Igualdade no feminino e a polémica do estacionamento para mulheres no Shopping 8ª Avenida de S. João da Madeira

A notícia de que, num centro comercial em S. João da Madeira, foram criados quatro estacionamentos para mulheres, pintados de rosa, e com mais um metro de largura que os normais, ultrapassando mesmo os reservados a deficientes, tem gerado uma forte polémica pelo insulto implícito que esta medida contém. Não se trata de espaços reservados a grávidas, o que seria compreensível, mas sim de espaços reservados a mulheres normais que, certamente, por serem mais “inábeis ao volante” e, por excelência, “donas de casa” fornecedoras da dispensa, precisam de mais espaço.

Este é um insulto grosseiro mas não o único. Nem talvez o mais grave. Apenas é o que dá mais nas vistas.

São também um insulto as quotas que, o actual executivo, impôs aos partidos para a representação feminina. Estes factos recordam-me certos comportamentos empresariais, nesta era do faz-de-conta e do marketing direccionado para o embuste. Trabalhei numa empresa em que os homens tinham um peso de 90% e ocupavam praticamente todos os cargos de direcção.
As campanhas de comunicação, para transmitirem a imagem de uma organização sem preconceitos, estudavam quem devia aparecer nas fotografias. E, em quase todas as acções, era quase certo ser eu a escolhida bem como um colega meu que era preto. Isto revolta-me como me revolta recordar-me o trabalho e esforço que tive que desenvolver, para que fosse reconhecida a minha competência.

Se numa reunião era necessário secretariar, e só havia homens, sugeriam logo a minha pessoa e, quando estava na hora do coffee break e, se por qualquer motivo, não estava presente o pessoal de apoio, lá voltavam os elementos masculinos a olhar para mim esperando que os fosse servir. Sempre me insurgi e nunca aparei estes comportamentos. Trabalhei até à exaustão, para não falhar e provar que era tanto, ou mais, competente que qualquer colega homem.

Com o meu esforço, que às significava prolongar o horário e ainda ter que trazer trabalho para casa, consegui ter, à excepção de uma única vez, a avaliação profissional de A e pertencer à quota rígida dos 10% de avaliações excepcionais. Porém, quando a empresa abriu negociações para rescisões amigáveis e me candidatei, decidiram oferecer-me pouco de mais de metade do que deram aos meus colegas homens que fizeram sorna. A justificação era esta: não queria provar que era boa? Então faz falta. Como o interesse em sair é seu, paga-se menos. Se quiser aceita, se não quiser, fica. Acabei por aceitar.

Estou a contar este caso pessoal porque não é caso único. E há outras situações a outros níveis. Mulheres que em fábricas, por trabalho igual, recebem salário inferior, mulheres que não têm tempo para participar na política porque não há uma justa repartição das tarefas domésticas. Mulheres a quem na infância educaram para serem fadas do lar e lhes cercearam oportunidades de brincar com jogos e ferramentas que lhes desenvolvessem outras capacidades.

Lembro-me de, há uns bons anos, ter lido um estudo sociológico comparativo sobre a população feminina no Instituto Superior Técnico e na Faculdade de Letras de Lisboa. No IST, direccionado para as engenharias, a população era maioritariamente masculina. Nas letras as mulheres eram 98%. Mas quando se aprofundava esse estudo, em termos de estratificação, verificava-se que, no IST, a população feminina era maioritariamente filha de quadros, enquanto na Faculdade de Letras isso já não acontecia. O que é que isto quer dizer? Muito simplesmente que os quadros preparam as filhas mulheres para seguirem carreiras de alta direcção e proporcionam-lhes os instrumentos para as atingirem, enquanto nas classes populares, por ausência de preparação, as mulheres que estudam têm dificuldade em penetrar em áreas técnicas.

Por isso, basta de hipocrisias. Basta de arranjar artimanhas sobre as consequências sem procurarmos as causas. Homem, mulher, pobre, rico, preto ou branco o que querem é dignidade. Uma dignidade que só se atinge através da tão apregoada e, pouco praticada, igualdade de oportunidades. Não querem essa complacência que os afronta.

A sociedade só progride, e só teremos um mundo melhor, se escolhermos para dirigentes os mais aptos e os mais capazes, independentemente da raça, credo, sexo ou origem. Não humilhem mais os humilhados através de quotas que só servem para expor, pela negativa, mulheres que não tiveram oportunidade de desenvolver aquelas competências. Criem antes condições para que as mulheres, pelas suas capacidades e valências, ocupem os lugares que, por mérito, lhes pertencem.

58 comentarios:

7 Pecados Mortais disse...

Infelizmente é verdade que ainda vivemos numa sociedade maioritariamente machista. É triste ter que o admitir, mas é verdade, como é verdade que em cargos idênticos nas mesmas empresas, os homens em geral, auferam um vencimento superior às mulheres, como também é verdade, porque o sei, que há homens que não aceitam que as suas esposas tenham um vencimento superior aos deles. (Neste último caso, só ficam a perder, pois é menos dinheiro que entra em casa - digo eu!). Estamos a caminhar para melhorar esse aspecto, contudo ainda existem casos como o artigo refere assim como os que mencionei. O que dizer? É tudo uma questão de mentalidade...

Mia disse...

Essa tocou-me e de que forma. Não por ser feminista, mas precisamente pelo insulto, pelo rótulo, pela descriminação de seres cuja origem é a mesma.
Considero sem dúvida, que há diferenças entre os dois sexos, a força, a anatomia, mas jamais a capacidade intelectual. Destreza? Necessidade de mais espaço? Só se formos fazer compras para 1 ano e levarmos atrelado. Para mim quem teve essa ideia, deve ser uma pessoa que pensou nela própria e nas dificuldades que sente em estacionamentos normais e camufladamente vai usar esses espaços.
Às vezes dá vontade de ser feminista e arranjar forma de sanear essas cabeças com o prazo de validade já esgotado.

Tiago Nené disse...

apareçam aqui:

http://www.bloguedasartes.blogspot.com/

novo conceito de blogue.

façam-se socios;)

bluegift disse...

Não me choca, até acho graça. Eu também gozo com a maior inépcia das mulheres ao volante, se bem que os acidentes mortais sejam devidos, normalmente, aos homens (excepção para o caso da professora de Abrantes...).
Mas olha, Silêncio, Só é pena que não se adopte nas empresas umas gravatas ou lencinhos azulinho bebé para os homens que foram preferidos face a mulheres mais competentes. Seria bonito de ver o mar de azulinhos que iria invadir as empresas! a começar pelos conselhos de administração...

sniqper ® disse...

Basta de hipocrisias...
Assino por baixo do teu texto, sem qualquer hesitação, Mas...e lá está o Mas... precisamos para receber não de dar mas sim de ensinar.
Este tipo de situações, seja entre homens ou mulheres, raças, religiôes, opções sexuais e afins, só irá ter fim, ou direi alguma dignidade quando formos nós a excluir e a não incentivar a criação de grupos, onde por sermos do Norte ou do Sul só deixamos entrar ou admitimos quem seja de um lado ou de outro, em conclusão a dignidade começa por avaliarmos se as nossas atitudes não provocam divisão e, ai sim em consciência podemos começar a exigir o fim dessa doença.

NINHO DE CUCO disse...

Concordo com o que diz o Sniqper. Temos que ser nós, um por um, a pôr fim à discriminação a todos os níveis. Quanto à discriminação sexual, as próprias mulheres a incentivam, devido a uma educação enraízada nos tempos que as tem ensinado a ser assim. E quando educam os filhos não sabem educá-los com equidade. Mas todos, podemos contribuir para a mudança que, ainda está longe, de estar concluída.Basta nos preocuparmos com isso.

bluegift disse...

"mind is like a parachute it works better when it's open"
O mundo animal é perito em discriminações de toda a ordem, sejamos menos animais pois então,
e que a revolta não nos cegue ;-)

adrianeites disse...

sou a favor da discriminação positiva apenas para deficientes, doentes e mulheres grávidas..

em tudo o restante é ridiculo e nada abona em prol da igualdade..

exemplo: A Tsf tem o reconhecido fórum matinal... espaço onde podem intervir toda a gente...


de tarde tem o fórum mulher...

as mulheres que participam de tarde não deveriam mas é participar de manhã e assim o fórum seria mais multifacetado..

Não sou machista.. defendo até a igualdade...

cp's

quintarantino disse...

Pela igualdade de oportunidades, de direitos e de deveres.
É assim que sou.
Por isso sou dos que não acharam piada nenhuma à ideia das quotas nas listas a submeter a sufrágio, sou dos que em minha casa pratico e professo a igualdade...
No mais, eu até acho que a ideia lá de S. João da Madeira devia ser praticada em todos os centros comerciais e para todos os condutores. È que já estou farto de levar com as portas alheias no meu carro...

NÓMADA disse...

O comentário do Quintarantino sugeriu-me uma adenda ao meu post e esta dirigida a todas as mulheres. Quando forem de viajem não ponham os companheiros a carregar bagagem que não levariam se fossem sozinhas.
Procurem sempre ser autónomas e conquistar espaço através dessa autonomia.

António de Almeida disse...

Poderia subscrever quase todo o artigo, não fosse uma única, simples, mas brutal excepção, que constitui uma discriminação de que o homem é vítima. Estou a falar da atribuição do poder paternal em caso de divórcio, a percentagem de homens a quem é atribuida a custódia dos filhos nem chega para começar, mesmo quanto têm manifestamente condições de afecto, disponibilidade e conforto muito superiores ás da mãe, não faz mal, estipula-se uma pensão mais elevada. Sem prejuízo de serem verdadeiros todos os casos aqui enunciados, se queremos debater igualdade de género, vamos debatê-la na totalidade.

SILÊNCIO CULPADO disse...

António Almeida
É impossível, num post,incluir todas as situações mas, fui bem clara no que se refere à não aceitação de situações de favorecimento. Se muitas vezes o tribunal entrega os filhos às mães não é para favorecer as mães mas porque, de um modo geral, é melhor para os filhos. E é por quê? Porque os homens se demitiram das suas responsabilidades e empurraram para cima das mulheres responsabilidades e tarefas que também lhes competiam. Porém, repito, a criança deverá ser sempre entregue a quem tiver melhores condições para cuidar dela seja o pai ou seja a mãe. E deixe-me só acrescentar mais uma coisa. Quando existe uma separação, em que há filhos, as partes envolvidas devem saber separar as águas e não fazer dos filhos armas de arremesso.

C Valente disse...

"um insulto grosseiro" quando uns querem a igualdade a que tem direito , outros querem fazer sentir e a não esquecer " inferioridade das mulheres" que não reconheço, elas são taão capazes como os homens . Tudo uma questão de mentalidade tacanha, pois se eu fosse mulher nesses lugares não estacionava
Saudações amigas

Keops disse...

Quando se admite como muito equitativa e progressista a implementação de quotas no parlamento,quando se evoca a igualdade para provocar expectativas de falhanço, quando não se respeita a PESSOA e sua natureza, estamos sempre a cair no mesmo erro. E sucede tantas vezes...

Tiago R Cardoso disse...

Infelizmente a igualdade de todos, que eu também defendo, não passa de uma miragem.

Eu tenho uma visão de igualdade, onde as pessoas devem ocupar os lugares pela capacidade e não por outros factores, onde todos os direitos e deveres devem ser repartidos igualmente por todos.

Detesto no entanto radicais, os grandes "machões" com mentalidades trogloditas em relação as mulheres.

Também não aprecio as mulheres que entram em extremismos contra os homens.

É necessário um equilíbrio entre todos de forma a que a nossa vida funcione.

Joshua disse...

É uma frente de combate que é preciso rasgar violentamente porque se há coisa de que não se fala é de estas coisas, fechadas e acobertadas, no sigilo laboral.

Um mundo justo faz-se de este tipo de denúncias corajosas como esta tua e quanto mais atempadas, melhor.

Quisera cobrir de ridículo os que nos usam como bonecos patetas para a fotografia e para o trabalho escravo.

bjs

joshua

Francis disse...

acho isto um não assunto.
o que é que isto interessa ?

Márcio disse...

Eu cheguei a ler essa notícia… e de facto a notícia é muito grave ao contrário daquilo que pode parecer à primeira vista, provocando eventualmente algumas gargalhadas pela situação em si.
De resto, muito sinceramente fiquei um bocado sem palavras… acho que tens o dom de dizer as palavras certas nas situações certas. Afinal o Sr. Quintarantino não fez a contratação assim ao desbarato. Aliás, este blog está-se a tornar numa verdadeira referência da blogosfera nacional.

Boris disse...

Este texto demonstra como tudo é viciado nas relações de trabalho, sociais e familiares. E como há um longo caminho a percorrer para que se encontre o equilíbrio. A história das quotas é uma das vergonhas nacionais do Sócretino.

quintarantino disse...

Então, Francis, isso é lá coisa que se pergunte ou sequer afirme?
Não assunto? Não interessa?
Como diria o outro, olhai para o que eu digo, não olheis para o que eu faço!!!

Miguel Ângelo disse...

Através de um outro blog, fiquei a saber que num centro comercial, em S. João da Madeira, pintaram estacionametos de cor-de-rosa, para mulheres - presumo pouco aptas na habilidade da condução. Pergunto eu: Por que não pintar também espaços azuis de estacionamento para homens. Até quando está "guerra dos sexos"?
Hoje, fala-se em quotas para ocupar lugares. Ora bem: Não acham que as pessoas devem ocupar os lugares profissionais/sociais pelo seu méritos e competência manifestados. Sempre pensei assim e nada me demoverá desta ideia fixa. Neste caso, sou judeu, mesmo sabendo que a minha religião é a pior, não desisto por nada deste mundo...Isto é a minha pura convicção!

sniqper ® disse...

Mas, mais uma vez...
Sem dúvida alguma que os comentários são a real imagem social...

7 Pecados Mortais disse...
"É tudo uma questão de mentalidade..." Tão simples de resolver, é isso mesmo mas complicar é uma arte que o ser humano cultiva.

Mia disse...
"Essa tocou-me e de que forma. Não por ser feminista..." Lá estamos nós a complicar, dividir a sociedade em classes será necessário?

NINHO DE CUCO disse...
"Quanto à discriminação sexual, as próprias mulheres a incentivam..." Nem mais nem menos é isso mesmo, mas enfim!

adrianeites disse...
"sou a favor da discriminação positiva apenas para deficientes, doentes e mulheres grávidas..." Será que li bem ou estou a ficar louco, realmente!!!

António de Almeida disse...
"uma discriminação de que o homem é vítima. Estou a falar da atribuição do poder paternal em caso de divórcio..." Assino por baixo essa, será que no caso de uma separação o pai deixa de ter a capacidade e responsabilidade que tinha antes de tal facto ocorrer, a separação?

Keops disse...
"quando não se respeita a PESSOA e sua natureza, estamos sempre a cair no mesmo erro." Simples, é só pensar, mas infelizmente é um facto estamos sempre a cair no mesmo erro.

Tiago R Cardoso disse...
"É necessário um equilíbrio entre todos de forma a que a nossa vida funcione." Mais uma entre a muitas verdades aqui escritas, espero que se faça luz no resto das mentes que andam pelas escuras vielas da ignorãncia.

Francis disse...
"acho isto um não assunto. o que é que isto interessa ?" Por um acaso você existe? Duvido deve ser algum daqueles anúncios com fundo branco que fica durante dias exposto para chamar a atenção dos possíveis consumidores. Será mais um alien que caiu de uma nave? Hummm...

Até agora gostei, de facto este blogue é um blogue, mais nada. Tenho dito.

C.Coelho disse...

Realmente é espantoso como pessoas diferentes lêem os mesmos assuntos.De uma forma geral até posso concordar com os comentários à excepção do de Francis que demonstra, olhem o que demonstra, e o problema da paternidade levantado por António Almeida e que não é, propriamente, algo que favoreça a mulher. Tem mais a ver com uma linha de continuidade em que a fada do lar é que deve tomar conta dos filhos às vezes sacrificando a carreira profissional e passando grandes dificuldades quando os ex- se desligam e não depositam sequer as mesadas para os filhos.Muitos dos que se armam em bons pais e reclamam os filhos que foram entregues às mães estão-se pura e simplesmente borrifando para eles e nem sequer os vão ver todas as vezes que podiam nem se preocupam com tudo aquilo que se deviam preocupar. Os tribunais estão, infelizmente, cheios de casos desses. No entanto há, felizmente, honrosas excepções mas nem sempre são devidamente apreciadas por causas da generalidade dos maus exemplos.

Kalinka disse...

OLÁ TIAGO
Reparo que é de Santa Maria da Feira, estive aí no sábado precisamente para conhecer uma amiga bloguista, que aí vive...caso para dizer: estivemos tão perto!!!
Também eu fui visitar na 5ª feira - feriado, esse tal centro comercial e lá vi os lugares para as senhoras pintadinhos de cor de rosa...e, pergunto eu: que mal tem???
Aproveito para divulgar esta notícia, que é precisamente o meu último post, não sei se se interessa por teatro.
Para os Amigos bloguistas que me visitam, segue a informação adicional:
O Festival vai até ao dia 1º de Dezembro;o encerramento é neste dia, é representada a peça da casa: A Farsa de Mestre Pathelin - encenada por Manuel Ramos Costa, dirigida a um público adulto.
Quem viver no Norte do País e estiver interessado é só visitar o site:
www.contactovar.com

BEIJITOS.
Hoje tirei umas horitas para fazer uma visita, pois ando atrasadissima com as visitas aos blogues dos Amigos.

Kalinka disse...

Sabe que mais?
Concordo, pois cada um sabe de si...e, não aceito que muitas senhoras (...serão senhoras mesmo?...) que se manifestam contra esses lugares, devem ter uns 30 aninhos de idade e 50kg de peso...e, não sabem ainda a dificuldade de quem tem 100kg de peso, é larga de tamanho e não consegue sentir-se atrofiada em sitios reduzidos...um dia pode ser que saibam o que isso é...só peço: não cuspam para o ar!!!

Li aqui opinião de alguns homens que também acham necessário e passo a citar:No mais, eu até acho que a ideia lá de S. João da Madeira devia ser praticada em todos os centros comerciais e para todos os condutores. È que já estou farto de levar com as portas alheias no meu carro...

Pois é...
só as FEMINISTAS ficaram incomodadas!!!

Kalinka disse...

ALGUÉM escreveu:
sou a favor da discriminação positiva apenas para deficientes, doentes e mulheres grávidas..."

Pois digo-lhe que há outras doenças que não são visíveis e, por isso, não são mencionadas nas excepções.

Agora o mais engraçado da situação, nesse feriado vi um «senhor» todo inchado a estacionar o seu carrito num desses lugares cor de rosa...e, esta hein? que dizem agora?
Todos falam só pelo prazer de criticar, mas depois...só não o fazem se não calhar!!!

M.M.MENDONÇA disse...

Porreiro Kalinka! Deves ter participação no tal Centro.Só assim se compreende que afirmes o que afirmas. Não vejo feminismo nenhum em nada do que aqui está. E se és mulher e pesas 100K tadinha tens que fazer dieta porque isso além de inestético é mau para a saúde. E devias pagar 2 bilhetes nos transportes públicos porque ocupas muito espaço.
E já agora poderias dizer-me o que é que se faz a um homem que pese 100 Kg ou mais? Daqueles com uma granda barriga e que nem conseguem ver uma coisa que eu cá sei? Passam a ir para o estacionamento rosa?

quintarantino disse...

PESSOAL... olhem o nível, faz favor!

Blondwithaphd disse...

I'm not a feminist, I don't think we're at war with men and I'm 100% against quota systems of any kind. I don't defend positive discrimination or affirmative action. I believe in the stupidity of Man of which this is a clear example. I believe stereotypes die hard, but what I don't believe is that this is a non-subject! On the contrary, this is a never-ending subject that Mankind all over the world still has to overcome.
And just by the way, today there are more girls studying than men, even in Técnico and so-called male-related courses. Girls, on average, perform better than boys as far as grades are concerned, but after graduation they still get the less qualified jobs. How's this for a non-subject?

ALEX disse...

Pela luta acesa que aqui está gerada bem se vê como este tema é pertinente e como faz emocionar os comentaristas. Pronto, vou procurar manter-me no comentário aceitavelmente correcto para ser merecedor do blogue e do artigo. Muito linearmente este artigo propõe uma igualdade de deveres, direitos e oportunidades sem fazer distinção de sexos, raças ou ideologias. Isto é absolutamente correcto como não pode deixar de ser e até me parece muito aceitável e muito pacífico. O fogo que gerou um simples fósforo dá para perceber que as mentalidades estão muito fechadas aos mais elementares direitos de justiça.E se isso é verdade, como por alguns comentários parece[Francis, Kalinka]até sou forçado a concordar com o Sócrates e com as quotas de participação feminina impostas aos partidos.
Parece que à palavra o portuga não vai lá.

quintarantino disse...

Alex, quando falei do nível era só por causa das trocas de galhardetes pessoais. Mais nada.

bluegift disse...

Às vezes tenho a sensação que uma boa parte das pessoas habita num conto de fadas: Desde quando é que na sociedade se ocupam lugares e ganham direitos apenas pela competência? Devem estar a sonhar, não é verdade?! Voltamos ao Nirvana? E eu a pensar que era só a ministra da educação...
Não seria mais justo se cada empresa tivesse uma cota para deficientes, mulheres, homens, jovens, idosos e outra população facilmente discriminada? Ou a sociedade só é mais justa pela lei do mais forte, do mais rentável, da família mais conhecida e da maior cunha? Ora reflitam lá um bocadinho. E com os pés no planeta Terra, de preferência...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Não BLUEGIFT, a sociedade não devia ter quotas para tudo isso. A sociedade justa não precisa ter quotas. Essas pessoas estariam protegidas nos seus direitos e garantias. E o que se pretende é uma sociedade justa. Uma sociedade que não segregue e arranje grupos fragilizados para depois dizer que é muito boazinha porque lhe arranjou umas participações de favor. Mesmo os deficientes que, aparentemente, parecem estar em maior desvantagem, são capazes de realizações espectaculares se lhes forem criadas condições. Repara Bluegift que Portugal tem tido muitas medalhas nas competições de paralímpicos. Sabes o prazer que é romper as incapacidades e mostrarmos ao mundo que somos capazes? Eu como mulher sentir-me-ia envergonhada de fazer parte de uma quota. Porque eu acho que sou capaz de lutar em pé de igualdade com os homens. E só assim o que obtenho é gratificante. E desculpa que te diga mas uma sociedade que não escolhe os melhores e mais capazes para seus dirigentes, será sempre uma sociedade fraca e diminuída.

GIL disse...

Por aqui se vê a força dos preconceitos. Estão nos comentadores que os assumem e na forma como outros os rejeitam. O País não está preparado para não discriminar. Apanhou com muitos anos de ditadura em cima, tem a influência da igreja e os costumes ascentrais da sua tradição. Não se muda de um momento para o outro e as quotas até se justificam para garantir um trampolim para a mudança.

NuNo_R disse...

Já tinha pensado fazer um post referente a essa situação e só não o fiz por achar que essa situação merece um repúdio enorme da minha parte que nem merece ser escrito no meu espaço.
Então fala-se tanto em acabar com a discriminação racial sexual e depois alguém avança com uma medida tão sexista quanto essa, em que para mais envergonha o sexo feminino da forma como o faz.
Então é a criar-se estacionamentos maiores para as senhoras que elas passarão a conduzir melhor?!´
Então e os homens não estão a ser discriminados também ao não terem direito a usufruir de um lugarzito mais espaçoso que o habitual?!
Só mesmo em Portugal onde apesar de ás vezes aparecerem boas ideias, aparecem ideias de m... que só humilham ainda mais os seus intervenientes.

abr...prof...

antonio disse...

Ora vocês não podem estar a falar a sério. A ideia é genial e de refinado sentido de humor. Só falta um espaço para as vassouras e a oferta de parqueamento feminino estaria completo! ;)

Rui Caetano disse...

O machismo faz parte da génese dos portugueses. Fico revoltado com atitudes de minorizar as mulheres mas não há nada a fazer a não ser sermos nós diferentes e aceitá-las na sua diferença com respeito.

Carol disse...

Ora aqui está um assunto que me indigna e sempre indignou!
Antes de mais, quero dizer que sou CONTRA todo e qualquer tipo de descriminação, seja negativa ou, como alguns lhe chamam, positiva.
Na minha opinião, tudo deve ser feito em função da competência e do valor de cada um, independentemente da raça, credo, religião, aspecto físico, etc.
E, em relação à custódia dos filhos de divorciados, a verdade é que não se deviam preocupar tanto com as condições económicas e mais com a atenção, a disponibilidade, o amor, a partilha e o bem-estar físico e mental dos filhos.

Carol disse...

Só mais uma coisita: isto é uma simples questão de mentalidade e todos nós podemos fazer algo para a mudar. Ensinem os vossos filhos, sobrinhos, primos, amigos, colegas a respeitar para serem respeitados. Ensinem-lhes que todos os trabalhos têm valor e são necessários. Ensinem-lhes que, sem a mulher e o homem, o mundo não existiria. Pelo menos com a presença humana!

bluegift disse...

Silêncio, eu percebo onde queres chegar, mas essa situação é idílica. Se não deres oportunidade aos discriminados desta sociedade para mostrarem o que valem, muito dificilmente o conseguirão e a um custo muitíssimo mais elevado. Tu própria o afirmaste, e de nada te valeu trabalhar melhor que os homens.

É uma questão de mentalidade e essa não muda enquanto as pessoas não estiverem habituadas a estarem todas, efectivamente, na mesma linha de partida. Repara, os deficientes estiveram nos jogos olímpicos para deficientes. O que é que tu propões? empresas só de mulheres, só de obesos, só de pessoas de côr, só de homossexuais?

Eu sei que tu pretendes uma sociedade mais justa pela livre vontade de quem está no poder, mas isso não é realista. Só por uma lei de quotas (desculpem o erro na mensagem anterior), criada por um partido eleito pelo povo, tu consegues lá chegar. Quem detém o poder empresarial não vai mudar de mentalidade. A tendência actual é até oposta, ou seja, para agravar a discriminação camuflada.

O caso do estacionamento côr-de-rosa poderá até ser uma gentileza para pessoas que têm mais dificuldade em estacionar. Porque não? Por acaso não é coisa que me ofenda. Ofender-me-ia é ser preterida por ser mulher, ter excesso de peso, mais de 35 anos, ser de côr, ser latina, ser cega, etc., isso sim é motivo de revolta.

SILÊNCIO CULPADO disse...

BLUEGIFT
Não quero entrar em diálogo porque um texto é sempre uma visão pessoal sobre um determinado assunto. E eu prezo muito as opiniões diferentes da minha. Por isso não pretendo convencer ninguém. O propósito é questionar. Não deixar passar despercebido um tema que considero relevante. Por isso, e sem procurar convencer-te, só te quero dizer o seguinte: Trabalhei mais que a maioria dos meus colegas homens e fui menos recompensada em termos daquilo que muitas pessoas consideram ser a recompensa. Porque eu tive uma recompensa indesmentível: estava entre os 10% dos quadros considerados com melhor desempenho. Era uma questão moral que valeu mais como questão moral do que como recompensa monetária. É verdade. Mas nem só de pão vive o homem e, neste caso, a mulher. Se eu voltásse atrás sabendo que o meu esforço se traduziria em trazer menos dinheiro que os outros, eu faria exactamente a mesma coisa. E se me dissessem que através de umas quotas eu ascenderia a certas posições e obteria maior recompensa monetária eu não teria aceitado. Aquilo que eu considero ser a minha dignidade nesta matéria não tem preço. Mas como digo: são opiniões.

C Valente disse...

Passei para desejar boa noite
Saudações amigas

Zé Povinho disse...

Nunca concordei com quotas, porque acho as escolhas devem ser feitas pelo valor e empenho das pessoas. Não sou ingénuo ao ponto de pensar que isso seja o que acontece na maioria dos casos, porque os dados estão viciados à partida, e por partida falo no acesso à educação e formação em condições de igualdade. Se isso não acontecer, as injustiças vão continuar ad eternum.
Tratamento diferenciado, só para quem dele necessite, evidentemente.

Abraço do Zé

Carreira disse...

As desigualdades de género ainda estão bem vincadas na nossa sociedade. Concordo em absoluto com os seus pensamentos.
Quanto aos estacionamentos, deixo uma informação adicional: na Alemanha desde sempre houve, nos parques de estacioanamento, lugares reservados às senhoras, ou seja, «fur frau».

Crítico disse...

Que as mulheres não têm os mesmos direitos que os homens isso já não é novidade, apesar de no último século se ter melhorado. Contudo, numa sociedade que se diz moderna, evoluida, com patrões à século XXI, é inadmissivel que situações como as descritas possam acontecer.
Em relação aos lugares de estacionamento em S. J. da Madeira até me custa a acreditar, mas como não duvido da boa palavra de que escreveu este post, só me resta dizer que a sumidade que teve essa ideia será no mínimo um pessoa com sentido de humor. Não estará é na profissão certa.
Belo post amiga.
Cumprimentos às gentes deste blog de topo.

Lampejo disse...

.....

Chega ser hilário o tal do estacionamento cor de rosa.

Agora alcançar a “igualdade de gêneros é um processo de esmagadora lentidão, pois desafiam uma das mais profundamente arraigadas atitudes humanas”.

Um dia, homens e mulheres se encontrem, "afirmem sem equívocos sua fraternidade".

A sociedade precisa mesmo é quebrar as correntes da prisão dos papeis sexuais.

(a)braços

bluegift disse...

O problema das quotas não tem somente a ver com compensação monetária mas sobretudo com o direito de ocupar cargos nos quais se pratica discriminação. Ter oportunidade para demonstrar o seu mérito, habituar a sociedade a contar com ele a a aceitá-lo em cargos à partida destinados a determinados perfis privilegiados. Dessa forma que descreves, bem católica e apostólica, nunca mais lá chegamos. Não é uma opinião, é um facto. Basta olhar para as sociedades nórdicas, que já há muito adoptaram esse modelo, para entender a que me refiro.

SILÊNCIO CULPADO disse...

BLUEGIFT
Esta discussão já está encerrada no entanto, e porque insiste, ainda faço mais uma adenda.
Agora que mudou a questão da "recompensa" para o reconhecimento do mérito, retirando-a, assim, do aspecto material, gostaria de lhe perguntar como é que acha que se deve sentir uma mulher a valer ao perceber que é repescada para preencher uma quota? Mais: correndo o risco de desempenhar mal o cargo e desvalorizar o desempenho feminino por falta de competências na área? Quanto às quotas dos países nórdicos, penso que é como a flexisegurança. São as únicas coisas que nós copiámos de lá. Porque o Estado Social, o apoio extraordinário que dá aos cidadãos, comparado com o nosso, é uma miragem e isso sim que devia ser copiado. E já agora compare a quota dos funcionários públicos de Portugal e desses países e veja como é que são tratados nuns países e noutros.
Mas o pior cego é o que não quer ver. E para quem insinuou, num comentário, que Marques Mendes andava a pôr fogos no Norte do País, até compreendo.
Não voto, nem já estou ligada, a nenhum dos partidos e, por isso, estou avontade.

bluegift disse...

Silêncio, eu não vejo onde tenha falado de "recompensa", e mesmo que falasse não me parece que "recompensa" seja algo puramente monetário.
De qualquer forma eu acho que estás a dar razão à política machista e discriminatória ao afirmares que não existem mulheres, nem outros grupos discriminados, capazes de preencher as quotas. O que acabas de afirmar é incrivelmente discriminatório. Há um processo de selecção que se chama assessment e é através dele que hoje se determinam, normamente, os potenciais de uma organização ou candidato. Tenho conhecimento disso porque realizei bastantes e não me lembro, francamente, de ter resultados melhores para os homens que para as mulheres, ou para os mais jovens face aos mais idosos. Desculpa, mas há uma boa dose de discriminação nesse teu raciocínio. Partes do princípio que as mulhers são realmente menos capazes. Acho que ainda não te apercebeste disso.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bluegift eu não discrimino e sei do que estou a falar porque até já fiz recrutamento. O que acho, amiga, (e estou a responder-lhe porque reconheço pertinência em muitas das análises que faz) é que a mulher, por força do papel que lhe é atribuído na sociedade e na família,tem menos oportunidades que o homem para desenvolver certas capacidades. A tese de mestrado de Maria de Lurdes Rodrigues, pessoa que respeito, admiro e sou amiga, foi exactamente sobre a desigualdade feminina a partir da infância. Ao estabelecer quotas e se eu tiver só 8 mulheres com perfil para uma dada função mas a quota impuser 10 tenho que ir buscar duas que não têm perfil e, se calhar,atirando fora dois homens capazes. É tão difícil perceber isto?

quintarantino disse...

Então?
Tudo bem?
Que tal escreverem um post a dois sobre este tema aqui para o NOTAS?

SILÊNCIO CULPADO disse...

Desculpa!

quintarantino disse...

Não, eu falo a sério... pensem nisso.
Não achas que seria interessante?

bluegift disse...

Se já fizeste recrutamento então sabes a solução, é muito simples: abres concurso externo. Tenho a certeza que não faltarão candidatas mais que competentes e bem alegres por lhes ser dada uma oportunidade. Tanto mais que as quotas não são nem podem ser rígidas. Seria utópico.
Quanto mais promoveres as possibilidades de sucesso, mais facilmente encontrarás mulheres (ou outros discriminados)disponíveis a lutar por ele. Não é fechando-lhes a porta à partida que a situação, a mentalidade, irá mudar. Fui clara agora?

Quintarantino, é da discussão que surge a luz. De outra forma é impossível evoluirmos nas nossas convicções.

Saudações a ambos, e que a discussões saudáveis continuem!

quintarantino disse...

Mas se reparaste, Bluegift, eu não quis que a discussão parasse, só estava a perguntar se não a queriam transformar em algo visível a todos num texto a quatro mãos?

bluegift disse...

Não sei se a discussão irá continuar, mas nesse caso talvez fosse possível colocar uma nota no último artigo que for publicado, qualquer coisa do género. Também não sei se este assunto interessa a muita gente sabes. Deixa ver a resposta da Silêncio.

quintarantino disse...

Olha, é fácil, que tal juntar a tua aqui à nossa voz? Vai ali ao perfil, se quiseres pensar no assunto, e contacta via gmail.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eu alinho sempre. A diversidade e a contradição são o melhor património para o enriquecimento cultural.