Do outro lado do mundo ou .... talvez cá deste!

Bem vindos a 2008!

Devo confessar-lhes que hoje acordei para o lado esquerdo. Sinto-me revoltada com o que vejo, leio e oiço. Reconheço que também disse algumas daquelas patacoadas que muitos dizem e que, também, já me soube bem dormir e acordar sem grandes preocupações quanto à subsistência. Não é que eu tenha agora mais motivos para as ter mas dói-me, de sobremaneira, as injustiças sociais, que não consigo não ver, e os discursos, tipo fast food, com que os nossos políticos pretendem enganar a nossa fome de acreditar em alguma coisa.

Nós não podemos continuar a consumir e a deitar a embalagem fora assim sem mais nada. Temos que questionar o que comemos!
Qual a nossa realidade actual e onde nos inserimos nestas transformações crescentes e desaustinadas?

Que implicações trouxeram, para as nossas vidas, determinados fenómenos como a 3ª.revolução não industrial mas digital, a queda do socialismo ou esse neoliberalismo desenfreado de que todos falam? Será boa ou má essa tal globalização que muitos contestam?

Hoje acordei para o lado esquerdo. Também já não sei o que é o direito tão baralhada ando!

Parece que os ideólogos da modernidade já recusam o conceito de globalização por o consideraram demasiado vago para traduzir a realidade presente. O economista francês François Chesnais diz mesmo que o que está em causa não é bem uma globalização, essa forma una de encarar o mundo, mas sim uma mundialização que consiste numa nova fase de acumulação de capital.
Com o novo impulso alcançado com a queda do socialismo dos ex-países da cortina de ferro, o neoliberalismo consegue os seus principais objectivos adquirindo todo um conjunto de condições para, sem entraves, se desenvolver. Pode agora, também, livremente vender a ideia de um mundo novo, sem fronteiras, onde os empresários e os donos do capital terão como desafio conquistar novos espaços.

Visando a absoluta liberdade do mercado e a redução drástica da intervenção estatal em diferentes domínios de serviço público, o neoliberalismo tem vindo a consolidar-se através da restauração do poder de classe de uma pequena elite de financeiros e quadros de alta direcção que vivem pendentes dos mercados de capitais e da sua especulação muito mais que da criação da indústria e do emprego. Eles enriquecem e os outros empobrecem. Mas como é neles que está concentrado o controlo sobre os processos políticos e instrumentos de persuasão, eles não param de nos fazer passar a mensagem de que efectivamente o mundo está muito melhor (E quando não dá para dizer que é o mundo, diz-se que é a UE, ou então a nossa chafarica chamada Portugal.).
Omitem, muito convenientemente, que neste mundo onde se revêem em paradigmas, como o dos Estados Unidos, as populações vivem hoje pior que nos anos 70 e mais fragilizadas no acesso ao ensino público, cuidados de saúde e outros serviços similares que passaram a ser contabilizados.

É preciso que se diga que nesse país-modelo das grandes oportunidades, denominado Estados Unidos da América, há, segundo relatório anual publicado pela Coligação Contra a Fome, um nova-iorquino em cada seis a sofrer de fome, o que equivale a 1,3 milhões entre os quais mais de 400 mil crianças. Ainda segundo Joel Berg, responsável por aquela entidade, um número crescente de pessoas recorre à “sopa dos pobres”, cuja procura aumentou 20 por cento desde 2006. Nos distritos do Bronx (norte) e de Brooklyn (sul) os centros de acolhimento recusam mais gente por não conseguirem responder às necessidades.
Também o Gabinete de Recenseamento dos Estados Unidos divulgava, em 28/8/07, que a população a viver abaixo do limiar da pobreza se situava nos 36,5 milhões e que haveria cerca de 47 milhões que não estavam a cumprir os pagamentos dos seguros de saúde.

Bom, mas isto é só um aparte. Estamos em Portugal e em Portugal está tudo “baril” segundo o nosso PM, José Sócrates. Bem mas como os portugueses ficaram de boca aberta a olhar para o céu à espera do milagre, o nosso PR já esclareceu que não havia milagre. Mas há boas intenções e penitências para que o milagre se dê.

O que é importante é calar as vozes que andam por aí a falar, ou a escrever, sobre a nova caridade e o desmantelamento do Estado Social. Ainda não há muito tempo li no Público um bom artigo do Paulo Ferreira que já não posso comentar porque senão os visitantes atirar-me-iam, virtualmente, com ovos podres à cabeça por eu não parar de escrever.

Resta-me pois desejar a todos os que nos visitam um BOM ANO de 2008!

32 comentarios:

António de Almeida disse...

-Que dizer? Aqui estamos de acordo nos objectivos, em desacordo nos caminhos a tomar! Também não vamos discutir doutrina económica, não é? Eu não acredito num estado social, e acredito que a economia liberalizada cria riqueza, a todas as realidades que apresenta, e são verdadeiras, não questiono, também afirmo que o estado tem responsabilidades, via fiscalidade excessiva, mesmo nos EUA, onde financiam eles o Iraque? quanto á globalização, mesmo numa ótpica dos defensores do lucro, já pensou, se fossem criadas condições de mercado em África, quantos consumidores não iriam beneficiar a economia global? em simultâneo, quantas pessoas não seriam salvas da fome? o que quero afirmar em conclusão, é que liberalismo económico e desenvolvimento social, não são incompativeis forçosamente. Mas são pontos de vista, cita a escola económica francesa, eu prefiro a de Chicago desde sempre, mas como disse atrás, doutrinas não são passiveis de discussão, acreditamos nelas ou não.

NINHO DE CUCO disse...

Os caminhos do neoliberalismo recordam-me as opções das famílias endividadas: estas últimas, quanto mais dívidas têm, mais empréstimos contraem e, os ideológos do nealiberalismo, estão sempre a vislumbrar mais soluções que defendam a teoria económica à medida que ela vai provando ser de todo ineficaz para resolver os problemas da humanidade. O fosso entre ricos e pobres não pára de aumentar e os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. Não sei como é que, deste modo, se mata a fome em África. Negociando com Eduardo dos Santos, o mais rico de Angola e, provavelmente, o mais corrupto? É preciso não esquecer que as 55 maiores fortunas em Angola são suficientes para acabar com a fome e a miséria no país. A pobreza no mundo deve-se a uma má distribuição da riqueza.

NÓMADA disse...

As novas tecnologias ao permitirem encurtar distâncias e colocar os agentes económicos, em tempo real, nos mercados financeiros, potenciam um enriquecimento especulativo que não corresponde àquela criação de riqueza que traria o desenvolvimento sustentável através da criação de postos de trabalho e da menor dependência do exterior.
Infelizmente adivinha-se, para o ano que começou, o acentuar da crise na UE e nos EUA, com os inerentes reflexos negativos na nossa economia.
As crispações entre os que nada têm e os que rebentam pelas costuras de tanto terem tenderão a agudizar-se.
É com receio que olho o futuro.

Blondewithaphd disse...

I think the main issue here is the challenge of modernity. The world today is facing deep changes and societies are caught in the midst of those changes and not able to cope with them. What is happening with the USA has happened before with other nations that in different historical periods have taken hegemonic positions in the world: great prosperity and leading power and deep misery and social contrasts (é à conta disto que tenho feito a carreira e é um assunto inesgotável e insolúvel, por isso vou calar-me).
Neoliberal economics and politics is what we have right now. At this moment societies in the so-called developed world consider this the best suited model for our present. It will end up being replaced by something else in a not so remote future.
Progress, development, contemporaneity are not easy processes for us to assimilate.
I understand why you woke up on the wrong side of the bed! And would like you to go on writing on this subject because you have very interesting ideas and concerns on it.
A wake up text to begin the year!

quintarantino disse...

Uma das premisas básicas para qualquer discussão que se possa fazer em torno deste texto passa obrigatoriamente por responder à questão: liberalismo económico e desenvolvimento social são, ou não, incompatíveis forçosamente?

Posta a questão nestes termos aparentemente simplistas, parece que ganharão os adeptos do "NÂO".

Mitigada, contudo, com uma outra vertente, penderá a balança forçosamente para o "SIM".

E que vertente é essa? Será a da ética, moral, honradez... chamem-lhe o que quiserem.

É preciso não esquecermos que as decisões económicas e financiras dos grandes grupos económicos internacionais assentam, muitas vezes, na mais pura hipocrisia, tentativa de alcançar o lucro pelo lucro e pouco mais que isso.

Só assim se explica a táctica do beduíno em matéria de investimento estrangeiro, de sedear convenientemente as empresas em paraísos fiscais, o planeamento fiscal, a interferência despudorada na cena política, e por aí fora.

Levada ao extremo, esta prática levar-nos-á à revolução. Ou à mais violenta das opressões. Não há meio termo neste domínio.

Os que estão contra o Estado Social deviam, em Portugal, estar ferozmente ao lado do governo de José Sócrates. Por questões de coerência.

Os que estão contra o Estado Social e a intervenção do mesmo na economia deviam bater-se pela mais absoluta proibição de quaisquer incentivos financeiros à modernização, captação de investimento estrangeiro e promoção, por exemplo; quem não quer o Estado na economia, deve lutar pelas suas próprias armas e não andar pendurado na "teta" dos subsídios comunitários, dos incentivos e das isenções fiscais...

O que se ve é que quer-se a maior desprotecção do indivíduo, do cidadão, ante os poderes económicos, quase que o empurrando para os braços dos privados em domínios como a Saúde e bens essenciais no domínio do Ambiente, por exemplo. Paradoxalmente, na Saúde e no Ambiente campeiam quadros e técnicos do público. Deve ser porque são fracos!

Mas exige-se que seja os poderes públicos a financiar estas actividades. Em nome da concorrência, claro está!

É a coerência do capital no seu melhor. Aliás, tão boa que até o próprio Presidente da República teve de vir a terreiro chamar a atennção que, na sua modesta opinião, os nossos gestores ganham demais em relação à média salarial portuguesa. E para aquilo que valem.

E não rejubilem já pois não me quis parecer que estivesse apenas com o Armando Vara no pensamento!

Pata Negra disse...

Em síntese: boa síntese. Falta talvez dizer que eles conseguiram convencer as pessoas que só há este caminho, por cá, que só há PS(D)...
"Só sei que não vou por aí"...

Manuel Rocha disse...

Questões vastas e pertinentes.

Gostei da reabordagem do Quint.

No fim da leitura ocorreu-me uma história real que vou tentar contar com o minimo de palavras.

É assim:

Na minha actividade há determinadas épocas em que necessito de colaboração. Tinha um acordo de prestação de serviços eventuais com uma pessoa que tem acordos semelhantes com várias outras que necessitam do mesmo tipo de serviços eventuais. Refira-se que não é por serem eventuais que estes serviços não permitem o estabelecimento de um horário e de uma rotina.Permitem. A pessoa em causa não passa facturas pelos serviços prestados, e se eu os pretender com factura não encontro quem os preste.Mas adiante. Aqui há tempos esse colaborador pediu-me para lhe assinar um documento. Tratava-se de um documento do centro local de emprego para provar que se dedicava á "procura activa de emprego". De facto, todas as outras entidades a quem ele presta serviços já tinham assinado e carimbado em como não precisavam dele, embora lá continue a ir nos moldes rotinados.
Julgo que fui o único da lista que não contribuiu para o "peditório" e que além disso prescindiu dos serviços por não gostar de colaborar em fraudes organizadas.
Adivinharam, claro! O meu ex colaborador recebia subsidio de desemprego.E como tal deve fazer parte da celebrada lista do meio milhão.

Contactei o centro de emprego para recrutar novo colaborador, mas desde há três meses, nada! É longe! "Longe" significa 8 km ! Argumento que vou buscar e levar de volta ! Mas parece que ninguém ouviu.

Portanto, não temos "estado social", certo ?

E espero que o Quint não me meta um post-it socrático na testa por conta desta....

Sniqper ® disse...

Um bom milagre seria mesmo que alguém fizesse calar a boca a certos Senhores, tais como o dito cujo PM, se para ele está tudo "baril", algo então se passa ou com a visão dele ou com a nossa permissão.
Um olhar atento para este Mundo deixa-me preocupado, ouço muita conversa, muitas ideias, muita tecnologia, mas nada disso está a impedir a morte de milhares e o engordar de dezenas, será que este será mais um ano igual, ou será que algo ou alguém irá conseguir travar este caos!?

quintarantino disse...

Manuel, meu caro amigo... você está carregado de razão ... conheço aqui, no Vale do Ave, casos desses ao pontapé ... e lá quanto ao "post-it" ... não há problema ... eu não faço isso ... não julgo as pessoas por aí. aliás, nem podia ... o homem também levou a minha cruzinha! Mas que às vezes, ou muitas (depende dos gostos), se porta mal, lá isso porta ...

ANTONIO DELGADO disse...

não á muito tempo li um artigo em jornais espanhois sobre a economia global e a ideia que me ficou é a de ser um campo onde medram muitos " astrologos"...assim designava o especialista os economistas. E basta ver as previsões feitas quer pelo FMI, quer por outras entidades de relevo mundial: as previsões nunca batem certas sobre que tema for. No fundo esta questão a do capitalismo prende-se com factores sociais concretos como o desenvolvimento a saude, a educação e consequentemente a capacidade de produção etc. mas aquilo o que lhe dá o consumo é mais complicado do que parece, porque são as sociedades. Estas pelo fluxo das comunicações tem uma mobilidade e uma dinamica cada vez maior e que geram cambios de mentalidades acelerados e, por vezes, não permitem a aplicações de programas até ao fim por se tornarem desfazados...veja-se o que acontece com as descobertas na ciencia (medecina...só para falar um caso. Independentemente do capitalismo avançado por detras de tudo isto esta o principio inventado por Guy DEbord o da Sociedade do Espectaculo. Talvez seja por ela que se devam de explicar estas coisas. Apesar de não ser um tema que domine, a economia, preocupa-me sobejamente porque aquilo que se passa num determinado lugar do planeta (recordo a teoria das catastrofes) acabará por ter efeitos no meu modo de vida. Este ponto terá de ser reflectido igualmente devido às solidadriedades internacionais.Talvez sejam elas que possam amenizar a selvejaria existente e os reflexos que tem no nosso Pais, tão ao gosto dos vendedores de sorrisos como podem ser politicos como o nosso 1º. M.. Mas até lá temos um longo caminho de sensibilização a pecorrer. Um excelente 2008 para o Quintarantino e todos aqueles que animam este espaço de referencia. Quer como leitores quer como comentadores.

Um abraço forte e fraterno. Bom 2008
António

Tiago disse...

Epá! Isto para aqui está quentinho! Vou só botar mais umas achas para a fogueira!Acho que tens razão em tudo o que dizes e que é um facto. Se o neo-liberalismo, um brilhante eufemismo para capitalismo selvagem e desenfreado, gera riqueza, é incontestável que gera também muita pobreza e cada vez mais desigualdades sociais e, pior, é em grande parte das vezes inimigo do meio ambiente! É também o neo-liberalismo a causa de muitas das guerras que se travam na actualidade - Quem acredita em armas de destruição maciça no Iraque acredita no Pai Natal!
Mas acima de tudo, o grande problema deste sistema económico é a hierarquização pela acumulação de capital. Manda no país quem tem mais dinheiro. Manda no mundo o país com mais dinheiro... E QUEM SE LIXA É O MEXILHÃO!

Tiago disse...

Ainda não tinha acabado o comentário...

Pá um bom 2008, desculpa não ter passado cá antes, mas estão a chegar os exames do 1º semestre e o tempo e a pachorra são poucos... Passa no Antitudo, ontem acordei também do lado esquerdo da cama, mas mesmo a cair já!

Espero que tenha sido um bom natal, e que o 2008 que vem seja menos mau que o 2007 que passou!

Fiquem bem todos:P Estás de parabéns pelo post e estão todos de parabéns pelo blog

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINTARANTINO
Excelente a tua abordagem e devia constar de um post. E isto porque nunca é demais escrever sobre esta matéria pela importância central que ela tem na nossa vida actual e, sobretudo, no desenvolvimento futuro.
Sim, é necessário escolher entre o liberalismo económico e o desenvolvimento social.
Nunca me apercebi tão claramente como agora da necessidade de, decidida e frontalmente, tomar uma opção.
Não podemos continuar a jogar ao faz de conta. É hora de chamar os bois pelos nomes.
E vamos falar claro e sem medo. Estou decidida.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vou continuar porque para além de não ter desejado um BOM ANO 2008 a todos, quero também ressaltar a mensagem dos restantes comentadores que, de forma inequívoca, estão a contribuir para o debate em torno de uma questão central que nos conduzirá a uma maior compreensão sobre a importância das nossas opções em matéria de projectos políticos.

ALEX disse...

Bom Ano Novo a toda a equipa do Notas Soltas.
Já há muito tempo que aqui não vinha porque tenho muito pouco tempo para visitar e comentar e porque deixou de me atrair este espaço que aparecia como um bota abaixo e com alguns comentários e despiques no mínimo deselegantes.
Hoje verifico comentários de grande civismo e nível intelectual, à altura do post, que dá uma visão da autora sobre o neoliberalismo-estado social-mundialização quer a nível mundial quer no contexto português.
É construtivo confrontar diferentes análises e perspectivas, algumas complementando-se mas sempre se respeitando.
Tal como a autora, que conheço, também me sinto inquieto com o que leio, analiso e confronto. Sou socialista militante desde sempre e não alinho na maledicência nem em posturas similares mas como diz o Quintarantino uma pessoa séria, e eu sinto-me como tal, não pode querer tapar o sol com a peneira e continuar a defender que o estado social e o liberalismo económico são conciliáveis.
Sou do PS porque considero que este partido sendo duma esquerda democrática me daria mais garantias de justiça social que, por exemplo, o PSD. Mas estou a ficar preocupado com o que vejo. Muito preocupado mesmo.
Renovo os meus votos de Bom Ano Novo!

GIL disse...

Parabéns ao Notas Soltas & Ideias Tontas por estar a melhorar o seu desempenho.
As críticas quando traduzem respeito pelas opiniões alheias são sempre salutares. Os textos que não andam com rodeios para dizerem o que têm a dizer, sem especulações nem maledicências, são uma mais valia para a liberdade de opinião que muito prezo.
Contra factos não há argumentos. O que aqui está dito no post é o que se constata quando se procura conhecer a realidade. Já disse aqui algumas vezes,e continuo a afirmá-lo, sou socialista e considero que algumas medidas ingratas tinham que ser tomadas para que se veriquem recuperações assinaláveis em determinadas áreas como a saúde, a educação e, tenham paciência, a função pública. Ainda hão-de agradecer ao Sócrates tudo o que ele está a fazer pelo País.
Esta é a minha forma de ver.Sem ofender ninguém.

Tiago R Cardoso disse...

Antes demais, onde é que o Alex viu o bota abaixo, não me diga que para si chamar, como disse e bem a Lídia (Silencio Culpado), os bois pelo nome é bota abaixo?
Será bota abaixo levantar questões, mesmo o fazendo de forma polémica com o objectivo de despertar o debate e o pensamento ?

Em relação ao texto, penso que o meu amigo Quintarantino no comentário que fez praticamente disse tudo.

Ainda um dia setes li uma entrevista do senhor Filipe Menezes que ainda foi mais radical, assumiu que se fosse governo muita coisa, que hoje consideramos estado, seria privatizada, entre os quais o ambiente.

Sinceramente cada vez mais acredito que este bloco central, onde dois partidos só se diferenciam pelo nome querem de facto acabar com o estado social e com os sectores estratégicos para o país, colocando-os nas mãos de privados, que como sabemos os olham como negocio e não como um bem comum.

Lylilyn@ disse...

Nunca é tarde pra se dizer feliz Ano Novo, e que 2008 lhe traga novas e boas experiências!
Temos mesmo é que agradecer quando termina um ano, mesmo que não tenha sido exatamente bom, vale a pena lembrar que Deus nos deu a oportunidade de estar vivos!

Compadre Alentejano disse...

Não há dúvida, o GIL vive no país do "baril", o país socrático do "Sô" Zé, ao contrário de nós, que vivemos no país real.
Mas enfim, talvez esteja à espera de tacho...
À pergunta do Quintarantino: "liberalismo económico e desenvolvimento social são, ou não, incompatíveis forçosamente?" sou obrigado a responder NÃO!
Até porque, penso eu, é mais fácil um elefante passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico dar uma esmola a um pobre.
Quanto ao post, gostei, parbéns.
Um abraço
Compadre Alentejano

as-nunes disse...

Venho aqui desejar a todos que o 2008, esse ano n+1 sempre sonhado e almejado como o da mudança para melhor, seja capaz de nos surpreender.
Alegria a rodos, menos mordomos, melhor distribuição da riqueza e menos aldrabices...Já não somos tão pacóvios como isso!
Mas quem é que vai deitar mãos à obra? O PR e mais os seus discursos? O PM e mais os seus joggings?
Quem nos acode?
De qualquer modo, sejam bem-vindos a 2008. Vamos trabalhar enquanto é tempo e não se lembram de nos surripiar o salário líquido para pagar um IE (imposto extraordinário). Cruzes canhoto!
António Nunes

sol poente disse...

Bom Ano a todos. Um Bom Ano solidário!
É por causa do liberalismo económico que existem tantas e tantas catástrofes humanitárias. Hoje o planeta produz recursos para todos e, no entanto, há situações gritantes de pobreza extrema. Como diz o Quintarantino quem for honesto, quem tiver dentro de si uma preocupação ética, não pode defender a conciliação entre o liberalismo económico e o desenvolvimento social. É pois preciso que se diga, que se demonstre, que se grite sobre os malefícios que estão a cair sobre a humanidade por causa desse capitalismo selvagem. O Sol Poente existe porque é preciso gritar e despertar as consciências. O que seria desejável é que não exista, é que a esmola dê lugar a uma consciência social que não humilhe mas que reconheça.

O Guardião disse...

Este neoliberalismo que nos andam a impingir à força toda é totalmente incompatível com o estado social que caracterizou a Europa das últimas décadas. Os poderosos, ou os detentores do dinheiro (para não dizer 'o capital'), enfraquecido o Estado e esvaziadas as suas funções, ficam donos e senhores dos meios de produção, podendo impôr as regras que bem entenderem, e os Estados e governantes passam a depender e a obedecer-lhes inteiramente.
Aquilo a que se chama mercado, e que alguns acham que se regula a si próprio (ingénuos), é na realidade o lucro cego e a especulação, que em si mesmo não se rege pela ética nem pela moral, como qualquer pessoa sabe muito bem, mesmo não sendo economista, gestor, ou político.
Não havendo um equilíbrio de poder entre o capital e o trabalho, e já não há, caminha-se inexoravelmente para formas de exploração intensivas do factor trabalho, ou seja a novos tipos de escravatura, com outros nomes porque somos modernaços.
Cumps

adrianeites disse...

Bom ano!

Daniel J Santos disse...

Perfeitamente a favor de um estado social, totalmente contra a entrega de sectores fundamentais do país a privados.

Bom texto, boa analise.

Guilherme Santos disse...

A postura do PR foi a que se esperava, manteve-se distante dando uma no cravo e outra na ferradura, nada de novo...

Shark disse...

Excelente abordagem a uma questão transversal. Parabéns à autora. Digam o que disserem, as suas análises são sempre sóbrias e a irem directas ao âmago da questão.

Joshua disse...

O ultraliberalismo não esconde a sua tendência absolutista, subversora da Democracia e repressora de certas liberdades: além do mais, como concentra o poder, vende o Paraíso como Imagem acessível a todos e como Culpa para quantos o não alcançam.

Somos uma caterva de Culpados, portanto.

bluegift disse...

Já foi tudo dito, praticamente, mas destaco esta passagem:
"uma pequena elite de financeiros e quadros de alta direcção que vivem pendentes dos mercados de capitais e da sua especulação muito mais que da criação da indústria e do emprego". Por outras palavras: Estamos "fritos"!!!

Também não faço futurologia, mas novas formas políticas terão que surgir. Há que tentar solucionar esta crescente incompatibilidade entre entre a criação de riqueza, pelo liberalismo, e o estado social, dos socialistas e cristãos.

Para o estado actual da política no nosso país, a explicação parece-me "simples". Há um vazio político na Oposição. Prima pelo princípio fácil e popularucho do "deita abaixo" e demite-se totalmente do papel crítico construtivo, que interessaria muito mais ao país, em prol do assalto ao poder.

Desde Freitas do Amaral e Cavaco que não temos partidos credíveis à "direita" do PS. À esquerda já nem se fala, apesar do Bloco de Esquerda ter alguns rasgos de lucidez.

Resta-nos um PS que oscila entre o cravo e a ferradura. Sócrates sabe que tem de apresentar resultados de crescimento económico, doa a quem doer. Não tem padrinhos poderosos como o Guterres e o Barroso, tem de o obter a pulso... tal como o Cavaco. Talvez resida aqui a verdadeira força deste governo, a única aliança possível entre o liberalismo selvagem e o estado social, à lusitana...

Dalaila disse...

eu que já me irrito com a televisão, com os jornais e rádios, com as noticias em geral, quando te leio, ainda fico pior,há coisas que me vão escapando, e que estão sempre aqui estamapdas, e mais uma vez fico desiludida, mais uma vez me pergunto qual será o caminho, mais uma vez me questiono que fazemos cá... mais uma vez, sonho por um ano diferente, mais uma vez me vou enganar.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bluegift
Concordo com essa perspectiva que corresponde à minha visão e ao meu sentir.
Um beijinho

Å®t Øf £övë disse...

Detesto a globalização em que vivemos, porque devido a ela estamos hoje mais pobres, estamos menos livres, e estamos mais dependentes.
Estou cada vez mais pessimista, e sem esperança no futuro.
Bjs.

FERNANDA & POEMAS disse...

Querida Lídia, lindo texto como sempre. ( Eu quando digo lindo quero dizer que gostei do tema, como sempre fundamentais. ).
Bom fim de semana,
Um abraço de muito carinho.
Fernandinha