshua disse...

A Precipitação e o Erro Estratégico contra Portugal
que Este Acordo Ortográfico representa
não podiam estar melhor condensados
que neste poço de vaidade, nestes tiques superioritários,
no tresandar a petulância convicta no próprio pseudo-argumentário esmagador,
de este catedrático senhor.

Porém, dispensámo-lo, Sr. Professor Doutor Carlos António Aves dos Reis.
Pode descansar, afervorado senhor na razão exclusiva que detém.
Os seus trejeitos gloriosos, altivos, e insolentes, na RTP Próstata&Contra,
para com a sua colega Maria Alzira Seixas e para com Vasco Graça Moura
são um completo adicional anti-argumentário pró-Acordo.

Ouvidos os expertos portugueses não ouvidos,
Portugal seguirá, e bem, sem Este Acordo.
O Brasil, além de não se lembrar de Portugal no seu dia-a-dia sul-americano,
nem perceber o português oral de Portugal, léxico e sintaxe, quando calha de o ouvir,
para ele por vezes mais Chinês e incompreensível que consonântico Russo,
seguirá com a sua norma ortográfica,
que harmoniza outros Tupi condimentos,
sem Esse Acordo.

O Acordo é um Aborto.
Morte ao Aborto que é Este Acordo!

PALAVROSSAVRVS REX

Zé Povinho disse...

Nós não aprendemos nada com aqueles que enfrentaram primeiro problemas idênticos. Será que os senhores que engendraram este "Acordo" conhecem as experiências inglesa e espanhola? Será que lêem algo nessas línguas com edições de diversas partes do globo? Tenho muitas dúvidas que o façam com frequência, pois caso o fizessem deixavam-se desses jogos florais.
Abraço do Zé

lusitano disse...

Vão lá pereguntar aos ingleses e aos franceses se eles estão dispostos a mudar o inglês e o françês para "unificar" com os outros povos que falam essas línguas?!
Claro que a razão primeira é económica sobretudo da pressão dos editores brasileiros.
Façam o acordo e assinem a morte dos editores portugueses.
Eu continuarei a escrever como sempre me ensinaram.
Em coisa tão importante como a língua pátria não fazia sentido o tal do referendo?

quintarantino disse...

Quanto às distrações reveladas nesta coluna, não digo nada.
Quem anda atento, sabe do que aqui se escreveu e falou ...

Penso que o comentário lapidar do amigo Santilli nos diz tudo quanto ao sentimento que possivelmente atravessa de ponta a ponta a comunidade da lusofonia.

Eu continuarei a escrever da forma que aprendi, da que sei e da que esqueci.

Para outros podia ser uma oportunidade para aprenderem a não maltratar a língua mãe.

Carol disse...

Alma Nova , acredito que o facto de não nos visitar assiduamente motive esse comentário.

Sniqper, na verdade não ando distraída. Esperava, apenas, que os defensores do acordo estivessem mais cientes do que ele representa e conseguissem resistir ao apelo facilitista da política e da economia neste domínio.
O meu amor pela língua em que me exprimo nunca esteve em causa. Tenho-a defendido tanto a nível pessoal como profissional, de forma acérrima. Apesar de não ter nascido em Portugal, apesar da língua inglesa sempre me ter fascinado, esta é a minha língua e defendê-la-ei sempre!

Blue, este é um exemplo supremo dessa prostituição dos tempos modernos!


Santilli, amigão, que bom termos a percepção de que não estamos sós! O que dizes é muito verdadeiro. Portugal, Brasil, Timor e os países africanos são mundos totalmente diferentes e esta pseudo-unificação só vem pôr em causa a especificidade de cada país!

Josh, totalmente de acordo! O Srº Professor Doutor estava cá a deixar-me com os nervos em franja! Que irritante e petulante!

Ó Zé Povinho, aqui para nós, os homens nem os jornais devem ler, quanto mais publicações em inglês e espanhol!

Lusitano, totalmente de acordo! Eu, neste caso, nem contemplava a hipótese de um referendo. Não havia acordo e ponto final!

Quin, infelizmente se o acordo for ratificado não poderei ter a mesma atitude que tu e muitas pessoas têm manifestado. Não por falta de vontade, como é óbvio, mas por motivos profissionais.
No entanto, acredita que vai ser uma dor de morte ceder a esta revolução linguística forçada.

Blondewithaphd disse...

Já me cansei do tema.

Só um ponto:
Estou neste momento a escrever um artigo científico em Inglês Australiano. Às vezes escrevo artigos em Inglês Americano e outras em Inglês Britânico. Quem somos nós ao pé do Inglês???????

antonio disse...

Ia dizer... mas não tu disseste tudo.

Mais um processo tão bem conduzido como o da avaliação dos professores… será que com o novo acordo passará a ser mais fácil entendermo-nos, pelo menos sobre questões fundamentais?

Carol disse...

Pois é,Blondie, se calhar esses senhores que delinearam tão afamado e estúpido acordo, desconhecem todas essas variantes do inglês...

Carol disse...

Para mim, António,a diferença está no facto de achar que a avaliação dos professores é necessária. Deste acordo já não posso dizer o mesmo.

NuNo_R disse...

Foi um pouco ridiculo aquele debate.
Fiquei na mesma apesar de ver debatidos os extremos de tal acordo.
Por mim, sou mais radical.
Se al´guém worldwide quiser falar em português, que fale então como os Portugueses de Portugal.
Pois quando eu tenho de falar com alguém em inglês, o faço em inglês da Grã-Bretanha, ou com um francês com francês de França e não noutras "linguas" similares...

abr...prof...

Carol disse...

Em relação ao inglês, Nuno, o que se faz é ensinar que existem diferenças entre o chamado "British English" e o "American English. Mas as diferenças são respeitadas.
Aqui, infelizmente, a diferença que imprime o cunho pessoal a cada língua está a ser ameaçado e posto em causa.

Tiago R. Cardoso disse...

Concordo com o ponto de vista, certos tidos de uniformização, como é o caso traduz num desaparecer da riqueza da língua.

Essa riqueza é nos trazida pela diversidade cultural de de cada país.

Tudo junto torna o português numa língua abrangente e bela.

Lembro, que este acordo não avança ao nível oral, muitos acreditam o contrário, esta uniformização está ao nível da escrita.

Carol disse...

Tiago, a uniformização estao nível da escrita, mas está lá. Existe! E isso é que me chateia!

Carol disse...

Eu queria dizer "está ao" e não "estao", como é óbvio.

António de Almeida disse...

-Não vejo o Prós e Contras, não gosto do formato do programa, nem do estilo da apresentadora, sempre a interromper, não permitindo aos convidados o concluir das ideias. Sou obviamente contra o acordo ortográfico, conforme já escrevi em diversas ocasiões.

missixty disse...

Eu também não gostei da ideia! EnTão nós que somos a origem temos de nos aproximar dos outros..da "escória", acho mesmo que é descer de cavalo para burro! Sou tradicionalista e a nossa língua é das melhores coisas que temos! Já me chega os "ois" e "nés"!
beijinhos miss

Carol disse...

Na minha opinião,missixty, não há aqui lugar a escória. Não considero o português de Portugal superior ao do Brasil. Apenas defendo a especificidade de cada língua, de cada história e cultura.

Carol disse...

Então, António, junte-se ao clube dos que discordam deste acordo!

Marcos Santos disse...

Como brasileiro e "carioca", que aliás significa "casa de branco" em Tupi-guarani, só posso concordar com o Santilli e acrescento que dentro do território brasileiro não existe a uniformidade da língua, nem escrita, nem falada. A letra "F" , que no Rio é chamada de "efe", na Bahia é chamada de "fê", e assim por diante.
A pouco tempo escutei na Rádio Band News FM, logo não li, que estudos realizados, haviam concluído que o português falado no Brasil de hoje, está mais próximo foneticamente do italiano do que do português de Portugal.
Ou seja, essa padronização nunca conseguirá deter a evolução de nossas línguas, que hoje caminham distintas. Felizmente continuaremos a nos entender, como os portugueses se entenderam com os Tupis e com os Guaranis, num tempo em que as flechas comiam soltas.

LUIZ SANTILLI JR. disse...

Num tempo que as flexas corriam soltas!!!

Já pararam de correr??

Nem me avisaram, quando passo pela mata ainda me abaixo!!

Abração Marcos e é bom encontrá-lo por aqui!!!

quintarantino disse...

MARCOS SANTOS é mesmo só para dizer que a sua participação neste espaço é um enorme contributo que espero se mantenha!