Triste sina... "doutores engenheiros" à fome!!!

Estou a escrever este texto e o País está parado, mas mesmo parado; calma, calma… desta vez a culpa não é do Governo, mas sim de um jogo de futebol.

Como não gosto de assistir a este tipo de eventos desportivos - para mim um bom espectáculo desportivo ao vivo é um jogo de hóquei em patins - aproveitei para ler o jornal da semana, o "Expresso".

Depois de separado o lixo, dada a época em que estamos, quem compra este tipo de jornais, sujeita-se a levar uns quilos de publicidade para casa, sentei-me e avancei para a leitura.

Logo para abrir e em destaque: "BCP perde 28,5 milhões com amigo de Jardim".

Dados os enormes lucros que eles têm mais milhão menos milhão, faz-lhes pouca falta.

Seguidamente levei com um tiro em forma de notícia: "Há médicos e professores a pedirem-nos ajuda para dar de comer aos filhos".
A afirmação é de Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, essa notável instituição que tem feito um trabalho assinalável.

Ao longo da notícia são avançados uma série de exemplos desde uma bacharel em Relações Internacionais, quadro de um Ministério, casada com um professor de Educação Física, mãe de uma criança com cinco meses, e que soube que o marido iria ficar sem emprego na mesma altura que soube da gravidez… Tudo isto significou menos 2000 euros por mês.

A partir dai a situação foi descambando, começou a falhar a renda do apartamento, gastos nos cartões de crédito até ao limite, troca do apartamento por um quarto; chegando a alturas que faltavam três semanas para receber e só tinham 80 euros, ou seja, para o bebé. Como para eles nada havia, e em desespero, teve de recorrer ao banco alimentar.

Estamos perante aquilo que já se designou de "novos pobres", um flagelo da era moderna, são situações de famílias de todos os tipos de classes com dívidas muito para lá da sua situação financeira.

Muitos provêm da dita classe média-alta, que carregam consigo o peso de imensos créditos.

Eram até ali apontados casos de pessoas que recorrem à ajuda mesmo tendo rendimentos de 6300 euros por mês. Era ali inclusivé apresentado o caso de um agregado familiar que teve uma grande derrapagem no seu orçamento devido à doença de um familiar e que o obrigou a recorrer a créditos.

Todos juntos atingiam a cifra de um encargo mensal de 4.500 euros (incluindo o crédito à habitação); somando as despesas correntes, chegavam ao final do mês com um saldo negativo de 800 euros.

Estamos numa sociedade consumista, numa sociedade em que muitos utilizam a velha máxima "chapa ganha, chapa gasta", mas também não é menos verdade que a maioria não tem a mínima possibilidade de fazer poupanças, tendo que fazer muito bem as contas no final do mês…

E todos sabemos como é praticamente impossível ficar indiferente aos bombardeamentos consumistas dos nossos dias.

Estamos constantemente a ser aliciados para consumir, onde tudo é válido com campanhas ferozes e com enganos ainda maiores.

Nesta época a pressão é ainda maior; ele são as constantes promoções, a oferta de tudo e mais alguma coisa, e aquele incentivos de pagar em "suaves" prestações, "sem juros" ou ainda "pague depois do Natal".

Muitos, iludidos, entram na jogada, mal sabendo o "trinta e um" que os aguarda depois do Natal.

Para juntar à festa, os bancos avançam oferecendo este mundo e o outro… dão cartões de crédito, dão presentes, "oferecem" dinheiro, só faltando levar as coisas a casa das pessoas…

E como habitual nos ditos contratos, que são quase de adesão, escondem bem lá no fundo e em letra pequena os "asteriscos", aquelas cláusulas manhosas que trazem com elas valores que de pequenos têm pouco, os ditos juros, as taxas, etc.

Por isso, quando se lê que o "BCP perde 28,5 milhões com amigo de Jardim", também já sabemos quem é que vai pagar!
Ou não?

30 comentarios:

quintarantino disse...

Vi a reportagem na SIC.
É congrangedor saber-se que caminhamos alegremente para o precipício social,para o descalabro e vermo-nos impotentes, enquanto colectivo, para inverter o rumo dos acontecimentos.
A receita não está em culpar este ou aquele governo, uma vez que o problema reside num sistema que se encontra falio e recua a tempos que julgaríamos perdidos para sempre.

Shark disse...

Estamos a caminho da sociedade perfeita que tanto foi apregoada nos tempos dos amanhãs que cantavam na URSS.

À boa maneira portuguesa, e porque fazer ao contrário dava muito trabalho, a "igualização" é por baixo. Deve ser aliás por isso que somos dos poucos, senão o único povo, que manda bater a bola baixinho porque o guarda-redes é baixo.

E no dia em que todos tenham de recolher à sopa dos pobres, aí sim seremos uma sociedade infeliz. Até lá somos cínicos!

Kalinka disse...

Pois, entrei e li:
Ao longo da notícia são avançados uma série de exemplos desde uma bacharel em Relações Internacionais, quadro de um Ministério, casada com um professor de Educação Física, mãe de uma criança com cinco meses, e que soube que o marido iria ficar sem emprego na mesma altura que soube da gravidez… Tudo isto significou menos 2000 euros por mês.

Digo: marido ia ficar sem emprego;
Casada c/Professor;
significou menos 2000 euros por mês.
Pergunto: então, ainda há quem diga que os professores ganham mal?

Kalinka disse...

Desculpe, voltei a entrar e li:

Muitos, iludidos, entram na jogada, mal sabendo o "trinta e um" que os aguarda depois do Natal.

Pergunto:
No séc. XXI, quem é que ainda se ilude?
Burro...depois dizem que o Scolari é que é burro!!!

Peter disse...

Os "novos pobres", aqueles que se deixaram levar, ou tiveram mesmo, por necessidade, que recorrer à "sereia" de melodioso canto do crédito fácil.

Hà tempo, quando começou este trágico/romance do BCP/Jorge Jardim, li na revista VISÃO um artigo de Mega Ferreira em que ele dizia que sendo um pequeno accionista do BCP só lhe dava vontade de ir lá e fechar a conta.

Quem não é pequeno accionista e tem lá uns Euros que acumulou ao longo de uma vida de trabalho e sacrifício, o que pensará?

Que provavelmente é parte do seu dinheiro que irá pagar a dívida do "amigo de Jardim".

Será? Expliquem-me por favor.

SILÊNCIO CULPADO disse...

As revoluções fazem-se através da cultura. Os pobres progridem através da cultura. Portugal é pasto para o grande capital porque tem empobrecido culturalmente. Lembro-me de, ainda não muito tempo, ter visto numa revista, a fotografia da princesa Vitória herdeira do trono da Suécia, de jeans e ténis numa paragem de autocarro como qualquer cidadã normal. Em Portugal as pessoas dão dois passos e levam o carro. E, mesmo quando têm transportes públicos em condições num dado percurso, quase sempre optam pelo automóvel mesmo que seja mais caro e percam tempos em filas de trânsito e à procura de lugar de estacionamento. Portugal pode estar na cauda da UE mas é o País que apresenta mais sinais exteriores da riqueza (é o que tem maior número de telemóveis por habitante, por exemplo). O Estado em vez de educar deseduca. Os Bancos e as Instituições de Crédito têm lucros brutais. E são anunciados, das mais diferentes formas, todas elas altamente persuasivas, nos canais da televisão pública. E, para isso, cada português contribui com mais de vinte euros e cada trabalhador no activo com mais de 40, para cobrir o déficit dos canais públicos.
A Alta Autoridade para a Concorrência vem dizer que, numa altura de crise como a que se vive, cada português gasta, em média 600 euros em prendas pelo Natal e que os empréstimos, em período de 13º. dispararam.
É esta situação de extrema penúria mental que é alimentada pelo próprio poder para servir quem dela se serve, que ocasiona uma grande parte destas situações.
Quem nos acode?

antonio disse...

Tiago este é um assunto demasiado sério para que eu brinque com ele. Repara que o que tu aqui dizes está na conclusão da minha trilogia do aço.

Mas retiro duas coisas do teu post:
1- Parafraseando o prof. Marcelo que diz que os sindicatos só fazem greves nas pontes, eu acrescentaria, façam greves durante os jogos de futebol.
2- Todos sabemos quem vai pagar os desvarios da gestão privada do BCP. Mas, o que me preocupa é o Berardo, que afinal não passa dum tonto que está a ser roubado. Ele devia de pensar que isto aqui era como na África do Sul! Acorda Joe!

Sniqper ® disse...

É um facto que nem comentado precisa de ser, todos nós sabemos quem paga ou vai pagar a crise, mas continuamos a cavar a nossa sepultura, não paramos, cegos, continuamos a caminhar na avenida florida que quem governa vai tratando de tornar agradável aos olhos de quem teima em não querer ver.
Para trás ficou a preocupação com o nosso semelhante, no seu lugar nasceram as palavras de ataque ao Governo, que nada mais são que tiros no pé, de quem já mal pode caminhar.
Vivemos uma época de divisão, em todos os sectores da sociedade, fomos bem encaminhados por mãos que aprenderam a lição de quem estava no poder em 24 de Abril de 1974 e assim iremos continuar, quando hoje só são alguns a sentir na pele as injustiças sociais, amanhã, os que deixaram na gaveta os sentimentos e os trocaram pelas palavras de denúncia, julgando que essas chegam para modificar ou renovar vão engrossar as listas, irão caminhar ao lado dos que hoje já se arrastam para conseguir sobreviver.
O ser humano é um alvo fácil de manipular, basta acenar de longe a longe com uma simples promessa, e lá vamos nós, pulando de satisfação recolher o doce que depois de tragado mais não passa que o comprimido letal, a nossa entrega ao sistema.
Diz-se que a esperança é a última a morrer, é um facto antes dela já estão a morrer os que nela acreditaram...

Blondewithaphd disse...

One of your best posts and the one that was worse to read because of the cruelty of the topic. In fact, it's not just the lower working classes that are the poor of society. The middle classes are squeezed by high taxes and consumerism. It's a vicious cicle very hard to solve. Partly fault of the government, of society and of individuals themselves.

adrianeites disse...

há pessoas que n têm bom senso!
temos de ser realistas e perceber que o nosso rendimento disponivel é aquele e que não é mais nenhum!
Para quem é mau de contas de cabeça recomenda-se o uso de calculadora pois as questões do deve e haver apesar de lienares e simplistas revelam-se numa tremenda complicação para muitos...

Há dezenas de milhares de familias em portugal com rendimentos abaixo dos 12/13 000€ anuais e conseguem ter uma vida digna, por os putos a estudar na universidade, ter um carrinho e a renda ou prestação da casa pagas a tempo e horas... estas familias fazem do cérebro a cálculadora e dos meses que têm mais semanas as variaveis mais dificeis de equacionar mas registam sucesso!

è ridiculo alguém que tem mais de 6000€ mensais de rendimento cair numa situação como a descreves.. esses sim são os burros.. não me oferece qq dúvida! 6000*14= 84000€ ano...

quanto à bolinha: melhor o resultado que a exibição! O meu Porto e Jesualdo voltaram a dizer porque é que são os campeões nacioanis ! (BI) e porque é que estão Ha mais de 2 anos no primeiro lugar!

António de Almeida disse...

-Vi a reportagem na SIC-N, a mesma merece-me alguns comentários, para lá de lamentar as tragédias pessoais, todos temos a vida planificada, e pode-nos surgir o imprevisto amanhã, a qualquer um, não tenhamos ilusões, também não concebo, nem como mera hipótese académica, que alguém que aufere rendimentos de 4 a 6 mil Euros mensais por agregado familiar, possa cair nesta situação. Lamento afirmá-lo, mas a culpa, e responsabilidade, é em primeiro lugar dos próprios. Um amigo meu, que possui o mesmo nível de rendimentos que eu, adquiriu recentemente, um apartamento 3X mais caro que o meu, naturalmente que melhor, e mais bem localizado, mas ficou também bem mais endividado, essas escolhas comportam riscos, não vou culpar bancos nem governos, será duma enorme responsabilidade fazê-lo. Na passada 6ª feira, telefonaram-me dum banco, a perguntarem se já tinha recebido uma proposta de crédito, que me enviaram sem que a a tivesse solicitado, a condições vantajosas, a qual naturalmente rasguei de imediato, porque não ando a reboque de publicitários, não embarco em pague 2 leve 3, consuma agora pague depois. Estão ali naquela reportagem 2 factores, a falência da política governamental, de crescimento económico, a falência do modelo de gestão individual, naquilo que são os valores da sociedade. Tenho pena que assim seja, ao menos que sirva de exemplo para outros não cairem nos mesmos erros.

Blondewithaphd disse...

Desculpem lá a intromissão de novo, mas isto vem a propósito deste texto e, afinal, este é um espaço contra a indiferença. Hoje os voluntários do Banco Alimentar Contra a Fome estão na rua. Não custa nada...

NINHO DE CUCO disse...

O pior de qualquer problema é ser sempre atacado pela rama. O que significa dizer-se que se vão às consequências omitindo convenientemente as causas. As pessoas enlouquecem nesta sociedade de consumo porque:
1-São discriminadas socialmente numa sociedade que valoriza os símbolos de status e de riqueza. Começa nas escolas na maioria das vezes com a conivência dos professores.
2-O marketing e a publicidade estão sempre a transmitir, nomeadamente na TV, as diferenças entre os que podem e os que não podem e a evidenciar o reconhecimento social que certos bens de consumo proporcionam.
3-Portugal é o País da UE com maior fosso entre ricos e pobres e onde, naturalmente, se valorizam os símbolos. Até o PM começou a acudir por engenheiro sem o ser.
4-Tem que se combater através da educação os hábitos de consumo desregrado e de competitividade doentia pela posse de certos bens. Mas os exemplos têm que vir de cima. É que enquanto no nosso País os ministérios substituem as suas frotas de carros e procuram viaturas que marquem a diferença, noutros países mais ricos há ministros a viajarem de metro e autocarro.

NÓMADA disse...

O BCP enriquece e toda a banca enriquece com o manto de pobreza que caiu sobre a denominada classe média que, num sufoco, e antes de da´r o último estertor deita a mão a tudo o que pode para manter as aparências. A banca lucra oito milhões por dia, é preciso ver. Os políticos, muito poucos serão os que têm as mãos limpas.Casos de corrupção são mais que muitos embora fique tudo em águas de bacalhau.
A forma como o crédito fácil entra em nossas casas, a forma como a publicidade enganosa se insinua, a forma como a sociedade estigmatiza, são os principais responsáveis por este desatino do consumo.

Compadre Alentejano disse...

Para comprar é tudo facilidades, para pagar é que a poca torce o rabo...
Quanto aos 28,5 milhões, não há problemas, os outros clientes logo pagam.
Saudações
Compadre Alentejano

Márcio disse...

Ainda bem que você “se mexeu”, não perdeu nada…

De facto é bastante preocupante algumas situações que dá como exemplo… mas também não é menos verdade que hoje em dia só cai quem quer! Pois, hoje há também tudo e mais alguma coisa para o consumidor se informar. E tal como refere, muitos são da classe média-alta, será por burrice? Pois não é com certeza…
A vida não está fácil para ninguém e não é por as pessoas que ganham acima da média podem continuar a «"chapa ganha, chapa gasta"»… Ainda bem que existem instituições, e portugueses como nós a apoiar quem de facto mais precisa. E aqui acho que vemos a importância se sermos pequenos em tamanho, pois assim somos muito grande em coração.

Quanto ao BCP ainda muito água há-de escorrer pela fonte abaixo…

R@Ser disse...

O desemprego não ocorre só em Portugal, mas em toda parte do mundo.
Também não há só médicos e professores desempregados, mas muitas outras profissões; com dentistas, engenheiros, arquitetos, funileiros, soldadores, montadores, e muitas outras que já foram até extintas.
A tecnologia, vinda da revolução industrial em 1750, traz problemas até hoje, e certamente é uma das principais causa do desemprego mundial, isso se deve ao avanço tecnológico, hoje vemos máquinas que substituem 10, 20,40 ou até mais pessoas, também observamos o desaparecimento de algumas profissões e atividades profissionais.Um exemplo disso, é que antes existia o Clinico Geral que nos avaliava e nos encaminhava para o especialista, hoje; se queremos um médico vamos direto ao especialista.
Temos em qualquer família alguém desempregado. Essa é uma realidade que está muito próxima de cada um de nós. O desemprego causa vários problemas: para o desempregado, para a família e ACREDITEM para o Estado. Para o cidadão desempregado e sua família, o desemprego provoca insegurança, a indignidade, aquela sensação de inutilidade para o mundo social.
Talvez a solução momentânea seja a (re) qualificação profissional. Os profissionais que perdem seus postos de trabalho devem passar por treinamentos e reciclagens. Só assim poderão encontrar outra atividade e assumir uma nova vaga no concorrido mercado de trabalho moderno. O desempregado não pode ficar esperando nova oportunidade para ocupar a mesma vaga que ocupava antes da demissão, mesmo porque aquela vaga, ou melhor, aquela função pode deixar de existir. Aquele que deseja voltar ao mercado de trabalho deve se reciclar, buscando uma colocação em outra área ou ramo de atividade; para isso, ele deve estar preparado.

Bjos e bom domingo

Lampejo disse...

Tiago,

No Brasil, é grande a preocupação dos trabalhadores, dos sindicatos, das autoridades e dos estudiosos de problemas sociais, a despeito de não possuirmos dados precisos sobre o desemprego, isto porque, enquanto o IBGE fala em taxa de 12%, a Fundação Seade/Dieese fala em 18%,mas segundo as estatísticas 98,3%da classe médica estão empregadas, O número de formandos em medicina por ano no país é de cerca de dez mil.
O salário atual de um médico residente (eu)é de R$1.479,45 que equivale em euros a (561,61) em 60horas de trabalho.

Para quem têm disponibilidade existe o plantão de 24 horas que tem um valor à parte e bem maior.
Eu faço plantão 4 dias ao mês.
Trabalhando muito claro.

Bom, espero que tudo corra bem por aí!

Como sempre seus textos são perfeitos!
Parabéns mais uma vez, Tiago!

(a)braços :)

Carol disse...

Tiago, o teu post é de enorme pertinência e, mais uma vez, escolheste um tema polémico.

Antes de mais nada, quero dizer à Kalinka que os professores não são bem pagos!
Um professor em início de carreira estará provavelmente na mesma situação que eu, ou seja, desempregado. E olhe que eu tenho dois anos de serviço! Neste momento, são milhares os professores que não sabem quando vão voltar a trabalhar, muito menos onde e por quanto tempo! Eu gostava de ver muitos os que criticam os docentes a enfrentar o que eles enfrentam todos os dias: as faltas de respeito; a instabilidade profissional; a falta de condições de muitas escolas, as ameaças de alunos e pais... É óbvio que há maus professores, como no seu sector também os haverá, mas o justo não devia pagar pelo pecador! Sabe, por acaso, o que é ser colocado em Trás-os-Montes e ter a sua família (marido e filhos) no Algarve? Acha que 2000€ chegam para manter duas casas, como acontece com muitos colegas meus? Há localidades em que pedem 250 a 300€ mensais por um simples quarto!
Ser professor (competente) implica sair da escola e preparar aulas, corrigir testes, seleccionar e criar materiais didácticos apelativos! Implica gastar muito dinheiro e tempo em formação e renovação de conhecimentos. Ser professor não é, de todo, fácil!
Quanto ao teu post, amigo, ao contrário de alguns, não vou mandar pedras nem falar em burrice. Como diz a minha mãe, ninguém sabe o dia de amanhã... Espero nunca precisar da ajuda do Banco Alimentar Contra a Fome, mas, pelo sim pelo não, ajudo sempre as suas campanhas! Hoje não foi excepção.

São disse...

Nem sei que diga!
Jardim Gonçalves é da catolícissima "Opus DEi" .
Ontem visitei a quarta maior igreja da Terra, situada em Fátima e cujo custo orçou 80 milhões de euros!
Vi pessoas a arrastarem-se e outras de joelhos da Cruz Alta para a Capelinha e vice-versa.
Ajudem-me a perceber!!

bluegift disse...

Tiago, texto a acertar na "mouche".
Os novos pobres são uma classe que, ironicamente falando, tem futuro! O marketing arrasa-nos, o desejo de viver como um VIP ainda mais. Há que ter calma, há que ser razoável e, sobretudo, não acreditar nos contos de fadas dos bancos, verdadeiros ladrões morais de colarinho branco!
Tenho amigos em Portugal que estão endividados até ao tutano sendo os pais quem muito a custo vão pagando os desvarios.
A sociedade portuguesa tem que parar um pouco e tentar superar a tendência ao despesismo. Já afirmei várias vezes que o português médio tem hábitos mais caros que os seus compatriotas europeus mais abonados. É uma realidade que nos irá levar mais rapidamente à situação de novos pobres a que as gerações de hoje estão condenadas. A menos que os mercados da China e da India entrem em colapso...

Zé Povinho disse...

Talvez os novos pobres sejam já os abastados, mas ainda assim, começo a ficar convencido que a grande maioria dos portugueses tem as qualificações necessárias para gerir melhor este país do que os actuais políticos, porque gerir um lar com salários inferiores a 1000 euros é de facto um prodígio digno de registo.
Os pobres ao poder, já!
Abraço do Zé

Bruno Pinto disse...

Sem querer entrar noutro tipo de análises quero apenas dizer, mais na sequência do que se lê nos comentários, o seguinte: se há profissão que merecia ser melhor paga e ser tratada de um modo bem diferente do que realmente sucede é a de professor. Se um professor não merece ser pago e bem pago pelo trabalho que desempenha, então não sei quem será.

Sofia disse...

Hoje eu dei o meu contributo para o Banco Alimentar, mas espero, sinceramente espro mesmo, que a ajuda que dei não vá para pessoas com rendimentos tão elevados como 6300€ por mês, porque se na minha casa, para os dois 1100€ chegam e ainda sobra qualquer coisa para ajudar, esses endinheirados que largar o estatuto de classe média alta, vendam a casa ou o super apartamento localizado em condomínio de luxo, e comprem um apartamentozinho de comum cidadão. Verão que começam a ir pagando as dívidas dos cartões de crédito. De seguida, partam os cartõezinhos e gastem só o que têm, primeiro na renda da casa, depois em comida, de seguida na roupa que realmente é precisa e nos transpotes para a escola e para trabalhar. Ao fim de um ano ou dois, devem ter a vida equilibrada. Se a situação continuar como está, para o ano não darei nada ao Banco Alimentar, não sei se irá parar aonde quero. Prefiro dar comida a quem me bata à porta.

Cati disse...

É triste, vivermos num país em que os doutores e engenheiros vão mendigar ao Banco Alimentar. Vêm eles de casa dos seus pais, habituados a um certo standard de vida que depois não conseguem manter porque este país não está para brincadeiras.
É certo que é impossível ficar indiferente ao apelo do consumismo. Ainda assim as pessoas devem usar do seu discernimento e deitar contas à vida. Quem ganha cem não pode gastar mil, mesmo com os créditos "fáceis" da Cofidis e do "leve agora e pague depois do Natal". Sim, porque as pessoas têm de pagar tudo, e mais os juros...

O grande problema reside nessa simples frase, que caracteriza toda uma camada populacional do nosso país:

CHAPA GANHA, CHAPA GASTA.

Os portugueses, na sua generalidade, já não sabem o que é poupar. Quem pode, não poupa, quem não pode, não tem como poupar.
Antigamente as pessoas juntavam uns trocos numa conta a prazo para uma qualquer eventualidade - uma doença, um gasto inesperado relacionado com um carro ou um electrodoméstico avariado... Agora não. Todo o dinheiro que entra, gasta-se. As pessoas não se contentam com uma casa simples. Para quê pedir 80 mil euros para crédito habitação se podem pedir 100 ou 150 mil euros e comprar uma casa com chão térmico e persianas eléctrica e ar condicionado???

Esses doutores e engenheiros a que se refere tiveram mais olhos que barriga. Com certeza viveram bastante tempo rodeados do bom e do melhor graças aos créditos - e tinham bons ordenados!!!

Cá em casa entram cerca de 2000 mensais. Pagamos casa, água, luz, gás, telefone, internet. Tenho direito a pequenos luxos, é certo - uma camisola aqui, uns sapatos ali. Mas poupamos, todos os meses, nem que seja 20 euros.

Porque ninguém sabe o dia de amanhã, e eu trabalho a recibo verde... hoje há, amanhã não se sabe...

E eu não quero pedir ajuda ao Banco Alimentar enquanto tiver saúde para trabalhar!!!

Um beijinho, desculpem a extensão do comentário...

Fragmentos Culturais disse...

A classe 'novos pobres' constituída por famílias da classe média, com habilitações académicas, já vinha crescendo a pouco e pouco...

As pesssoas é que se enganavam um pouco a si mesmas, caindo aqui e ali no 'engodo' 'viaje agora e pague depoi; 'compre as suas prendas e pague no próximo ano [que é já daqui a alguns dias...]. Mas a realidade bate abruptamente à porta! E aí há que tomar consciência!

Também não se pode esquecer a quantidade de pessoas com graus académicos, mas desempregadas...
Temo pelo futuro ...

Sempre muito sensibilizada pelo olhar amistosamente 'fiel' poisado em 'fragmentos'

Lamento ter tardado, mas a profissão que se tornou 'quase' desinteressante, mas sobretudo 'desencantadora' me impderiram de vir no tempo adequado! Não me leve a mal...

Uma excelente semana!
Um abraço

Vieira Calado disse...

É uma análise lúcida de situações que alguns percebem assim ser . Infelizmente, a maior parte, nem pensa nisso.
Um abraço

Carol disse...

Gostava que alguns iluminados me dissessem, sinceramente, como é que com 500€ mensais posso pagar o arrendamento do apartamento onde vivo (um simples T1, nos arredores de Aveiro), água, luz, telefone, gás, alimentação, vestuário ou farmácia e juntar dinheiro para uma eventualidade...

Joshua disse...

Grande Tiago, no meu caso, sempre tão certinho e tão contido, bastou um erro de nada e pumba, ando a arrastar uma situação difícil desde 2003.

Agora trabalho até à exaustão só para cumprir, embora tu saibas e eu saiba que ou o Fisco ou a Segurança Social ou o azar, sei lá, virão por aí mamar a minha chapa ganha.

E bastou um lapso de nada.

Latitudes disse...

""doutores e engenheiros" à fome!!!"

Qual o espanto?
Não são gente como o resto da população,
sujeitos às mesmas intempéries?

"Tudo isto significou menos 2000 euros por mês"

Não querendo desvalorizar a situação, eventualmente crítica,
que este drama possa ter trazido às famílias dos casos referenciados,
atinge níveis que freiam a minha comoção...
Comove-me bem mais a redução de 200 euros
em muitos dos agregados familiares deste país
e especialmente a extrema pobreza dos milhões
que vivem com menos de um euro por dia...

Concordo que deveriam haver mais restrições
ao incentivo consumista... mas afinal quem manda?
Os interesses a satisfazer são os dos que "comem tudo"
Sempre!
O resto é obra de caridade e também para
maquilhar o rosto dos poderosos...
Fica-lhes sempre bem o hipócrita acto de misericórdia

O consumidor não sai ilibado deste juízo...
Somos pobres, muito analfabetos...
Mas não deveríamos ser tão irresponsáveis
Ao ponto de alinhar no jogo dos capitalistas.
Concentrem-se nas necessidades primárias
Sejam humildes e combatam a excessiva ganância
que vos oprime!

Este é um exemplo que não serve como exemplo:
Somos governados por senhores que esbanjam milhões em
Operações de cosmética estrutural e urbana (entre outras)
e ainda não temos as necessidades básicas satisfeitas.
Tais como saúde, educação, habitação...
Não temos estruturas que não marginalizem
por capacidade financeira…
Os nossos velhinhos; as pessoas com deficiência
e os que necessitam de cuidados paliativos
em situação de doença terminal;…
Política ambiental deficiente (directamente ligada à saúde, claro!);
infra-estruturas de tratamento de águas residuais domésticas...
Olhemos para os nosso rios e ribeiros...
só depois de toda a vida ter neles sido extinta
é que se faz alguma coisa… e nem sempre.
Nem mesmo com as sucessivas manifestações de populares
e as reportagens televisivas dos milhares de peixes a boiar…

não me vou alongar mais.
a política enoja-me!:
Um mundo perverso que nos consome...
uma MÁFIA!

Evito ao máximo desgastar-me com estas coisas...
tudo o que possa ser dito será sempre pouco
e tão irrelevante e impotente que aumenta a dor...

abraços,

João Ramos