Ainda o estranho caso do "dá-me o «telemóbel», já!"

Tem sido aqui abordado de forma esparsa a questão da solidariedade, da participação cívica e, recentemente, até “puxões de orelhas” na blogosfera por existirem mais ou menos comentários, visitas e afins.

Esta última parte, que motivou um acesso protesto de fidelidade do nosso amigo do recanto mais fortemente matizado pelos dadaísmo, surrealismo, cubismo que conheço (e falo, obviamente, do PALAVROSSAURUS REX), mereceu-me um sorriso.
Não por desrespeito a nenhum dos intervenientes, dos quais sou amigo, mas antes porque me lembrei, quase como Jorge Sampaio disse a propósito dum famigerado défice, que há mais vida para além da blogosfera.
E nem sempre doce e fértil, pois quase sempre é madrasta e exigente …
Mas isto, cada um é como é, por isso siga a marcha!

Eu, por exemplo, arredei-me das lides comentadoras quase por completo. Tenho recebido protestos, mas há afazeres que me consomem e opções que se têm de tomar … por ora, estou nesta onda. Peço desculpa.

Quanto às recorrentes críticas do “falam, falam e não os vejo a fazer nada” com que alguns leitores nos mimoseiam sempre apontarei o exemplo do Mário Nogueira que ainda no passado sábado, em comentário ao excelente texto da minha amiga BLONDEWITHAPhD, perguntei se alguém o tinha visto na guerra do “DÁ-ME O TELEMÓBEL, JÁ!” e ninguém me respondeu.

Sosseguem que o Robin Hood dos professores já regressou, mas é para voltar à carga com a avaliação.
Sobre o resto, nada … mas quanto à avaliação já temos prometidas novas jornadas de luta.
Ora, se o Robin Hood se pode comportar assim, eu, qual Frei Tuck, posso fazer ainda pior... quer dizer, posso não fazer nada!

No mais, noto também a coerência do agora chefe do Governo britânico, Mister Gordon Brown, que foi muito firme em não meter os pés em Lisboa por causa do Robert Mugabe (essa enormidade), mas que já quanto aos paliativos (isto é ironia, cuidado) chineses no Tibete diz que não se pode andar a boicotar uma ida a Beijing por dá cá aquela palha.
Quer dizer, o homem é corajoso quanto baste e solidário quanto baste também. É-o é conforme os casos ...

Lá está, também nas escolas os mais corajosos do recreio (geralmente uns merdas) só batem nos mais pequenos, porque quanto aos do tamanho deles ou maiores … está quieta que se elas caem, aleijam!
Isto, assim por assim, é quase como a turma do 9º C da Escola Secundária Carolina Michaëlis (onde dei aulas dois anos e, asseguro, encontrei gente impecável e, talvez por ter o azar de ter o estigma do “contratado” as maiores cavalgaduras que enfrentei estavam no campo dos gajos que se tratavam por “colega”) que assistiu na sua esmagadora maioria impávida e serena àquela guerra …

E eu, que vi até à náusea o reles filme ser exibido em tudo o que era ecrã de televisão, perguntei-me, isso sim, como querem que nos indignemos quando, confrontados com um berreiro absurdo mais de metade dos que lá estavam ficaram impávidos e serenos?

Desculpem, mas aqueles adolescentes aprenderam a ser omissos onde?
E quando? E com quem?
Em casa?
Na escola?

Engraçado que todos falaram da Patrícia (sim, a aluna tem nome) e choraram lágrimas pela docente (mas ontem o jornal “Público” dava conta de uma versão ligeiramente diferente da oficial), mas não vi nenhum perito interrogar-se porque ficaram os restantes quietos?

Nós sabemos que um estava empenhado em ser o Scorcese lá do sítio e outro, coitado do tonto que ainda por cima levou, também ele, com uma queixa da professora, ainda o vimos a tentar apartar, mas ser afastado …

Mas e os outros, senhores?
Os outros?
Porque ficaram quietos?

39 comentarios:

Carol disse...

Tenho para mim que a blogosfera é um espaço interessante, de partilha de opiniões, mas que não se pode tornar o centro da nossa existência. Daí que, lamentavelmente ou não, nem sempre faça as visitas e comentários que, estou convicta, todos merecem. Peço desculpa, também, mas há outras pessoas e outras situações que precisam da minha atenção.

Mário Nogueira, como muitos que se pavoneiam nas televisões portuguesas, não me diz nada e em nada contribui para a melhoria da situação do país. Esse senhor, como outros, anda muito indignado porque esta ministra decidiu "mexer" com os professores efectivos cá do burgo. Alguém o viu tão preocupado com a situação de milhares de professores contratados? Alguém o viu a manifestar-se sobre os maus resultados apresentados todos os anos nos exames nacionais?
Violência escolar sempre existiu! Parte da minha turma de 10º ano (eu incluida) jogou à sueca em plena sala de aula, tive um amigo que agrediu um professor com um murro nos queixos (muito bem dado e bem merecido, por sinal!)e no primeiro ano que dei aulas fui chamada de "filha da p***" por um aluno! E a culpa é da srª Ministra?! Poupem-me!

O srº Gordon Brown, como grande parte dos líderes mundiais, devia era ter vergonha na cara! A situação do Tibete é bem ilustrativa da hipocrisia que reina no mundo!

Com exemplos destes, como podemos esperar que as gerações mais novas sejam participativas, interventivas, justas?!

Todos nós temos culpa! Temos culpa quando resolvemos os problemas à estalada ou partindo para o insulto; temos culpa quando encolhemos os ombros e deixamos andar; temos culpa quando nos acobardamos e não defendemos uma criança, um idoso ou um animal de ser maltratado!

A culpa é deles, da professora, da China, do Gordon Brown,do Mugabe, de todos nós!

Zé Povinho disse...

Este caso em particular, não me diz nada que eu nâo tivesse já constatado na minha actividade principal: muitos professores já não têm ascendente sobre os alunos. Não admito o desrespeito, desaprovo-o, quer em jovens quer em adultos.
Não deixei de ver este incidente como um sério aviso para todos - pais, professores e ministério.
O exemplo vem de cima, neste caso dos intervenientes na educação das crianças e jovens, mas depois de ouvir umas quantas declarações no telejornal fiquei espantado: ninguém parece disposto a querer proibir os telemóveis nas salas de aula, nem pais nem alunos.
Então em que ficamos? Mandam-se os meninos para a rua quando o utilizam durante as aulas, ou também isso não se deve fazer, porque pode ser o paizinho ou a mãezinha a dar um recado urgente e não sabe o telefone da escola? E a mensagem que está a enviar, que é absolutamente imprescindível e até serve para salvar uma vida?
Como no meu tempo não havia telemóvel, e como só o ligo quando estou fora do serviço, deve ser mesmo um defeito meu, que acho que o uso "dessa coisa" em Portugal é um exagero.
Abraço do Zé

Carol disse...

, o problema é que há professores que usam o seu telemóvel nas aulas! Como é que, depois, podem exigir um comportamento diferente dos alunos?!

Fa menor disse...

Depois de ler com atenção e interesse (acredita!)toda esta tua excelente exposição, digo-te que penso que na vida todos têm prioridaes, cada um à sua maneira...
Resta saber se muitas vezes as prioridades de uns serão prioritárias para outros.
Eu, por exemplo, a minha prioridade agora é ir tomar o pequeno almoço que são mais que horas eheheh!
Bj

lusitano disse...

Para além de ficarem quietos, o que já é mau, ajudaram à festa com "urros" de incitação, qual claque de "hooligans", na "destruição do inimigo".
Claro que como muito bem diz o texto, quando no mundo a solidariedade se faz apenas nas causas mediáticas, como a fome aqui e acolá, ou coisa parecida, mas se o vizinho for roubado, atacado, isso é problema dele, e ainda bem que não fui eu, é "percebivel" esta atitude dos outros alunos.
Quanto ao senhor Gordon Brown a verdade é que a China é muito grande e o Zimbabué é ainda para ele, claro, uma espécie de protectorado.
Ontem, acho eu, o governo chinês "aconselhou" a CEE a não receber o Dalai Lama, e ninguém se revoltou com isso! Se fosse o Burkina Faso a dizer coisa semelhante mandavam-nos logo calar, etc, etc
Com exemplos destes a todo o momento e a exposição mediática permanente, (youtube e outros), e o pessoal que dá tudo para aparecer na televisão, não podemos infelizmente esperar grande coisa!

Blondewithaphd disse...

Acho que deve ser a vinha costela germânica, mas não tenho pachorra para certas coisas:
. Desrespeito a professores é inadmissível por muito justificado que seja o desrespeito, ponto final e acaba já a conversa!
. O Mugabe vou ignorar porque não dou tempo de antena a "black trash" (desculpem não tem nada de xenófobo porque "white trash" também existe).
. O Gordon Brown tinha de se indignar mais com o caso do Zimbabwe porque há a Commonwealth, é política my dears.
. O Tibete já vai sendo tempo de a comunidade se indignar. E sim, a blogosfera pode fazer uma GRANDE diferença nos dias que correm.
. E quem nos "mimoseia" com a história tolinha do "falam, falam e não os vejo fazer nada" está a repetir chavõezinhos muito gastos e insípidos (mais que não seja haja originalidade na crítica, não posso com a acefalia, dá-me náuseas). E, já agora, os pseudo-críticos são vistos a fazer algo que mude o status quo social? É sempre tão bom palavrear! Gimme a break!

Sniqper ® disse...

Caro Quin,
A blogosfera vale o que vale, nada mais. Tudo o resto que se possa falar ou escrever não passam de opiniões pessoais, direi mesmo que é absolutamente desnecessário alguém se justificar tanto na vertente do que escreve ou se comenta muito ou pouco, simplesmente porque cada um é livre de fazer o que muito bem entender, mas claro nunca deixando de lado o respeito, valor que está em queda como muitos outros, a razão, essa é simples, chama-se ausência por conveniência das regras de conduta social.
Quanto a esse caso do telemóvel, que de facto já passou de um episódio para um facto histórico, aliás como tudo neste país que pela importância que lhe damos cresce como uma praga. Hoje em dia muito se fala de professores e alunos, educação, governo, no caso representado pela Ministra da Educação, sindicatos e afins, mas com tanta conversa os resultados são nulos, como sempre.
Como exemplo posso dizer-lhe que moro numa cidade, e para minha felicidade (leia-se à beira de um ataque de nervos) tenho bem na frente dos meus olhos uma escola, onde alunos e professores nos seus tempos de lazer, que hoje em dia são bem mais prolongados que no meu tempo de estudante se deleitam nas esplanadas dos cafés, uns e outros com condutas que seriam dignas de serem analisadas.
Se uns educam e outros estão lá para serem educados, então algo está errado, pelo simples facto que tal é a anormalidade a que assisto em atitudes e conversas de ambas as partes, que de fico a pensar de quem é a culpa!
Como tudo na vida exstem regras e limites, que se não forem ensinados correctamente nunca poderão ter resultados. Começa no seio da família a aprendizagem, percorrendo depois o caminho natural, a vida com as suas etapas sucessivas, como tal não será que algo anda errado em todo esse contexto? Será que não estamos a pecar pelo excesso e inércia?
Quando olhamos para a passividade dos portugueses, os que na sua fase adulta participam activamente em decisões para a governação de uma sociedade, o que poderemos esperar de retorno de uma geração que é criada num ambiente onde todos os dias a lei do salve-se quem puder é a lição que aprendem!

quintarantino disse...

CAROL aborbando apenas a questão da violência escolar ela, de facto, sempre existiu embora pense que esteja agora a chegar a níveis de maior divulgação.

Notem que digo de divulgação e exposição, e não de intensidade. Antes, se um aluno desse uma bofetada num professor corria o sério risco de ser expulso. Hoje, é transferido e surgem logo não se quantos psicólogos - essa praga dos tempos modernos - que arranja justificação e desculpa para tudo!
Antes, se um professor desse um tabefe num aluno vigorava o princípio do "come e cala!".

Hoje não. Ora é o professor que interrompe a aula para atender o telemóvel (sim, há disso), ora é a professora que, em plena aula, grita a uma aluna que "sossega a passarinha", ora é o aluno que dá um estaladão no colega dentro da sala aula ... e nada acontece ... quer dizer, às vezes acontece. Ou são os pais que surgem a vociferar ou o Mário Nogueira e o Fernando Charrua a dizer que a culpa é do Ministério!

ZÉ POVINHO tem o meu amigo toda a razão.
O exemplo deve vir de cima, deve ... mas, infelizmente, não vem.

quintarantino disse...

FÁ MENOR a esta hora espero que já tenhas tomado o teu pequeno-almoço, amiga ... olha lá, isso é sinal que recebeste as toneladas de receitas de bolos de chocolate que te mandei?

BLONDEWITHaPHD eu hoje vou chatear-te ... ou talvez não ...

E a tua costela germânica o que diz ao caso (veio a lume hoje no "Jornal de Notícias") do professor que enchia a boca a alunos deficientes (em eduquês chama-se com necessidades educativas especiais) com papel para estarem calados?

Ou ao de uma docente de Inglês em Guimarães que tapou a boca com fita cola a cinco alunos e os colocou contra a parede durante cerca de duas horas?

Gordon Brown ... já percebi ... it's all politics!

quintarantino disse...

LUSITANO A atitude dos alunos é compreensível face ao que diz e ao que escrevi, mas é isso que queremos?

Eu não!

SNIQPER a referência a comentários e visitas foi feita em jeito de remoque a uma troca epistolar entre aqui o meu parceiro masculino de blogue e outra pessoa.

No mais concordo com o que escreve.

Carol disse...

Nisso tens toda a razão. Lembro-me que esse meu colega, o do murro, foi imediatamente expulso. Hoje nada lhes acontece.

Mas, repara, isso não acontece só na escola! Atropelam-se crianças, conduz-se sem carta e sem seguro, rouba-se, rapta-se, viola-se e vem-se para casa aguardar julgamento!

Que exemplo está a nossa sociedade a dar?! Qual é a mensagem que passa? Posso fazer, porque ninguém me vai fazer nada...

Dalaila disse...

já não posso ver e ouvir falar sobre isto, mas para mim o comportamento da professora também não é o mais correcto, e é provocatório também, chamava um funcionário, e punha a aluna no exterior da sala, ou levava-a ao conselho exectuivo. não se dignava àquela batalha campal!
Mas por favor isto não é de agora, nem só agra os alunos são erbeledes, mas se calhare só agora os professotas são uns "desgraçados", essa sim é a diferença. Desde sempre há alunos rebeldes, desde desde sempre, esta situação é incrivel é verdade, mas por favor que não pare o país por isto.

quintarantino disse...

CAROL, como estás certa ... e esses são os casos graves e mediáticos ... atropela-se em passadeiras, aliás, se repararem, devemos ser dos únicos países em que um peão atravessa numa passadeira e agradece ao automibilista que parou para o deixar passar ...

DALAILA, eu dou aqui conta que anteontem o jornal "Público" dava conta de uma versão ligeiramente diferente em que muitos alunos referiam que naquele caso fora a professora que autorizara o uso do telemóvel porque uma aluna estava a fazer uma ficha ou ponto ... e a gritaria surgiu porque a dita Patrícia atendeu uma chamada ... já dei aulas e asseguro que não faria aquela cena ...

Por outro lado, já dei aqui conta de casos inversos ... ali num comentário-resposta à minha amiga Blonde!

Fa menor disse...

Quint,
não havia nexexidade de me xamares gulosa em público :(
Olha, vou mas é almoçar...
;)

lusitano disse...

Amigo quintarantino

Eu escrevi "percebivel" e não compreensivel, que era aliás o termo que ia utilizar, mas depois achei como tu exactamente que era mais percebivel do que compreensivel.
Claro que não quero e "assusta-me o caminho que se está a caminhar...
Já agora, e se não tiveres nada contra, pedia-te que me tratasses por tu...
Abraço

quintarantino disse...

FÁ MENOR já vi que a "coisa" chegou ao destino!
E ninguém precisava de saber, pois podias sempre argumentar que era eu que andava a ver se te convertia à doce tentação do chocolate.
Se mais alguém quiser, é só dizer ...

LUSITANO não me custa mesmo nada ... no mais eu entendi muito bem o que querias dizer e até achei piada ao "percebível" ...

Carol disse...

Indo de encontro ao que dizia a Dalaila, só gostava de acrescentar uma coisa: o comportamento da professora é, independentemente de ter autorizado a utilização ou não do telemóvel, inadmissível!
Andar à bulha com a aluna foi do mais ridiculo que já vi, mas isso não lhe chegava. A senhora fragiliza-se ainda mais quando assume que não vai voltar a dar aulas este ano.

A partir de agora, que autoridade e respeito quer vir a ter sobre os seus alunos?! Como é que quer que a encarem como alguém determinado e sem medo?

Compadre Alentejano disse...

Os outros? Os outros ficaram assistindo ao espectáculo, e como era de borla, ainda melhor.
Não há dúvida que a cena foi demasiado triste. Oxalá nunca mais volte a acontecer em escolas portuguesas.
Um abraço
Compadre Alentejano

Tiago R. Cardoso disse...

Tenho a impressão que fui referido ali num comentário mais atrás...

Deixa ver...

Acho que sim...

Refira-se que o caso é mais provocativo, o Joshuossavrvs Desaparcidvs Rex, gasta de "provocar" e eu tenho dias.

O problema da discussão sobre o telemóvel está no próprio aparelho, se a aluna tivesse um como o meu não estava entretida com ele, o meu é à antiga é só telefone mesmo.

Entretanto apontar as baterias sobre os alunos é como quando andaram a culpar os professores pelos problemas do sistema, quando na realidade o problema é o próprio sistema de ensino.

joshua disse...

A história toda do telemóbel tem sido dissecada e sabe-se hoje melhor o modo como a professora comprou atenção e bom comportamente daquele nono C em troca de música-de-telemobél durante as aulas.

Mas para chegar a essa capitulação-negociação-cedência é preciso, posso testemunhá-lo!,ter morrido muitas vezes de irrelevância e cilindramento na sala de aula. Gosto muito da Patrícia, compreendo muito bem a Joaquina Adozinda, mas tu, Tarantino, não estarias aqui a falar à la carte quer de uma quer de outra sem o abençoado tiro no pé do youtubador seu colega. Objectivamente, a Patrícia é menos flor que se cheire. Está no topo da carreira: a grunhice.

Quem os conhecer que os compre, a todos! Agora de repente todos os blogueiros e comentadores Tudísticos serem professores acabados e mestres absolutos em ser Tenentes e Capitães e Coronéis e Generais temebundos na sala de aula das turmas mais dissolutas e orgiásticas, isso é milagre nunca visto e eu tenho de ir a Fátima de joelhos tais lideranças férreas que Deus nos dá e não aproveitamos.

Para atenuar o ónus da vitimização total e absoluta da figura do professor, a máquina masturbatória de esta merda de Governo já procura pais e alunos vítimas dos excessos dos professores: podem ir biscá-los ao cu com um gancho, procurar lá a agulha no palheiro que já e tarde de mais. Os processos estalinísticos também têm prazo de validade e depois, por desgaste, caem como o caranguejo inseminador do Alien I, II, III e IV.

La merde c'est en place!

Não me digas, Tarantino, que vais por aí! Vais?

Abraço, meu amigo. A minha vida está madrasteira: há mais vida para lá da blogosfera; também costumo sorrir com as tuas piadas de extremo bom gosto.

PALAVROSSAVRVS REX

joshua disse...

Remoque? Isso é algum aperitivo? O Tiago sabe que não houve nem haverá quaisquer problemas porque a liberdade, a tua, a minha, a dele, sobrepõem-se a qualquer agenda rígida.

O que me custa a deglutir é a mania superioritária dos únicos respeitadores do próximo e urbanos moralistas, sempre compostos no seu exemplar Smoking civilizacional, que aqui aportam-arrotam impereterivelmente postas de pescada quotidianas e procuram sempre uma oportunidadezinha para me aludirem a falta de respeito e falta de nível.

Nem é preciso nomear o que jaz descrito. Mas se fossem apanhar no cu, haveria maior alegria no Céu do que por resmas de pecadores convertidos ou chiques e urbanos e 'respeitadores' e 'civilizados'!

Ainda bem, Tarantino, que tu, meu grande amigo fotófilo, não és desses, ou melhor, daqueles!

PALAVROSSAVRVS REX

The Hidden Camel disse...

The camel knows everything.
Don't think you can get rid of the camel.

António de Almeida disse...

-Como é que aqueles que apregoam a escola inclusiva, sem expulsões, podem comentarar uma situação destas? Claro que Mário Nogueira teria de permanecer calado, mas os professores poderão relembrá-lo porque não defende o sindicato uma colega de profissão. É a tal questão da independência sindical face ao poder político, que mais uma vez não existe.

quintarantino disse...

CAROL eu posso entender que a senhora, a determinada altura do processo tenha entrada naquela espiral de "agora não posso ceder" ... já não entendo é que subitamente tenha entrado em descalabro telúrico-mental e entre em depressão tal que já não possa dar aulas ...

COMPADRE ALENTEJANO a coisa anda por aí, mas olhe que daquilo somos bem capazes de voltar a ver ...

quintarantino disse...

TIAGO R, CARDOSO, tu visado? Onde? Onde?

Telemóvel que é só telefone mesmo? Pois, olha que o problema parece que aconteceu precisamente por a moça ter atendido uma chamada ... a professora dizem que o resto tinha autorizado!

JOSHUA ainda bem que costumas sorrir ... sinal que ainda não te esqueceste como tal se faz ...

No mais, e muito sucintamente, tu desculpar-me-ás mas eu admito tudo, desde a Patrícia ser o cúmulo da grunhice ao facto de eu não poder estar aqui a debitar não fosse haver na sala um candidato a Martins Scorcese, agora não entendo que queiras reduzir a práticas estalinistas os factos de haver papéis e fita cola na boca de alunos nalgumas escolas ... se é que te entendi bem.

Isto comigo é assim ... nem alunos malcriados e grunhos, nem professores armados em heróis da Marvel daqueles que batem em tudo e todos!

quintarantino disse...

THE HIDDEN CAMEL maybe yes, maybe not ... who knows?
But beware, camels are easely spotted in the desert.

ANTÓNIO DE ALMEIDA é mas é a tal questão de se praticar na perfeição o velho aforismo "olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço!"

Blondewithaphd disse...

My loving, adorable Quinn,
O que a minha costela teutónica diz face a esses casos é:
1. Maus profissionais há-os em todo o lado, o ensino não é a honrosa excepção;
2. O sistema judicial existe por alguma razão.

Sniqper ® disse...

Ora bem, voltei, li os comentários que durante o dia foram chegando e pasmei, é verdade!
Já não vinha grande coisa depois de ouvir num telejornal mais uma história de faca e alguidar, ou seja pelas palavras do Procurador-Geral da República, após uma reunião com o Presidente da República, que claro com aquela expressão que ainda não entendi se é um sorriso ou um espera que já te atendo, se mostrou muito preocupado com a crescente onda de violência nas escolas. Bem voltando então ao PGR, pela sua boca sairam palavras que deixam qualquer ser vivo à beira de um ataque de nervos, quando ouvimos afirmar que alunos levam para a escola pistolas de calibre 6,35 e mesmo de 9mm, isto claro já não falando das centenas de facas, e ainda pior é o facto de serem os pais a dar esse conselho aos meninos e o respectivo armamento para sua defesa!
Será que andamos numa sociedade de loucos? Onde, como e o que fez até agora o Sr. PGR para combater tal anormalidade, ou melhor será que não existem casos de maior importância para serem resolvidos? Uma vez que julgo que os Conselhos Directivos deveriam resolver os problemas nas escolas, ou então lá vamos ter de criar uma Força de Intervenção Especial para colocar nas salas de aulas, lindo!
Vamos no bom caminho de facto, tanto estica a corda portuguesa que quero ver onde vai rebentar!!!

C Valente disse...

A má educação impera, Adeus mundo cada vez pior
Saudações amigas

Tiago R. Cardoso disse...

Concordo com o Sniqper, também eu fiquei de boca aberta perante tais afirmações, pais a darem pistolas a crianças de seis anos para se defenderem, isto a ser verdade, conforme afirmou o PGR, já não é o a beira do abismo, é mesmo já em queda livre.

NuNo_R disse...

Boas...

Ese assunto do telemovel ficará encerrado e esqecido portodos nós, público em geral quando aparecer novo tema que debata outra problmemática qualquer. Até lá ver-se-ão os opinadores do costume a levar ao extremo este tipo de casos.

abr...prof...

O Guardião disse...

Quase de volta, sim, mas desactualizado e incapaz de comentar, por ora.
Cumps

quintarantino disse...

BLONDEWITHAPhD most dearest, know we can both rest our cases ...

SNIQPER Noronha de Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça, terá adoptado uma medida que se devia estender ao representantes da Procuradoria Geral da Repúiblica: recato e silêncio sobre casos judiciais e nada de comentários.
Para se evitar alarvidades destas ...

quintarantino disse...

C VALENTE tem razão, impera a má educação mas sobretudo a má criação que, não parecendo, é coisa bem diferente!

TIAGO R. CARDOSO, fecha a boca rapaz ... estás admirado com quê?

quintarantino disse...

NUNO R é pena que consigamos passar assim tão depressa de um telemóvel para outro coisa qualquer ... não paramos para pensar ... mas tem razão ... os tempos correm assim!

GUARDIÃO folgo em ver que já ronda ... faz-nos falta!

Manuel Rocha disse...

Questões incómodas...

Por vezes pode ser pertinente ser-se impertinente...:))

indomável disse...

Quint, meu querido amigo, cá me tens de volta, mas sem muito tempo, por isso vou resumir e concluir...

O caso da Carolina Michaelis não é paradigma de coisa nenhuma... foi apenas um caso de desrespeito de uma aluna por uma professora e talvez tenha sido igualmente um caso de desrespeito daquela professora pelos seus alunos.
Nos meus tempos de adolescente em escola secundária, tive um professor - maçarico - que para além disso era igualmente muito mole, faltava-lhe a estaleca que é precisa quando se tem em mãos um grupo de adolescentes. Pois o caro senhor não tinha mãos na turma, ouvia-me as vozes dos colegas mais do que a dele e um dia ele resolveu do pé para a mão por na rua a turma inteira, os que falavam, os que não falavam, os que respeitavam e os que não. As vozes ergueram-se mais do que o costume, ameaças foram feitas e o professor encolheu-se. Colegas viraram-se contra colegas e eu fui das que defendeu o professor. Do alto do meu 1,55 na altura, disse-lhes que o professor estava ali para ser respeitado, que eu tinha mais que fazer que ir para as aulas perder tempo e que o meu paizinho não andava a trabalhar que nem uma besta para depois um grupo de energumenos não me deixarem tirar o proveito necessário... É claro que toda a turma se virou contra mim, e a aventesma do professor resolveu perguntar o que fariamos se fossemos ele... Depois do mal feito...
Devo dizer-te que sempre fui de grandes convicções. Durante o restante ano e 1º periodo do ano seguinte, uma turma de trinta alunos, tirando eu, não me dirigiu palavra... Eu refugiava-me na minha dignidade e circulava pela escola de cabeça erguida, sem me preocupar muito se concordavam ou discordavam do que eu pensava e dizia, mas antes de virar costas À turma e ao professor, tive ainda tempo de lhe dizer que um professor é um guia, está lá para nos mostrar que o conhecimento é o maior valor que temos e para isso precisa de mostrar respeito, para ser respeitado. Se tiver de levantar a voz levanta-a, se tiver de dizer a um aluno que se não quer estar na sala se ponha na rua que o faça, porque caso não o faça é toda a restante turma que paga.
Esse professor saiu a meio do ano, mas o mal já estava feito. a turma voltou a falar comigo quando outra professora conversou connosco e fez ver que eu tinha alguma razão e que os professores são os responsáveis pelo respeito dentro da sala de aulas.
Acontece, meu amigo, que eu já fui professora, de algumas das piores turmas da escola onde leccionei - era contratada fiquei com o pior dos piores... Mas sabes que ainda hoje encontro antigos alunos que me vêm dizer que nunca mais tiveram uma professora igual?
Os miudos de hoje não são diferentes dos de ontem... apenas têm um défice de atenção, carinho, vivem na ausência de afecto, na ausência dos pais, convivem com o digital e são criados por ele como se fossem o computador ou o telemovel os educadores... As faltas de respeito são defendidas pelos pais de alguns...
E eu limitei-me a passar a mão pelas cabeças, a dar um grito mais forte e a arregalar os olhos, dando a seguir a entender que o respeito é necessário para se trabalhar, mas era mutuo e eles sentiam-no...
Simples, não?

antonio disse...

Hum! Acho que já percebi porque é que o Carolina Miscasnelas, chegou a este estado!

quintarantino disse...

INDOMÁVEL simples é, quando queremos que assim seja e nos esforçamos para que assim suceda. Eu também dei aulas, também como contratado, apanhei de tudo e deixei de dar aulas em 1994.

Ainda há dias entrei numa loja e vem-me uma senhora ter comigo e pergunta: "Desculpe, mas não é o Professor de NAP?" (Noções de Administração Pública) ... eu sabia que era comigo, mas só soube que ela era a Paula "Rata" quando me disse!

E esta menina foi uma das que apanhei nos dois anos de Carolina Michäelis...

ANTÓNIO, não sabes, não ... esta era colega e eu era contratado!