Notas Emprestadas

Hoje, Dia da Restauração, há mais um NOTAS EMPRESTADAS.
É uma estreia, dado que a autora se revela em fina escrita na língua de Camões e aborda um tema que dá (e dará) que falar.
Aproveita-se para anunciar que depois deste texto, a autora irá assinar contrato vitalício com o NOTASSOLTAS passando a colaborar semanalmente neste espaço.

(Des)acordo Ortográfico

Ó Tágides, dai-me engenho e arte, que isto de escrever em blogue alheio e numa língua difícil tem que se lhe diga!
Mas, atalhando e atabalhoando…

É precisamente desta língua difícil, camoniana, pessoana (será que já se diz saramagueana?) que quero falar.
Não sendo particularmente fundamentalista (notem o advérbio!), há questões que me tiram os vernizes da civilidade e me deixam à beira de extremismos de intolerância.
O novo, velho, pretenso, ou sei lá, acordo ortográfico é uma dessas questões infames.
Vejam lá se seguem o meu raciocínio.

Todos sabemos que as línguas são entidades vivas, mutáveis e plásticas. Não há línguas mais perfeitas do que outras e cada língua transmite o universo mental, cultural e social dos seus falantes.
Até aqui tudo bem, certo? Aliás, se as línguas não evoluíssem ainda andaríamos a cantar as “ondas do mar de Vigo, se vistes o meu amigo, e ai Deus se verrá cedo” e qualquer moço mais enamorado suspiraria horrores pela sua “muy fremosa donzela”.

Não se riam que giro, giro era ouvir o Bush a dizer “thou shalt not make fun of me!” e aí é que a malta gozava à brava, ou pensam que só o Português passou por essas fases juvenis?
Acontece que eu não estou a ver o D. Dinis, que até era poeta e “muy” dado às letras, promulgar éditos de correcção linguística e o Shakespeare e o Marlowe (o arqui-rival do primeiro, caso desconheçam a personagem), que andavam a rabiscar as mesmas palavras com ortografias diferentes, não foram parar aos calabouços da Torre de Londres porque a Isabel I se contristava com a falta de rigor linguístico com que os bardos escreviam.
Nada disso!

Tanto o Inglês como o Português, e, já agora, o Banto, o Afrikaans e até o Latim, que coitado já morreu, e etc. evoluíram por si próprios através de processos metamórficos que não importa agora explicar.
Então e agora vem aí o acordo ortográfico?
Ó deuses!
Discordo e ponto final (parágrafo que é o que se segue).

Aqui há dez anos, os alemães, num acesso incontrolável do seu pragmatismo ingénito, decidiram fazer algo semelhante, a “neue Rechtschreibung” diziam eles.
Mas, como lá para aquelas bandas é sempre tudo em grande, vá de mudar a língua à força toda e era comprar qualquer jornal ou revista e lá vinha o malfadado livrinho com as alterações inglórias para o povo estudar.

As pobres das Tanten, que já tinham passado a Guerra e fugido do Muro, acharam que demais é demais e enviaram a “Rechtschreibung” para um sítio que só elas sabem e ai de mim ir contra as tias!
O certo é que até hoje ainda não topei palavras com três fff como alguns doutos linguistas queriam.

E os franceses, que até têm uma academia que dita o que é aceitável ou não na língua, têm de engolir os “burgers” como gente grande, o que deve doer mais do que sapos esperneantes, diga-se pergunta idiota (também… vinda de quem vem): e nós, desgraçada pátria ex-colonial, vamos escrever como?

Ao que parece o Português do Brasil leva menos ajustes do que o Português Europeu.
Dizem que é para simplificar.
Pois sim!

Ainda não vi os Ingleses adaptarem o seu “British English” ao “Yankee Talk”.
E olhem que nem estou a ser nacionalista! Está bem que é tudo uma questão de hábito, mas até dói a vista ver “óptimo” passar a ser “ótimo” (estranho, o meu pc está a dizer erro!).

Na volta sou uma conservadora nacionalista, fundamentalista e mais outro “ista” qualquer e nem sabia.
Mas não, deu-me muito trabalho aprender Português. Enquanto os meninos e meninas viam a “Pipi das Meias Altas”, andava eu a dizer que “aqui ao leme sou mais do que eu:/Sou um Povo que quer o Mar que é teu;/E mais que o mostrengo, que me a alma teme […]/Manda a vontade, que me ata ao leme…” (exactamente, Pessoa, quem mais?).

Por conseguinte, gosto do Português como está. Deixem a língua seguir o seu rumo.
Quando a tendência generalizada da população for escrever “ótimo” a língua muda por si, não é preciso forçar.
Porém, sem ser em “Brasileiro”, alguém tem visto muitos “ótimos” por aí?

E tem mais… O imperialismo linguístico que hoje pertence a quem hasteou a "Union Jack" por esse mundo fora já foi nosso.
Fazíamos, nessa altura, acordos ortográficos? Não era a nossa língua pujante? Fazem os Ingleses ou os Americanos (que nem sequer têm língua oficial) acordos ortográficos?
Não é a língua deles pujante?

Autor : Blondewithaphd - blondewithaphd.blogspot.com

36 comentarios:

Blondewithaphd disse...

Ao NOTAS, a óbvia palavra de apreço pela iniciativa, pelo convite e pela confiança.

quintarantino disse...

A confiança penso que resultará evidente e ficará bem patenteada na qualidade da escrita e da reflexão.

A ideia da evolução linguística através de um acordo ortográfico não me agrada e não me parece que venha a merecer acolhimento generalizado.

Evolução sim, mas resultado do querer, sentir e pulsar da Nação e dos falantes da língua.

Shark disse...

Perfeitamente de acordo com a análise lúcida da vossa convidada.

Mais uma vez, dão aqui um exemplo de cidadania e solidariedade.

Sniqper ® disse...

Pois...Gostei...!?!

Um tem muito bem abordado pela autora, sem qualquer dúvida, pena é a pequenita falta de assinatura do texto, mas claro que isso não anula a sua qualidade, basta vir aos comentários e ler quem o escreveu, simples.

No seu blogue, a nossa autora, a blondewithaphd que utiliza a língua inglesa para se expressar, diz sem rodeios e com imensa graça o seguinte:
Not just for blondes but for all intelligent people
, o que é uma pena porque eu sou moreno e bastante ignorante, mas claro que isso é culpa minha, tivesse aprendido inglês como deve ser.

Não querendo ser fundamentalista (notem o advérbio!) ou (será adjectivo?) também não estou nada de acordo com essas cenas de acordos, agora andam as crianças na escola, aprendem a escrever húmido com o agázinho que sempre teve, depois daqui por quatro anitosd, toma lá erro porque foi-se o agázito e passa a ser úmido, ora bolas, isto não está certo.

Ai note agri uide dize, de governamente ize veri bede ife pute dize ine de secoles fore de xildrenes larne diz uai tu raite.

Sniqper ® disse...

Peço desculpa por alguns erros que estão no meu comentário e também pelo meu inglês, mas foi com a melhor vontade do mundo que comentei.

Paulo Vilmar disse...

Belíssimo comentário! A língua evolui, muda, se reforma, mas isto é cultura popular, nunca por decretos de políticos(olha eles aí, de novo). Será que teremos que mudar Camões? Ou, quem sabe revisar Pessoa? Aliás, hoje, faz 72 anos que ele se foi e não vi nenhuma notinha nos blogs de meus amigos portugueses!
Sobre o assunto, já dizia o poeta brasileiro Olavo Bilac, nascido em 1865. "Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela... "
A última flor é a língua portuguesa, considerada a última das filhas do latim. O termo inculta fica por conta de todos aqueles que a maltratam (falando e escrevendo errado), mas que continua a ser bela.

Deixem em paz a última flor de lácio!
Beijos

Shark disse...

Fui ver o advérbio.
Eu acho que a senhora escreveu bem porque o advérbio está na palavra "particularmente".

Foi aqui que eu fui ver: hhtp://www.iltec.pt/mordebe/?action=browse&l1=p&l2=aO.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Em primeiro lugar quero parabenizar a autora do texto que, não sendo portuguesa, escreve lindamente a lingua de Camões.
Pode acreditar que senti uma alegria imensa e uma grande emoção o que sempre me acontece quando vejo reconhecidos a nossa lingua e os nossos valores. Todos os idiomas sofrem mutações ao longo do tempo pelas influências dos povos e das tecnologias. Os países de grandes eventos apresentam vocábulos novos relacionados com esses msmos eventos e que aparecem em todas as línguas com uma grafia semelhante. As linguas são evolutivas. Aceito a abertura a outras influências mas dentro de limites que permitam respeitar o idioma de origem.

António de Almeida disse...

-Sou frontalmente contra qualquer acordo ortográfico, porque entendo que uma lingua viva evolui naturalmente, quando o que se pretende aqui, é fazer uma revolução linguística, em que o português simplesmente é extinto, enquanto o brasileiro é promovido. Sei que são cerca de 200 milhões a falar o português com sotaque, mas e daí? as duas linguas até se vão de forma natural influenciando mutuamente, por exemplo, alguém utlizava por cá a palavra parabenizar há 15 anos? O que pretendem fazer é uma traição á nossa história, julgo que será matéria passível de referendo, o coro de indignação irá aumentar e muito, Portugal, um país quase milenar, com história na literatura, poesia e música, vai submeter a sua lingua a uma idiotice? Não pode ser! Parabéns á autora do texto, mas já suspeitava que escrevia bem em português, só não sabia que o fazia com a mesma qualidade com que escreve em inglês.

Carol disse...

Minha querida, ADOREI o teu post! Primeiro, deixa-me que te diga que na arte da escrita camoneana não ficas nada a dever à shakespeareana, ou seja, escreves muitíssimo bem, tanto em inglês como em português. És incisiva, contundente e não deixas de lado um sentido de humor muito próprio (e refinado).
O tema é-me muito caro, pois sou professora de Língua Portuguesa e, tal como tu, sou completamente (advérbio adjunto de modo, segundo a nova terminologia linguística) contra um acordo ortográfico. Como muito bem dizes, que a língua evolua per si, sem que seja forçada a isso! Neste aspecto, pode-se dizer que sou mesmo fundamentalista (adjectivo).
Por último, não posso deixar de dar os parabéns ao Notas e à sua equipa pelo excelente trabalho que tem vindo a desenvolver. Agora, o nível de exigência será ainda mais alto, pois com esta nova aquisição só teremos «great expectations».
Parabéns!

bluegift disse...

Congratulations my dear! I’m really happy for your perfect Portuguese writing. Unfortunately I couldn’t do better in German, but I will, one day I will (by the year 2050, I think…).
I’m also happy that you accepted to collaborate with the pundits, it’s a good choice, it’s a great blog!

About the subject that brings us here, of course I agree with you. It’s perfectly abusive to oblige people to write in a way a bunch of recycled scouts decided to. Why don’t they simply change one word or another according to the natural pace of people? Respecting a logic human way? And why changing the identity of a people, that just happens to be the one that gave birth to Portuguese language, only because there is a big majority, thousand kilometers away, doing it a bit differently? We live different realities, we are "brothers" but we are different, we have our own identity, so live it alone! We are Europeans, they are Americans. There are a lot of English and French different writings all over the world, according to their reality, why should it be different to Portuguese? Are we living in Brazil???

They already tried to do it in the 80’s, but Lindley Cintra and José Hermano Saraiva (the brother) didn’t let it, they knew how to make face to the lobbies that support this treaty.

Know what? It’s disgusting!

Compadre Alentejano disse...

Tal cono os que me antecederam nos comentários, adorei o texto. Parabéns.
O que eu acho desta fantochada, é que há a preocupação, aliás já manifestada noutras áreas, de nivelar por baixo. Não somos nós quje temos que aprender português com os brasileiros mas sim o contrário.
Além disso, este (des)governo não tem inteligência e sabedoria para mais.
Saudações.
Compadre Alentejano

bluegift disse...

I meant António José Saraiva, brother of José Hemano Saraiva. Unfortunatly he died in 1993.

Márcio disse...

Parabéns – acho mal não o dizer, quando toda a gente o fez! E acho que sim, acho que por esta amostra é uma boa “contratação”. Quanto ao texto em si, apenas um ou outro apontamento.
«…(será que já se diz saramagueana?)…», e quem é Saramago? Senão mais apenas um escritor, que apesar de português tem andado longe de terras lusas, e que andou muitas vezes à procura de polémica para se continuar a falar do seu nome, e disse um mais maiores disparates (quando referiu que Portugal ainda há-de voltar de ser Espanha).

Tiago R Cardoso disse...

Excelente, de facto é um excelente texto.

Será necessário um acordo ortográfico?

De facto, como diz a autora do texto, a língua deveria evoluir naturalmente, evidentemente sem a sua desvirtuação e obedecendo a regras que a preservem.

As diversas formas de tratar o português, para mim é isso que o enriquece e o ajuda a tornar uma língua fantástica, pena que muitos o continuem a achar uma língua de segunda.

Eu pessoalmente estou bastante satisfeito com esta nova entrada no "Notas Soltas", um projecto que tem vindo a se diversificar e a tentar criar um debate.

Carol disse...

De facto, Tiago, há muito quem ache que a Língua Portuguesa é uma língua de segunda e não me refiro a estrangeiros (como o morcão do Bush), mas, sobretudo, aos portugueses que a desvirtuam e desvalorizam todos os dias.
Esta nossa língua é de uma beleza e riqueza inigualáveis, mas poucos são que o assumem.
Fico triste, deveras triste quando vejo e leio, todos os dias, nos meios de comunicação social erros de bradar aos céus! E não são gralhas ou lapsos provocados pelos directos. São mesmo erros, repetidos à exaustão!
O mesmo se passa em restaurantes, cafés, consultórios médicos, etc, etc. E o mais interessante é que, quando alertados para esses erros, muitas vezes respondem: «Ah, isso vai tudo dar ao mesmo!» ou «Mas percebeu, não percebeu? Então, é porque não é grave!».
Outro facto que me entristece bastante é o dos meus respeitáveis colegas de profissão, docentes de outras displinas, considerarem que não têm nada que corrigir os alunos pois, e passo a citar, «Eu nem sou professor de Português!».
Esta é a nossa língua, é a nossa herança cultural mais rica e todos, mas todos temos o direito e, acimade tudo, o dever de a preservar e divulgar com dignidade.

Daniel J Santos disse...

Para já os parabéns ao Notas por esta excelente ideia da rubrica Notas emprestadas.

De seguida os parabéns por esta entrada no blogue.

Em relação ao texto revejo-me em muitos aspectos.
Principalmente perguntar para quando deixar-mos de ter vergonha da nossa língua.

antonio disse...

Blonde always blonde…

O teu texto e o teu português são um tributo à nossa língua, a de todos e também a de Saramago, Brasis e todos os confins do mundo.

Mas existe por aí quem acredite que por acordos se ganham mercados e tudo no fim se resume a isso: mais margem de lucro.

Por momentos pensei que ias deixar o Bush de fora de tudo isto, mas num golpe de mestre…

(Tiago a resposta aos teus sonhos já lá está!)

carlos alberto martins disse...

Permitam que enderece os parabéns à equipa que actualmente compõe o NOTAS.
O Quintarantino, depois de ter conseguido o Tiago e a Silêncio Culpado, anuncia agora que a Blondewithaphd fará, também ela, parte do projecto que me recordo de o ter visto iniciar.

Este texto reflecte a riqueza de opiniões, a capacidade de análise e a profundidade de conhecimentos a que nos habituamos neste blogue.

Pena é que alguns gostem de vir aqui e a outros locais destilar ódio, mostrar-se e comentar os comentários dos outros.

Tenho pena que num espaço onde qualquer um pode escrever, haja quem cá venha só para dizer asneiras ou mostrar a sua ignorância.

Maria P. disse...

Mais uma excelente iniciativa deste blog.
Parabéns!

Bom fim-de-semana a todos*

Francisco Castelo Branco disse...

Parabens pelo texto. Foi muito bom
Puxa pela lágrima

Miss Vader disse...

Olá Blonde, gostei de ler o teu texto.
Especialmente aqui no blogue do Dad.
És contra o Acordo e acho bem. ter que aprender a escrever outra vez não me dava jeito.

adrianeites disse...

“thou shalt not make fun of me!”

Esta frase aplica-se na perfeição a Socrates..também!

Boa análise numa rúbrica sui generis na blogosfera!

Muito tem crescido este blogue!

Boa continuação! Parabens!

Boa Semana!

NINHO DE CUCO disse...

Gostei do texto que revela não apenas o domínio sobre o idioma mas também sobre a cultura e a História de Portugal. Gostei particularmente da referência a D.Dinis e aos Cantares de Amigo
A evolução da língua deverá ser feita de forma gradual de acordo com as influencias recebidas e não por acordo ortográfico. O acordo ortográfico é uma autêntica aberração que tem finalidades e interesses que nada têm a ver com a cultura nem com a evolução da lingua.

NÓMADA disse...

Parabéns pelo texto e pela capacidade de análise num português bem articulado.
Também sou contra os acordos ortográficos por estes desvirtuarem a normal evolução da língua.
Espero que continue a escrever porque, pela assiduidade que demonstra neste blogue, certamente terá muito para nos oferecer.

Blondewithaphd disse...

Para que conste:
1. A malta está sempre a aprender e o que eu pensava ser um advérbio de modo (era o "particularmente" a vítima ironizada!) transformou-se agora num advérbio adjunto de modo (obrigada Carol). Lamento, mas acho a nova terminologia uma grande e desnecessária chachada (xaxada?! chaxada?!, esta confesso que não sei escrever);
2. Apesar de o Estado Português constantemente (e a duras expensas, sempre minhas obviamente) me recordar a minha "não naturalidade" lusa, e apesar de a minha primeira língua não ter sido este nosso idioma, é a Portugal que chamo pátria;
3. Gostei de chegar aqui!!

Um Momento disse...

E sim, gostei imenso do tema abordado. Também eu sou "contra" este "acordo ortográfico" se é esse o nome com que o baptizaram... ou será antes batizaram?...
Bom post:)
Deixo um beijo
(*)

Latitudes disse...

Gostei!

Opinião de um leigo:
"(des)acordo". Ou seja, não concordo com o acordo ortográfico. Mas não façamos uma guerra por causa disso.
A língua não se molda a burocracias.
Como já referido e empiricamente sabido. a língua tem a sua própria dinâmica...
Qual a percentagem de portugueses que cumpre o código linguístico vigente?
Uma percentagem muito pequena, certamente.
Somos um país pequeno e mesmo assim não há uniformidade no diz respeito à sua utilização oral ou escrita. À parte os regionalismos, existem realmente coisas que arrepiam e ferem diariamente. Temos como um dos maus exemplos, as televisões portuguesas. De onde insistentemente vão sendo arremessados os mais raros "vocábulos" num claro atropelo à nossa língua... coisas do tipo "cevíl" "fameliar" "quaise" "edefício" "comprimento" em vez de cumprimento entre outras … extravagâncias dos Doutores! E parece que a doutores tudo é permitido no país da vénia. Ah! Têm um programa que se dedica diariamente "ao bom português" e nem assim aprendem! O mal é notoriamente generalizado está institucionalmente enraizado. Pois se assim não fosse, haveria sempre alguém a exigir maior rigor. O que é facto é que eles se entendem e nem sequer dão pelo erro. Como "coisa que não tem remédio remediado está" é deixá-los falar... quem sabe irão criar uma nova variante. O grau de exigência no ensino; a qualidade do ensino verifica-se, também e essencialmente pela forma como falam os finalistas de um qualquer curso secundário ou universitário. Fazer o quê? Quando os seus professores estão quase ao mesmo nível!?
A fazer-se guerra ou revolução ou reforma... primeiro cá dentro!
Quanto ao português do Brasil... não nos podemos esquecer que é um português mestiço por influência dos nativos. Tem uma musicalidade típica, a meu ver, mais fónica que afónica de carácter prazenteiro. Mas na essência é a nossa língua. Dada dimensão do país, têm-nos vindo a colonizar linguisticamente. Mas não façamos drama. Ainda assim e apesar de gostar muito, não me obriguem a vestir um "terno" a menos que seja de ouros. E mesmo assim não será grande, o trunfo. De facto, nem fato gosto de vestir.
Há que haver, acima de tudo, tolerância... coisa que "abunda pouco" na civilização contemporânea.

(Desculpem o mau português. Pois para além de ter sido fraco aluno, aprendi em escolas portuguesas. E se não fosse o meu amor à língua garanto que o grafismo seria ainda mais "artístico")

João Ramos

mac disse...

Há uns anos atrás, houve pela primeira vez um fesival de cinema português no Brasil...
Foi preciso pôr legendas em português Brasil...
Isto sim, é o cumulo do ridiculo.

Sniqper ® disse...

Exmo. Senhor Quintarantino,

Deixa-me Rir...
é a melhor forma para começar este comentário, você que ocupou parte do meu tempo e espaço no Kolmi numa troca de comentários no texto que publiquei, O Jovem e o Cego e claro como seria de prever tomou a atitude que eu esperava, KOLMI FORA DA LISTA DE LINKS DE BLOGUES

Como você escreve nos comentários que fez no Kolmi, claro e sem deixar margem de dúvidas, aqui no Notas Soltas quem manda é o Patrão, mais nada.

Um dia o seu jogo que já está destapado, mais ficará e depois veremos a sua moral, até lá, passe bem se conseguir aguentar o peso de uma consciência bem pesada. Quem escreve de uma forma e procede de outra será que consegue dormir? Pois não sei...

Zé Povinho disse...

Também acho que forçar a mudança por força de um qualquer acordo, não é um bom princípio. Será sempre confuso para os jovens estudantes, incómodo para os adultos, e vai de certeza encontrar forte resistência de todos os que aprenderam a actual grafia.
Bom artigo, e em bom português.
Abraço do Zé

Guilherme Santos disse...

Permita-me assinar por debaixo deste texto.

Parabéns pelo blogue.

Lampejo disse...

Olá,

A Babel ortográfica.


‘Este acordo ortográfico ele muda a grafia de certas palavras, a maneira como se escrevem, e não altera a pronúncia de nenhuma palavra, não cria nem elimina palavras, não tem a ver com as variações de uso ou significado delas, não elimina em nenhuma palavra qualquer letra que se leia numa pronúncia culta da língua, não estabelece regras de sintaxe, não interfere com a coexistência ou com as regras de normas linguísticas regionais, tem a ver somente com a maneira de escrever as palavras! Com o Acordo Ortográfico, a grafia das palavras passa a ser regulamentada nos países de língua portuguesa por uma única norma.

É inevitável haver mudanças na ortografia, a língua evolui e por arrasto, a ortografia tende a simplificar-se, a evoluir.

Claro que sempre que há mudanças, há desconforto, principalmente entre as pessoas que sempre conheceram a mesma maneira de escrever.
Convém lembrar que ainda há muito tempo que se escrevia farmácia com "ph" e se tiverem oportunidade de ler um livro que tenha sido imprimido pelo princípio do século passado, irão encontrar uma ortografia bem diferente da atual. Talvez não seja má idéia começarmos a habituarmos-nos a escrever segundo as novas regras...’



Sei também que essas mudanças na ortografia irão trazer dificuldades aos maiores interessados que são, professores e estudantes que este ano encerram o ensino médio e prestarão vestibular em 2008.

Eu não questiono a forma de mudança (aliás, sou a favor dela!)

A intolerância e as generalizações são dos piores defeitos do Homem.

Sei que não vai ser fácil justificar esse acordo ortográfico, mas enfim...


Gostei da postagem parabéns a Blondewithaphd!

(a)braços e bom fim-de-semana

Peter disse...

Porquê o "acordo ortográfico"?
Há um ditado popular que cada vez se nos aplica mais:

"Quem muito se abaixa o c... lhe aparece"

indomável disse...

Querida Blondie,

É claro que tinha de te seguir para aqui e como comento o teu blog em inglês, aqui só podia fazer-te a homenagem de te comentar em... português, pois então! É que não deixaste escolha com a perfeição com que te exprimes nesta posta de pescada!

Se bem me recordo dos meus tempos de escola, já outrora houve um acordo ortográfico, que me deixou então fora de mim. então eu escrevia baptizado, Victor, contracto e um grupo de senhores que se apelidava de absolutos conhecedores da lingua e portanto seus donos, queriam-me fazer baixar o "p" e o "c"? Eu que levara tanto tempo a perceber que os tinha de escrever sem ter de os ler?
Não, não fui nisso, continuei a escrever como aprendera e queria ver só que professor é que me marcaria errado. Uma professora extra zelosa ainda tentou, ai porque agora já não é assim e tal e coiso mas eu pu-la no seu lugar e ela lá percebeu que não valia a pena discutir com o meu mau feitio!

E agora nova proposta de acordo ortográfico, quando naturalmente se deixou de usar a segunda pessoa do plural na conjugação dos verbos, porque a lingua evoluiu - ainda alguém dis vós sois palermas? ou Vós ides para o raio que vos parta?
Eu já só digo, vocês devem estar a gozar comigo!
Se porventura este acordo for em frente, o que diremos aos nossos amigos galegos que têm com a nossa lingua tanto em comum?
Olhem desculpem lá, mas afinal estaveis equivocados, afinal o que interessa mesmo é um universo de 150 milhões de falantes do português no Brasil. Nem sequer interessam os crioulos de África, Ásia ou Oceania...

Bem, como em tudo, os interesses comerciais sobrepõem-se a tudo e é disso que aqui se trata. Mas o triste mesmo é verificar que ninguém está muito preocupado com o nível de português que se fala e escreve nas nossas escolas (quer por alunos como por professores, valha-nos deus!). Está tudo muito interessado em "fazer bonito".
Que me perdoem os nossos manos brasileiros, pois que já vi a nossa lingua tão bem falada, escrita e cantada por eles, mas não temos de escrever e falar todos de forma igual. O português do Brasil é isso mesmo, e o português de Portugal também o é por isso mesmo. Assim como o Cabo-Verdiano, ou o Angolano, aquele que serve de base ao dialecto falado em Goa ou em Timor.
Para quê uniformizar aquilo que pela sua natureza se dispersa?
Se em Portugal Continental se fala de uma forma bastante heterogenea e aqui mesmo ao lado, nos Arquipélagos termos existem que nem parecem do português?
É que já não há pachorra!

Joshua disse...

Minha menina, quanta alegria na tua escrita! Ainda bem! Gosto da tua jovialidade.

Quanto ao famigerado acordo, para mim ele é inútil e desnecessário. Seria a mesma coisa que encher de um só tempero um prato, quando as opções são imensas.

Deixem à língua grafada e às opções vocabulares seguirem o seu livre curso dentro de um Português plural. A nossa riqueza estará sempre aí. Na Pluralidade.