Politicamente correcto? No raio que os parta!

Somos uma equipa jeitosa, temos um projecto que acho bom e, aqui e ali, damos e recebemos umas caneladas, diria eu se tivesse de procurar definir o projecto que dá pelo nome de NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAS (também podia dizer que gostaria que fosse visto como um espaço de acutilância, rebeldia, espírito crítico e solidário).

Que eu saiba nenhuma das pessoas que actualmente colaboram activamente no projecto quer galarim, não procura os holofotes da ribalta, não é “his masters voice”, não faz fretes e não é politicamente correcto.

Aliás, porque raio havia qualquer um de nós querer produzir escritos politicamente correctos?
Não são esses escritos e essas ideias que estão a inquinar muito do pensamento hodierno?
Ser-se politicamente correcto é não circunscrevermo-nos ao banal, à falta de “cojones” que nos impossibilita de questionar ou mandar para cima da mesa temas, pessoas e situações?

Este fim-de-semana, por exemplo, quem nos leu foi confrontado com duas opiniões sobre temas que dão polémica e não primaram pelo correcto.

Quem também tiver lido a edição da revista “Sábado” desta semana terá certamente visto um arremedo de entrevista miserável a Laura e John Midgley, dois britânicos fartos do politicamente correcto (quem também estiver e quiser pode dar uma espreitadela ao endereço http://www.capc.co.uk/) e que iniciaram uma campanha contra essa prática.

Exemplos de politicamente correcto existem muitos e alguns a raiar a estupidez.
Vejam, por exemplo, que ali se referia que uns vizinhos se zangaram porque o cão de uns só ladrava ao namorado preto da filha dos outros; ora, se o cão fazia isto só com aquele cavalheiro, então o cão era racista!

Na América (nos míticos States) os pretos são afro-americanos, na Inglaterra e até em Bruxelas se escondem os enfeites e as festas de Natal para não ofender susceptibilidades islâmicas, os homossexuais sentem-se com direitos acrescidos em relação a qualquer matéria, nada se pode dizer muito fora da linha sobre os judeus sob pena de se ser apodado de nazi …

Pois bem, agora digo eu … e se eu disser que um indivíduo como o Reverendo Jackson é preto, estou a mentir?
Ou que o Barak Obama pode ser tudo, menos branco estou a mentir?
São só os muçulmanos que podem ficar ofendidos com o Natal? Os budistas não? E os agnósticos? E os ateus?
E se eu achar que um homossexual, só por o ser, não tem de ter mais direitos que qualquer outro, serei um atrasado mental?
E se disser que, nalguns domínios, os judeus são belos intérpretes da canção do desgraçadinho estou a ser um SS?
Ou que a política nacional feita das “casinadas” do nosso Pedro Santana Lopes, aliado do Telmo Correia, antecedido do José Luís Arnaut e do Durão Barroso, das “submarinadas” e fotocopiadas do Paulo Portas ou as “assinaturadas” de José Sócrates é um poço de esterco?

Eu, por mim, já decidi. Se querem politicamente correcto então exijo que digam que sou europortuguês e jamais admitirei que digam que sou branco. Para começar...

E vocês?

45 comentarios:

mac disse...

Mas é por causa das tretas do politicamene correcto que a Europa está no buraco que se encontra. Somos um continente forjado a ferro e fogo, a civilização tal como a conhecemos nasceu aqui, foi na Europa que nasceram as ideias, e agora querem tirar-nos isso, e nós deixamos. Bem fizeram os dinamarqueses, que no aniversário dos cartoons polémicos, tornaram a publicá-los. Houve muito sangue derramado em prol da liberdade de expressão, e agora querem amordaçar-nos...Só falta nós dizermos: vai usar pano ou fita cola?

António de Almeida disse...

-O politicamente correcto é cobardia. É subordinar toda uma sociedade aos caprichos das minorias, quando o que estas devem ter é direitos, não mais que isso. Por isso também não gosto de quotas. Bom texto, concordo com o ponto de vista.

Tiago R. Cardoso disse...

Politicamente correcto é uma expressão da moda, como o politicamente incorrecto também já começa a ser, começam a ser de facto é expressões vazias, onde o verdadeiro significado foi alterado.

Hoje transformou-se ou pretende-se transformar o politicamente correcto numa forma de “castração” da opinião, se alguém levanta um problema ou questiona um dogma da humanidade, logo é conotado como um mal educado, um reaccionário, um extremista, etc.

Defino dogmas como sendo alguns dos casos que apresentas, são inquestionáveis e imutáveis, são aquilo que ninguém pode questionar.

Tudo é questionável, tudo deve ser questionado, nada pode ser imutável, a única coisa que o é, e digo isto sem ser politicamente correcto, é a educação, não se deve confundir o politicamente incorrecto com a falta de respeito.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Penso que o "politicamente correcto" está associado à ascensão das chamadas classes médias e das classes governantes, as quais se corrompem mas sem desejarem ser rotuladas como tal. Ou em linguagem mais directa: elas são os aliados da exploração ou mesmo os agentes exploradores, sejam de direita ou de esquerda. A linguagem burocrática está associada a esse ocultamento das novas realidades da exploração e da opressão. Aliás, as ditas "ciências sociais" são o veículo da nova ideologia que gosta de recorrer aos "estudos técnicos" para encobrir os seus reais interesses de classe. O Centro é a face visível desta realidade!
Ainda bem que existe pluralismo intrabloguíco. assim, a Blonde não me fulmina! A Filosofia é sempre hegemónica e, onde não o é, há corrupção, ditadura, totalitarismo... Trata-se de memória e tradição, aquilo que está a morrer...

Zé Povinho disse...

Não há nada de errado em produzir textos politicamente incorrectos, ainda que esse facto possa desencadear comentários ou acções pouco agradáveis. Eu faço-o bastas vezes e sei bem o que é ter a caixa do correio cheia de textos simplesmente inconcebíveis (geralmente não o fazem na caixa de comentários, sei lá porquê). Meu caro Quintarantino, a liberdade de expressão tem custos, numa sociedade que se pretende formatada e ao gosto dos poderes vigentes. Há ainda outra coisa menor que também pulula por aí, a inveja ou mesquinhez, mas a isso não costumo sequer responder.
Abraço do Zé

Blondewithaphd disse...

Quinn, tens a certeza de que não queres publicar estas linhas no espaço opinativo de um qualquer periódico de referência? Era um bem que fazias à comunidade!

Pois, eu não me importo que digam que sou branca, caucasiana, caucasóide, o raio que parta (já que pelos vistos até parece que sou uma tipa fulminante).

Mais uma vez, Quinn at his very best!!! Sarcástico q.b. e muito assertivo. Amei!

Sniqper ® disse...

Bem, começo por dizer, gostei. Politicamente correcto ou incorrecto? Que raio de doença é essa e como se propaga?
Caro Quintarantino, eu esperava faz tempo por um texto igual a este que publicou, pelo simples facto de o achar directo e não ofuscado pela fama ou populariedade, parabéns.
Definindo o Notas Soltas, direi que é um espaço onde são colocadas muitas questões, sendo no seu contexto geral, um espaço que provoca agitação nas mentes e discussão, o que é bom e faz pelo menos acordar os zombies, esses que se alimentam da conduta socialmente correcta, ou seja que nos vão "comendo" com um sorriso e palmadinhas nas costas.
Eu, por mim, já decidi. Gostem ou não gostem da forma como comento ou escrevo, não me interessa nada, o que de facto me interessa é a minha consciência e, essa está limpa e saudável.
O segredo é simples, olhar, analisar e falar, sem medo, simples.

quintarantino disse...

MAC aqui, e enquanto eu puder, nem fita cola, nem pano ... mais depressa sai um pontapé no fundo das costas!

Discordo que a Europa esteja como está única e exclusivamente por culpa do politicamente correcto. Aliás, o dito cujo só surge porque já há muito que somos uns fracos, uns incapazes.

A última de que os "barbudos" se lembraram agora é que não se pode, nem deve comemorar S. Valentim. Estejam atentos, mais dia, menos dia... acaba!

ANTÓNIO DE ALMEIDA, subscrevo completamente.

TIAGO foi com essa teoria de que se pode questionar tudo, se pode colocar tudo em causa que chegamos ao ponto em que estamos. Há coisas que são imutáveis, queira-se ou não.
Mas isso é assunto para outras conversas!

quintarantino disse...

J. FRANCISCO SARAIVA DE SOUSA, meu caro, se me é permitido o amigo não arranja aí assinatura bloguística mais pequena? Bem sei que o nome tem ressonâncias quase aristocráticas, mas é que não dá jeito nenhum escever aquilo tudo...

Permita que não concorde quando diz que o politicamente correcto está associado à ascensão das chamadas classes médias e das classes governantes. Está, isso sim, e na minha óptica, associado a um declínio civilizacional, a uma falta de vontade e incapacidade em nos batermos por aquilo que é a nossa marca de chancela. Claro está que a ausência de crença em valores também ajuda...

No mais, não tenha receio nem da Blonde, nem de ser fulminado. Ela é excelente pessoa mas, conforme já percebeu, dona do seu nariz e moça de múltiplos saberes. E o amigo se tem receio de ser fulminado, não está já a ser politicamente correcto?

ZÉ POVINHO, inveja e mesquinhez são, de facto, imagem de marca de muita gente e veneno que entra insidioso por onde menos se espera!

BLONDEWITHAPhD, olha eu publicar isto num jornal de referência?

E achas que alguém lia?

Eu lá com a exigência do "europortuguês" é só mesmo para chatear. Vê bem, tu seria sempre uma quê? "Eurogermanotuguêsinglesa"? Uau ...

adrianeites disse...

concordo quintarantino...

que se fod***o politicamente correcto...

o que é é!!..

boa semana

joshua disse...

Eu sou all in favour do discurso de ruptura e das merdas ditas em nu, Tarantino! O Governo é um filho da puta sem alma e sem sensibilidade para com as pessoas concretas: corta onde pode e não age de modo pro-activo ou sinergica e imaginativamente no sentido do bem geral, senão do bem particular dos mesmos de sempre.

A Oposição está cerceada por via da propaganda do Primeiro-Ministro, o verdadeiro patrão das televisões e dos jornais, ele que é o grande funil da Liberdade de Imprensa contra ele ou pela verdade completa e o grande motor dos rumores retroactivos de outras governações.

Os demais comentadores aqui do Notas são do mais insosso que há: não se lhes lê um caralho que destoe, nunca rebentam com a puta da correcção, nunca se passam, nunca sangram, nunca sofrem, nunca babam. Mesmo quando discordam com os postulados das postas é como se assim-assim concordassem e tal. A sniqper conginua uma caga-leis, acima, muita acima de todos nós naquela ultraconsciência cyborgue.

Enfim, soube bem romper com a decência toda agora mesmo, Tarantino.

Um Abraço Amigo

PALAVROSSAVRVS REX

quintarantino disse...

SNIQPER, obrigado pelas palavras de incentivo. Embora nem sempre seja fácil manter uma postura de equidistância e de dizer as coisas que nos vão na alma de forma directa, é esse o caminho.

Estou quase onde já chegou ...

ADRIANEITES eu sabia que estávamos em consonância. Neste domínio, só podíamos!

JOSHUA, menino que má disposição, qe má catadura é essa?

Bem sabes que te considero, mas tu quando te dá a mosca vai tudo à frente ... ó meu ... és do piorio ... tens de ser um optimista, aliás, é obrigatório que o sejas que eu não admito concorrência nesse domínio!

Carol disse...

Politicamentecorrecta, moi? Como sabes, nunca o fui e nunca o serei! O que penso digo quer gostem ou não gostem.
Como dizes, e bem, nenhum de nós anda atrás de holofotes e aplausoa. Escrevo o que penso, leio os comentários e concordo ou discordo. Aprendo muito com todos vocês da equipa e comos comentaristas, mas não estou aqui para agradar às hostes. Quem gosta, gosta quem não gosta... Paciência!
Quanto a ti, continua a ser quem és. É assim que gosto de ti!

Um Momento disse...

Hein??
Até me fui mirar ao espelho para ver de que cor sou... mas chegei á conclusão que estou sempre a mudar de cor...
Quando me farto do Politicamente correto acho que fico vermelha , se dou uma cabeçada lá fico matizada com uma nodoa negra e se por acaso me atiram areia aos olhos quando dizem não ser o que me salta aos olhos que é ... ai nem sei como fico... mas pronto.. como eu sou igual a tantos outros ... lá se foi o politicamente correcto e ando para aqui a dizer o que me veio á "tola"
Ops... era um palavrão?:)))

Bom Post... como sempre me habituas-te Quint:))

Boa semana desejo

(*)

lusitano disse...

Diz-se na nossa terra, Portugal, que «não se pode cavar na vinha e no bacelo» e o cá para mim o "politicamente correcto" é pretender fazer o contrário do que diz o provérbio, ou seja, pretender "estar bem com deus e com o diabo».
E assim não se vai a lado nenhum...

Compadre Alentejano disse...

O políticamente correcto é,segundo a minha interpretação, aquele que nunca se engana e raramente tem dúvidas. "Direitinho" "esticadinho" "aperaltado" a dizer sim ao chefe, logo "his master voice".
Ora eu sou contra estas normas, frontalidade acima de tudo.
Lembrem-se que os amigos são aqueles que nos dizem o que não gostamos.
Um abraço
Compadre Alentejano

antonio disse...

Amigo Quint, nalgumas partes do Norte da Europa não sei se não o tomavam por árabe...

Mas o meu amigo lida bem com menoridades, ou não viveria feliz com o facto, de depois de ter cursado direito, tenha falhado uma carreira de advogado e se ficado por jurista...

bluegift disse...

Não concordo nada contigo rapaz! Por uma razão muito simples: eu já sou politicamente incorrecta por natureza, imagina agora se me metessse aqui a concordar contigo?! Estava feita!
De perder o emprego à família e amigos, acho que só ficava com o meu gato e as minhas sobrinhas que não se ofendem com nada do que eu faça. Nã, não me convences...

Agora a sério. Acho que hoje se anda a exagerar no uso do princípio do "politicamente correcto". Há níveis em que não se deve melindrar as pessoas ou nações por uma questão de humanidade, equalitarismo e boa convivência. Os casos cretinos a que hoje assistimos tresandam a aproveitamento ou burrice política, tal como essa do dia dos namorados e dos enfeites de natal no tribunal de Bruxelas e congéneres. Condenar a cultura de base de um país para não ferir as susceptibilidades culturais de um dos grupos de imigrantes (sim, porque os outros pelos vistos não são gente), não é hipocrisia nem respeito pelo politicamente correcto é pura burrice e claro desrespeito pelo mais correcto de tudo: o respeito pela cultura de base do país! São erros graves que nos vão custar muito caro no futuro próximo.
Um dia escreverei um artigo sobre o que se passa neste "país" surrealista onde agora me encontro. É mesmo de bradar aos céus, acreditem, e não é só à custa dos marroquinos.

quintarantino disse...

CAROL, gosto dessa tua postura de aprendizagem constante e de disponibilidade para aprender constantemente.

UM MOMENTO, menina há quanto tempo? E olha, depois de te ler, fiquei com uma dúvida face a tanta profusão de cores ... tu és um pacote de pintarolas?

LUSITANO, quando se quer estar de bem com Deus e com o Demo acaba-se com problemas de coluna vertebral.

quintarantino disse...

COMPADRE ALENTEJANO, quantos já se esqueceream que "os amigos são aqueles que nos dizem o que não gostamos"?.

ANTÓNIO, homem de Deus, andas obcecado com a minha convivência com seres menores?

E tiras essa ilação da minha sã convivência com a menoridade pelo facto de ter cursado Direito e ter falhado como advogado e me contentando com ser jurista?

Caramba, as coisas que tu vês! E o que sabes ... mas olha, podes aduzir aí também que falhei como professor, como jornalista, como adjunto e assessor de políticos, e como relações públicas.

Como advogado, não porque a cédula profissional tenho-a, embora esteja guardada na Ordem dos Advogados.

Mas sou feliz assim. A sério.
Para ser infeliz tinha de ser engenheiro daquilo que tu sabes!

BLUEGIFT, vamos lá ver ... não é possível tratar-me por general e não estar de acordo comigo. A menina ainda vai parar à trincheira outra vez!

bluegift disse...

Há um outro tema bastante polémico que vem também a propósito do "politicamente correcto": é o papel hipócrita de uma boa parte da massa jornalística das grandes publicações.
Seja em Portugal, Inglaterra ou França, Alemanha (bastante menos nos EUA, pasme-se) os jornalistas estão cada vez mais a transformar-se em papagaios dos grandes grupos de influência. Dentro de algum tempo receio que a única forma de saber o que realmente aconteceu numa situação é recorrer a blogues e outros outsiders de publicação que tenham a ousadia de romper com esta cambada de cobardes, vendidos, sem dignidade nem vergonha na cara.
Confesso que me metem nojo quando os leio ou vejo na televisão a debitar dólares e favorzinhos cheios de melaço. A imprensa inglesa então está cada vez pior. Aflitivo.

Blondewithaphd disse...

Ó Quinn, lamento, mas ainda te faltam ali uns genes perdidos no meio daquela confusão europeia em que me puseste;)

bluegift disse...

Generali, mi desculpi, para a próxima será piori, oui?! (olhinhos piscando)

Mas olha, aproveitando o que diz o nosso Tóino (que um dia a provocar a provocar ainda fica mesmo sem penas), o problema do overqualified é algo muito difícil de engolir por certas mentes. É um fenómeno que ainda hei-de estudar com maior profundidade, porque será que os overqualified incomodam tanta gente? hein?!

Maria P. disse...

12 palavras na Casa.

Beijinhos*

quintarantino disse...

BLUEGIFT, tu vais ver, vais vais ...

Não lhes chames jornalistas. Aquilo são projectos, arremedos. Tu já viste que agora as notícias são, muitas delas, no condicional. E por meias palavras?

BLONDEWITHAPhD, eu saber lá dos genes sei de mais alguns, mas tens de convir que ficava um mapa genético-nomístico muito complicado!

indomável disse...

Quinty,

O politicamente correcto ou para dizer na verdadeira acepção - politically correct - surgiu como resposta à necessidade de requalificar uma série de atitudes que poderiam susceptibilizar sensibilidades nos EUA... Ora como podes ver, só a explicação já mostra a cagada que isto é!
Politically correct é uma forma de nos foder o juizo e pardon my latin.
Que dizer do mastronço do Bush que pare obscenidades a cada 5 segundos e depois se refere a um negro como afro-americano? Como é que um negro nascido nos Estados Unidos é afro-americano? Como é que o latim é uma lingua falada na América Latina?
Como, digam lá, como é que no pais onde tudo o que de mais incorrecto existe é praticado surge a ideia do politically correct?
E como é que nós, povo de costumes tão brandos e com uma sensibilidade tão grande, nos deixámos cair nessa merda?
Pardon my latin, novamente.
Nos dias que correm vê-se uma multidão a obedecer mais do que a viver! Não raro se vê alguém albardar o burro à vontade de toda a gente, à excepção da sua própria vontade. Que equivale a dizer que mais facilmente aceitamos o que nos dizem, do que aquilo que pensamos por nós.
Dá muito trabalho pensar, decidir, investigar. Dá mais trabalho responder com um não sentido, do que com um sim hipócrita.
Sim, concordo com este texto e este meu sim não podia ser mais sincero. Não, não concordo nada em chamar alguém de afro-europeu, quando eu nasci em África e esse alguém nasceu na Reboleira...
Não, não concordo nada em dissimular algo que penso e sinto no mais profundo do meu ser. Se não concordo não concordo, depois trato é de fundamentar o meu não...
E é isto que se passa. A fundamentação foi substituida pelo correcto. A correcção moral veio sobrepor-se ao pensamento genuino e fê-lo tão bem que já ninguém pára para pensar em algo tão simples como - será que acredito verdadeiramente no que estou a dizer?
Enfim... eu ainda estou a tentar engoli aquela bestialidade do latim ser a lingua dos povos da América latina... vá-se lá saber porquê...
Deve ser do meu mau feitio...

NuNo_R disse...

Será que dá para ser apoliticamente correcto, é que ser eu quer ser assim... ehehe

Continuem como são ( membros do painel) que este blog ainda tem muito para dar, seja politica ou "correcteza"... ehe


abr...prof...

quintarantino disse...

INDOMÁVEL, um comentário a fazer jus ao pseudónimo. Tu chegas-lhe e bem!

NUNO_R, não te preocuopes meu caro, pela parte que me toca ainda tenciono andar por cá a "aborrecer" alguns durante uns tempos!

O Guardião disse...

Mais um excelente artigo contra a mediocridade que vemos por aí, de gente que não quer assumir as suas opiniões livremente e que se acha no direito de exigir que os outros também o façam. Certa ou errada, a pessoa deve expressar a sua opinião em liberdade, a menos que se queira enfileirar juntamente com a carneirada. O pensamento único era a felicidade dos nossos políticos, mas não lhes vamos dar esse prazer, nunca!
Cumps

Vieira Calado disse...

De baixo de muitos e variegados pretextos, certos grupos lá vão escondendo o seu verdadeiro rosto,
porque confiam em que sejamos politicamente correctos....
Quanto ao Merdock, foi "de cana"
e não era certamente para passar férias, no canil...
Um abraço

C Valente disse...

Muito bem, nunca pensei nem penso que alguma vez quem faz este blog pretende-se holofotes, destaque, mas sim contribuir para a verdade e alertar para o politicamente estupidamente correcto, que n�o passa de uma falsidade, dos politiqueiros (sim no pior sentido)
Sauda�es amigas

quintarantino disse...

O GUARDIÃO caríssimo, já Nietzsche se batia contra a uniformidade. Ele e muitos outros pensadores. Daí que, conforme saiba, aprecie as suas sempre oportunas intervenções. Aqui mas sobretudo no seu blogue.

VIEIRA CALADO estou plenamente convencido que o próprio Merdock foi de cana por ser politicamente incorrecto!

Pata Negra disse...

Vá lá Quintarantino, sigam em frente e não se entretenham a ouvir a voz do velho! A Blogosfera, por enquanto, é ousadamente livre e profundamente democrática, nunca a sociedade teve um espaço assim!
Viva o políticamente incorrecto que fartos de políticos correctos estamos nós!
Um abraço solto

quintarantino disse...

C VALENTE, meu caro amigo, a nós bastam-nos os raios de luz que todos os nossos amigos blogosféricos nos trazem.

PATA NEGRA, em frente é o caminho. E ele será rasgado.

Jorge A. disse...

Caro Quintarantino, não é bem uma resposta, mas é mais uma divagação em torno do seu texto (e do comentário que por lá deixou), se quiser dê uma espreitadela:

http://mindwakeup.blogspot.com/2008/02/politicamente-correcto.html

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quint
Para mim só é politicamente correcto aquilo em que acredito e só há uma forma de transmitir, aquela que é coerente com aquilo em que acredito.
Para baixar a canga não precisamos de blogs. Já há muitos candidatos a isso.
Um abraço

quintarantino disse...

JORGE A lá irei... de certeza!

LÌDIA, de ti não esperava outra coisa mas permite-me ... isso não é politicamente correcto, é coerência.

Baixar a canga? Essa aí ...

antonio disse...

Quint, essa do engenheiro esteve boa... mas agora é uma profissão de grande latitude e praticamente tudo cabe na designação de engenheiro. Está de tal forma que nem para fazer uma piada serve.

Quando muito: ó engenheiro, como vai esse Inglês técnico?

Aprecio o teu espírito Cristão, Bíblico, de te dares com todos, com os menores, até comigo, pois está escrito: felizes os pobres de espírito, pois deles será o reino dos céus!

quintarantino disse...

ANTÓNIO não te fies nessa de eu ter sentido bíblico e muito menos me vejas como um pobre de espírito ... às vezes gosto de me fazer de tonto e pobre de espírito, mas é só mesmo para ver até onde vai a prosápia de algumas aventesmas!

Dalaila disse...

são duas palavras que me repudiam qunado juntas

antonio disse...

Quint os pobres de espírito a que me referia, não eras tu, mas os que acuso de menoridade... olha tipo paixão que o Josh tem pelo LFM.

quintarantino disse...

ANTÒNIO, ó homem da escrita criativa mas tu achas que eu ia achar que tu me estavas a chamar uma coisa daquelas?

Eu respondi, mas era para testar e ver até que ponto a coisa ia. Era assim a modos que uma indirecta. Sabes como é... a gente manda umas bocas para o ar e vê no que dá!

Peter disse...

Eu sou o Zé Povinho com uma albarda de burro em cima, como o desenhava o Raphael Bordallo Pinheiro, no "António Maria".

Fragmentos Culturais disse...

Gostei de ver aqui bem 'plantados' todos os exageros a que se chegou... como os medos de ofender algumas, só algumas susceptibilidades!

É que as outras, as nossas, não são dignas de ser ´respeitadas'...

Sabe o que é politicamente correcto?! Agirmos segundo a nossa consciência e com verticalidade!!

Este mundo anda muito hipócrita!! Cometem-se as maiores 'bárbaries' e depois vêm com 'pele de cordeiros' :(
Francamente! Sejamos lúcidos!!

Sensibilizada pelo olhar atento em 'fragmentos'
Um beijo

quintarantino disse...

PETER, o meu caro amigo pode ser o Zé Povinho mas de "burro" não tem nada. Nem a albarda.

FRAGMENTOS CULTURAIS, nem mais. Só as susceptibilidades alheiras, ou pseudo susceptibilidades, é que parece que têm de ser respeitadas. A nós querem-nos a comer e a calar, mas comigo não!