Pobreza: Estado versus Sociedade Civil

Parece que, subitamente, se descobriram dois milhões de pobres em Portugal. Uma constatação que “envergonha" Cavaco Silva, tão interessado nos roteiros para a inclusão, e faz surgir programas de demagogia pura que, ao pretenderem criar a ilusão de que se está a fazer alguma coisa, permitem que se deixe tudo na mesma.
Ouvindo os "Prós e Contras", de Fátima Campos Ferreira, quase somos levados a concluir que os pobres são pobres por culpa própria.

Se estão desempregados, em grande parte deve-se ao facto de não quererem os trabalhos que os imigrantes aceitam e, se estão pobres pelo endividamento excessivo, é porque as suas opções irrealistas de consumo para isso os empurraram.
Até parece que as culpas não têm rosto, um rosto por sinal cruel e desumano, consubstanciado num mercado e numa globalização que se auto regulam negando a equidade e o direito à vida àqueles que alimentam a sua essência.

Para mim é indiferente que se diga que o número de pobres em Portugal não tem vindo a aumentar e até acredito que não.

Há já uma década que a percentagem dos 20% está em cima da mesa, e até já esteve acima dos 20%. O que está em causa é que há um empobrecimento generalizado de uma população que, ou já era pobre, ou não tendo ainda atingido o limiar da pobreza, para lá caminha.

E isto enquanto se verifica um enriquecimento atordoante dos que já eram ricos através do agravamento das condições de vida dos mais pobres.

Quando se insinua que o português até pode recusar o trabalho que o imigrante aceita, oculta-se a situação de escravatura e indignidade que se impõe ao imigrante. O imigrante está por tudo e aceita tudo: viver num buraco com rendas especulativas e trabalhar de sol a sol por menos de metade do ordenado mínimo.

Outra das mensagens que se pretende passar é a de que muitos portugueses, com bons vencimentos, estão também pobres devido ao endividamento. E, pronto, lavam-se as mãos e limpam-se as consciências.

Até parece que esta sociedade de consumo nada tem a ver com um marketing que cria a necessidade de bens que chegam ao consumidor com valores inflacionados por um crédito aparentemente benigno. Porque também ninguém parece ser responsável por este marketing insidioso e desonesto que cria pobreza à custa de ilusões.

Veja-se o apelo às chamadas de valor acrescentado que são feitas, à descarada, em canais públicos de televisão. Veja-se o apelo ao crédito fácil. Mas mesmo que um cidadão resista a tanto apelo outros factores de destabilização acontecem. O desemprego, a precariedade de emprego, o agravamento das taxas e das condições do Serviço Nacional de Saúde, o aumento das taxas de juro para quem compra casa, têm trazido constrangimentos que, inicialmente, o orçamento familiar não previa. Ou seja, constrói-se uma vida a partir de uma base que se pensa poder contar e, subitamente, vê-se essa base ir esboroando até partir. Tal leva as famílias, em situação de desespero, a procurarem paliativos que lhes permitam prolongar a agonia à espera de uma solução de cura milagrosa que quase nunca acontece.

E não é correcto que se pretenda atirar para os ombros da sociedade civil a solução de tais casos. É como se quiséssemos passar a mensagem de que afinal o monstro que nos roubou os bens e a alma até é bonzinho e tem uma face humana. E com uma caridade que encarna a consciência de uma elite que, ao praticá-la, fica apaziguada e na paz do Senhor, pretende-se escamotear o sofrimento e a dor que se vai espalhando.

Se, como foi dito no programa "Prós e Contras", cerca de 60% dos portugueses não estão ganhos para um combate à pobreza concentrado e regulado pelo Estado, é porque as mensagens do poder lhes fizeram a cabeça pensar assim. Porque enquanto os portugueses assim pensarem as empresas "top" continuarão a ter lucros de 150% e continuaremos a alimentar as empresas de marketing dos amigos que são autênticas minas de ouro em países empobrecidos.

Sem prejuízo de uma cidadania activa que concentre as suas atenções no desenvolvimento da solidariedade e de apoio ao Estado no combate à desigualdade de oportunidades e à pobreza, não nos podemos deixar ofuscar por actuações colaterais que encobrem a espinha dorsal de uma responsabilidade que terá que caber, em primeira mão, a quem governa, sob pena de hipotecarmos os nossos valores como seres humanos e sermos espoliados dos nossos princípios.

48 comentarios:

António de Almeida disse...

-Cara amiga, concordo com grande parte do artigo, e discordo de outro tanto, vamos por partes, existe a pobreza enraizada na falta de oportunidades, aquela que estruturalmente não tem solução à vista no imediato, causada pelas falhas da sociedade que deixou uns quantos excluidos, e que urge tomar medidas para combater esse mal que é a pobreza, outra completamente diferente, aqueles que estando endividados possuem rendimentos acima da média, de forma alguma os posso catalogar de pobres, alguns deles vivendo em habitações luxuosas, as quais por exemplo podem trocar por outras mais modestas, aliviando assim os encargos, mas poderia continuar, falando dos carros, das férias, ou outros devaneios, aqui não há inocentes, quem está endividado, é tão culpado quanto quem quer reaver o crédito mal parado, um contratualizou, mal, outro, emprestou sem avaliar os riscos, ou seja, mal. Espero mesmo que o estado nem se atreva a intervir, deixe funcionar a economia que o mercado regula-se, auxílios? Sim, mas para os mais incapazes, excluidos, sempre dentro do velho princípio, não se mata a fome com um peixe, mas com uma cana de pesca!

SILÊNCIO CULPADO disse...

Caro Antonio Almeida
Longe de mim a ideia do Estado subsidiar pessoas com as características que relata. Nem mesmo outros casos se devem resolver com subsídios. Mas têm que surgir mecanismos de regulação sobre certas matérias que impeçam o mercado selvagem de triturar os espaços em que actua.

Carol disse...

Foi com muito agrado que li o post de hoje. Agrado não pelo tema, mas pelas verdades que aqui foram ditas.
Há, de facto, como o António disse, uns quantos excluídos, mas também há os tais endividados.
E, caro António, acha mesmo que a solução passa por escolher casas mais modestas? Um simples T2, sem os chamados acabamentos de luxo, com áreas mínimas (e muito necessário para quem tem um filho ou até dois), obriga a prestações de 500€!nEu vivo num simples T1 e tenho uma renda de 300€!
Há quem se endivide por vaidade, acredito, mas não generalizemos!
E, em vez de subsídios, porque não falar de entidades realmente reguladoras que controlem estas empresas de crédito fácil?

7 Pecados Mortais disse...

Portugal tem de deixar de ser só uma marca de Turismo. Quando se fala de Portugal, se não for de Futebol (Selecção), Amália, Eusébio, Figo, Cristiano Ronaldo e Vinho do Porto, fala-se de Turismo. Portugal tem de ser uma marca. Portugal tem de aproveitar os seus recursos, matérias primas e "Valores Portugueses" e criar um estatuto. Tem de se acabar com os apoios a empresas de "fora", que só cá estão enquanto a coisa "dá". Temos de ser exclusivos, criar, gerar receitas próprias que consigam bater outros mercados estrangeiros. Com o apoio do estado isto poderá ser feito (penso eu), não num curto espaço, mas sim a longo. Tem de haver iniciativa, apoios controlados e sermos levados a sérios. Para já Portugal é só uma paisagem e isto não posso aceitar. Custa-me ir ao Sul de Portugal e ouvir "Allgarve" e ser cumprimentado em Inglês. Custa-me saber que grandes empresários vivem apenas do Turismo e para o Turismo. É certo que o fazem, pois o Estado não apresenta alternativas, falam, especulam, ficam espantados, mas nada fazem. Se começassem a tomar atitudes activas, talvez o desemprego baixasse e o poder de compra subia. Deviamos de aproveitar os bons cientistas e outras profissões de nível e criar e não dar de bandeja aos mercados estrangeiros. Talvez..muita coisa..talvez esteja errado, mas temos de ser uma marca própria e deixar de ser paus mandados pelo resto da Europa. O problema é que para o interesse do nosso estado é melhor sem pau mandado, do que carregar o pau!

7 Pecados Mortais disse...

Cria só acrescentar que realmente existe o endividamento por "vaidade" - ser rico por fora, mas pobre por dentro, mas também existe por necessidade. O que ganho (estando agora desempregado) é para pagar o Crédito Habitação e as despesa comuns de casa. Não vou a jantares, bares, discotecas, cinemas coma frequência que ia, pois não posso suportar esses custos. Controlo tostão a tostão e depois de contas feitas fiquei a saber que faço parte da população pobre, pois restam-me cerca de 120€ mês para poder gastar em gasóleo e outras coisas. Por exemplo, tenho de tirar todos os dias 1€ e ir juntando para poder pagar os meus seguros anuais, pois o que ganho já disse onde o gastava. Se me der algo, nem dinheiro tenho para uma hospitalização. É certo que não estou na miséria, mas estou na classe pobre. Não devia de ter exposto se calhar tanto a minha vida, mas este tema revolta-me está aqui um exemplo. Abraços.

SILÊNCIO CULPADO disse...

7 PECADOS MORTAIS
Só a verdade nos pode conduzir à evolução. E só através da verdade poderemos contribuir para a mudança. Eu também não me importo de me expor quando entendo que dessa minha exposição resulta um contributo para que outros reflictam e possam compreender melhor o mundo em que vivem e não se acomodem.
Nunca desistas sócio.

NÓMADA disse...

Este texto resume-se em poucas palavras. A pobreza é o resultado de um capitalismo selvagem que mina valores e sistemas para enriquecer meia dúzia de privilegiados. O combate à pobreza não se faz pela caridade mas através da regulação da competitividade, do marketing e da acumulação de valor. As pessoas precisam de dignidade e não de esmola.
Defendo a economia de mercado e a globalização mas com regras.
Há um dado que eu considero importante dizer a toda a gente todos os dias. É QUE OS 500 MAIS RICOS DO MUNDO EQUIVALEM A 416 MILHÕES DOS MAIS POBRES.

ALEX disse...

Concordo com tudo o que diz este texto de grande envergadura.
O Estado não pode dourar a pílula e fazer de conta que não é nada com ele e endossar tudo para as instituições de caridade. Já não posso ver instituições de caridade à minha frente. Em todo o espaço comercial somos abordados por pessoas a pedir dinheiro. E o pior é quando há, por exemplo, campanhas do Banco Alimentar Contra a Fome em que a pessoa é quase obrigada a dar. Uma vez até filmaram pessoas que não quiseram dar nada. Isto é de uma crueldade sem limites.Então se a pessoa mal tem para ela e ainda tem que dar? E envergonham a pessoa que não dá. Sabem lá a vida dela. Eu não posso ver tias à minha frente a praticar a caridade. Vão buscar recursos onde eles os há. Junto dos Bancos e Seguradoras que nos sugam até ao tutano. Agora obrigarem o pobre a dar para aparecerem na televisão, isso é criminoso.

Carol disse...

7 Pecados: Como dizes, talvez não nos devêssemos expor, mas eu também já o tenho feito e faço-o porque, sinceramente, há coisas que me revoltam e acho que é preciso dar nome aos bois.
Posso-te dizer que, apesar de ter criado o meu próprio emprego, o Estado nunca me ajudou, antes pelo contrário e há meses em que, sem os tais luxos, nem 120€ tenho! E chamo ir jantar fora ou ao teatro de luxo, porque actualmente é o que isso é para mim!
Há, de facto, quem viva muito bem, mas também os há que têm tudo, vestem roupa cara e vão ao cabeleireiro todas as semanas, mas que não têm a vergonha de ficar a dever dinheiro a quem lhes presta serviços!

Metamorfose disse...

Tema escaldante este, muito já se disse, mas muito ainda temos para dizer. Vivemos num país que vive para sustentar e enriquecer um pequeno grupo de pessoas, a lei fiscal penaliza as pequenas empresas, especialmente as ditas familiares em vez de as protegerem, porque são pessoas que criam os seus postos de trabalho e lutam por eles em vez de se entregarem ao rendimento minimo, pois estas confrontão-se com um sistema fiscal idêntico ao dos grandes grupos económicos, nem pensam que estas podem não dar grandes lucros, mas dão ordenados. Não se ensina uma população a trabalhar e procurar a sua subsistência, mas sim vêem os subsídios para não fazerem nada.
Vivo numa região portuguesa, onde vergonhosamente se festejou recentemente a existência do rendimento minino, com uma festa onde se gastaram centenas de euros e ainda se o diivulgou, achando que o pobre que passa fome iria ficar feliz por verem os seus dinheirinhos a serem esbanjados.
Em Portugal pretende-se que existam duas classes sociais, os ricos e os pobres, a classe média está em vias de extinção e temos de dizer sem vergonha, estamos cada vez mais pobres e responsabilizarmos quem está à frente do país, porque são eles os responsáveis por isso.

Excelente o texto, beijos.

quintarantino disse...

Mais um notável exercício de reflexão social feito pela Silêncio Culpado.
Não sendo necessário alongar-me em demasia, penso que haverá que analisar a tal pobreza na perspectiva daqueles grupos que, mesmo querendo, não conseguem sair dali pois ou não têm habilitações, formação ou até uma personalidade estruturada que lhes permita fugir ao ciclo do desgraça
e, por outro lado, àqueles que lá caíram por desgraça familiar, económica (desemprego - por exemplo já alguém se perguntou onde encontra trabalho uma pessoa com 45 ou 50 anos?) ou resultante da vertigem consumista que também já aqui foi abordada.
Mas a verdade é que esse é um enorme problema com que nos deparámos e para o qual, independetemente do contributo de cada um para lá estar ou para auxiliar, exigirá um esforço enorme do Estado e da sociedade. Sob pena de vir a agravar-se. A não ser que seja isso que alguns queiram.

Fragmentos Culturais disse...

Um tema avassalador que bem trouxeste a discuss�o!

Uma verdade que n�o chocou s� o Presidente de todos os Portugueses! Choca cada um de n�s ao passar diariamente pela 'pobreza' envergonhada ou assumida!

E sabes o que me magoa? Assistir cada vez com maior frqu�ncia a cidad�os protugueses e imigrantes que buscam nos lixos dom�sticoa depositados nos contentores, algum alimento!

Eu sei que n�o se passa s� no nosso pa�s, sei! � um problema que percorre o mundo, mesmo em pa�ses ricos e desenvolvidos!!

Mas... tanta 'vaidade' para anunciar que somos o�3� pa�s europeu a ser um 'e-governo' e n�o apontarmos os dinheiros p�bkicos para os grandes carenciados?!

Apenas uma reflex�o!

Sensibilizada pelo olhar poisado em 'fragmentos'!

sniqper ® disse...

Só desta forma se pode combater as anomalidades deste país, falando delas, e colocando na praça pública, no caso na blogosfera as realidades, parabéns pelo excelente texto.
Antes de falar de um certo comentador, que de facto deve viver em outro país que não Portugal, digo simplesmente que fiscalizar a forma como as entidades bancárias abordam e aliciam os portugueses, deveria ser medida urgente, pois todos nós sabemos o bombardeamento constante de crédito fácil de que somos alvo.
Como exemplo de tal ataque, um programa da TVI, da Júlia Pinheiro, abordou o tema, falaram muito bem, aliás como é uma constante dos oradores convidados ou dos entalados que vão chorar as mágoas para a televisão, o engraçado da situação, sem graça nenhuma é que um dos patrocinadores do programa é uma empresa de crédito rápido, é preciso ter lata de facto, mas enfim.
Para terminar e, em relação ao tal comentador, os Sr. António de Almeida, tem uma forma muito interessante de analisar pobreza e endividamento, mas claro cada um pensa com a cabeça que tem ou da forma que lhe colocaram a cabeça a funcionar. Mas meu Caro Senhor, ande atento, veja, leia e talvez assim não escreva palavras, que formam frases e as quais se transformam em textos de inverdades, porque de conversa da treta já os portugueses estão cheios e cada vez mais pobres. Disso pode crer, faça as continhas, não seja como o Sr. Governador do Banco de Portugal que não se mostra preocupado, com o simples facto de no espaço, salvo erro, de 5 meses, o barril de petróleo custar mais 12,00 euros, onde será que ele abastece o carro?

O Guardião disse...

A história já demonstrou o falhanço absoluto, do liberalismo económico no passado, quando conjugado com um Estado fraco. Foi chamado capitalismo selvagem por analogia à lei da selva. Se podemos discutir quais as áreas de intervenção do Estado, há pelo menos duas que são indiscutíveis: a regulação dos mercados e a redistribuição da riqueza gerada para obviar as desigualdades sociais.
Nem sequer o poder económico nega estas duas realidades, pois sabe que ao boom que se segue à liberalização selvagem dos mercado, se sucede o inevitável empobrecimento da esmagadora maioria dos cidadãos, que origina também uma curva descendente das vendas e consequentemente dos lucros. Também há outro factor, ainda que menos falado, a instabilidade social que tem sempre consequências imprevisíveis e indesejáveis.
Cumps

tacci disse...

Apesar dos temas abordados tornarem amargas as bebidas deste estabelecimento, aqui ficam umas "palavritas" de apreço e os parabéns à "gerência".
Um abraço.

São disse...

O meu comentário ( e os das pessoas que leram o post) está em saobanza). Acho muito importante esta discussão.
Força!

Carol disse...

Maninho, olha que, quando não fui colocada a 1ª vez e andei à procura de emprego, disseram-me muitas vezes que procuravam alguém mais jovem. Nessa altura, tinha 29 anos... Com 40 já acham que devias estar a pedir a reforma!

antonio disse...

Pois meu caro. Temos que também trabalhar as mentalidades dos nossos cidadãos.

A pobreza só se combate com uma classe média forte e esclarecida ao ponto de aceitar políticas de reinserção social.

Porque gente sem emprego, continua a ser gente e não escumalha.

Sei que existes disse...

Concordo inteiramente contigo, e parece-me que cada vez mais as pessoas estão a ter mais dificuldades económicas e está a haver uma aumento no distanciamento entre a clase rica e a pobre, assim como a classe média está a desaparecer!...
Beijocas grandes

Teresa Durães disse...

hoje só vim agradecer as amáveis palavras no meu blog. falta de tempo, sorry

boa tarde

NINHO DE CUCO disse...

A minha primeira referência vai para o Sr.António Almeida e para o seu comentário. Pelo que tenho apreciado em si o senhor é uma pessoa culta, educada e que sabe ser diferente pela positiva. Apresenta as suas versões sem desrespeitar nem agredir. Mas nota-se também que é um privilegiado e que as questões de pobreza e de excluídos nunca fizeram parte do seu quotidiano. Nem das suas preocupações. Não o censuro. Tenho um amigo que no outro dia me dizia que não compreendia essa história do governo apoiar a compra de computadores se todos os portugueses têm computador. No mundo rico e influente em que se move, no condomínio fechado onde vive, no restaurante que frequenta ele não vê pobreza. É como o caso de Maria Antonieta de França "se o povo não tem pão para comer, coma brioches".
Mas eu penso, por aquilo que leio dos seus comentários, que tem capacidade para olhar à sua volta e fazer algumas reclassificações. Eu tenho feito muitas e não quero parar de as fazer. É sinal que estou a aprender. E posso afirmar-lhe que não foram nos períodos da minha vida em que tive sucesso profissional e económico que fui mais feliz e me senti mais inteira como pessoa.
Desculpe-me todo este discurso mas se o fiz foi porque achei que o senhor vale este discurso. Aos que não merecem eu ignoro-os.

bluegift disse...

Concordo inteiramente com o artigo. Saliento, e aproveito para acrescentar, alguns pontos para reflexão:

- os portugueses gastam mais dinheiro com a "imagem" que os povos do centro e norte da europa (carros, casas, férias);
- a tendência do mercado é para lançar no desemprego os mais de 35/40 anos e manter o emprego precário dos jovens < 25 anos; Poupa-se nos ordenados e nas pensões futuras... e a segurança social agradece. Por mais incrível que pareça, o desemprego pode ser mais benéfico à economia do país que o emprego pleno (estamos lixados).
Das duas uma: ou fazes dinheiro entre os 25 e 35 anos para investir ou terás que andar a tirar olhos para manter um emprego seguro... Se Deus te deu espírito empreendedor, aproveita! mas não esbanjes...
- os partidos políticos, na generalidade, estão bem mais preocupados em ganhar o poder que em conduzir o país para o sucesso, o povo idem... perecemos perante o excesso de mentalidade clubista e a falta de consciência nacional;
- não conheço país mais derrotista que o nosso, e conheço muitos europeus;
- guardamos ainda demasiada submissão às grandes famílias do poder.

Resumindo, quanto mais conheço as outras culturas europeias mais me convenço que a mentalidade mesquinha e arrivista, a cegueira pelo poder e o clubismo são os maiores bloqueadores ao desenvolvimento do nosso país.

E como é que vamos mudar isto?

quintarantino disse...

Bluegift, eu respondia mas às tantas ficava com o SIS à perna...

adrianeites disse...

parabens pela decoração da casa! mudaram para melhor!

quanto ao post.. está bom!

Alma Nova disse...

Esta questão do endividamento e da pobreza é mais uma de tantas que estão a empurrar os portugueses para o fundo do poço. Embora saiba, claro está, que existe o tal endividamento por vaidade, o que é certo é que, cada vez mais se torna difícil fazer com que um ordenado médio chegue ao fim do mês e isto controlando despesas quase cêntimo a cêntimo. É um problema grave que tem afectado uma grande parte dos portugueses, a par de outros como os despedimentos e a instabilidade nos empregos. Qualquer um olha temeroso o futuro quando pensa que, a partir dos 30 anos se torna "inválido" para conseguir um posto de trabalho, a menos que se sujeite às situações indignas a que muitos emigrantes se sujeitam. Por outro lado, os ricos estão-no cada vez mais e são ajudados pelas medidas governamentais que têm sido tomadas.
Vai-se tornando quase insustentável viver em Portugal.

Boris disse...

Lendo esta excelente reflexão e os comentários que produziu, verifica-se que só o António Almeida se distancia da norma.Certamente está do outro lado da barricada, do lado dos que pretendem viver num mundo àparte dentro deste mundo complexo e injustiçado.
Não há ilhas meu caro, nem fortalezas inexpugnáveis e por isso veja o mundo real à sua volta porque estamos sempre a tempo.

M.M.MENDONÇA disse...

Então aqui vão umas palavritas e a gerência não precisa agradecer. A minha opinião e penso que por tudo o que aqui tenho lido que não se afasta de todos, à excepção segundo me parece, de uma~única opinião, é que o Estado é o responsável por tudo o que acontece. É o Estado que implementa directrizes políticas, que define quem somos e para onde vamos.

quintarantino disse...

Ouvi isto a um brasileiro já não sei onde.
"Está sobrando cada vez mais mês no fim do meu ordenado", dizia o homem.
E com razão. Eu assumo. Sem complexos.

JOY disse...

Caros Amigos

Aqui não há verdades absolutas ,sem duvida nenhuma que o governo é o principal responsável pela situação que estamos a viver ,mas também sabemos que houve pessoas que por falta de bom senso não quiseram saber da situação e contaram com o ovo nuo cu da galinha e desataram a gastar o que tinham e o que não tinham por pura vaidade no que é supérfulo e agora gritam "aqui del rei" e estes meus amigos façam pela vida ,quanto aos outros obviamente o governo tem de agir rápidamente senão num curto espaço de tempo serão de certeza mais de 2 milhões. No geral cada um dos posts alerta para as mais diversas situações que merecem a maior atenção .

Um abraço a todos
JOY

C.Coelho disse...

Parece que o problema está no endividamento mas não está. Essa é uma parte ínfima do problema. A parte central está no desemprego, nas pensões baixas e no aumento do preço dos bens essenciais: água, luz, gás, imposto sobre imóveis, saneamento básico, prestações das casas, alimentação. Aqui é que está o cerne da questão.Não me parece que entre os 2 milhões de portugueses considerados pobres, estejam os endividados sobretudo os endividados de luxo. Agora que o ESTADO tem que regulamentar as actividades do marketing e impedir a sua actuação desonesta, claro que tem. Que não podemos ser afogados com instituições de caridade que mais servem para promoção pessoal que para resolver problemas, também é verdade.E que quando temos um Jardim Gonçalves a pagar uma dívida de 12 milhões de euros ao filho num Portugal onde há quem não receba 360, alguma merda se está a passar. E deixem-se de desculpabilizar os governos e arranjar justificações. Afinal a culpa é de quem?

Fernanda e Poemas disse...

OLá minha querida,escreves tão bem, que apesar do texto ser longo,
adorei cada palavra.
Desejo-te uma noite feliz.
Beijinhos
Fernandinha

Joshua disse...

Lembro-me de ter tido azar. Azar quando, numa época risonha e promissora que encorajava toda a dívida e todo o financiamento, comprei um T3 de luxo que já tinha uma hipoteca em cima o que lhe agravou ainda mais o preço.

Tive azar porque a mulher com e para quem comprei esse T3 foi para lá viver com a mãe e eu só servi para o pagar e suportar.

Tive azar porque se tornou incomportável para ela, para mim, para o nós que, por maioria de razão, se estava a romper e foi tarde.

Tive azar porque anos passaram e o problema se agravou em todos os domínios, maculando a minha situação na lista de honra do Banco de Portugal, impedindo-me de recomeçar um pouco melhor o meu recomeço (adoro pleonasmos trágicos).

Tive azar porque quatro anos depois, o Fisco veio averiguar o processo, obrigando-me a explicar aquilo que eu confiara a uma mediadora imobiliaria (a compra) com a certeza de que todos os meus interesses e deveres seriam salvaguardados. Não foram. O desnível entre o valor do imóvel e o do empréstimo total que faria pressupor uma fuga clamorosa ao Fisco e que só serviu para cobrir a hipoteca, na verdade, por táctica bancária e dos seus sábios interesses fez com que se lavrasse uma escritura que falseia os factos, que me lesa monstruosamente. Graças ao Celeste cruzamento de dados, o Fisco veio, quatro anos depois, e encheu-me de coimas retroactivas, ficou-me com o reembolso do IRS e tirou-me, rindo cheia de uma eficiência demoníaca, o meu nada filho de coisa nenhuma e ainda fiquei em dívida.

Tive azar porque o trabalho se me precarizou ainda mais de ano para ano.

Tive azar porque acabei por ficar um ano desempregrado após dez de trabalho consecutivo a servir cafés e entregue a outros serviços, a partilhar a vida dos imigrantes, vivendo com e trabalhando com imigrantes, sendo pai no mais fundo do meu azar, embora muito feliz com a minha mulher e rebento, o que me permite ter bem ideia da Podridão Laboral de que se faz a riqueza que não poucos ostentam em cima precisamente dos imigrantes. Ich bin ein berliner. Eu sou um imigrante Português em Portugal.

Tive azar porque tive azar. Tive azar porque tenho tido azar e o azar é meu e a culpa se calhar é minha, mas também é das estruturas, também é de quem não poupa ninguém a nada e medra com estas preciosidades de injustiça e desprogresso, lucrando com elas e avançando e crescendo e engordando no processo.

Hoje o meu azar prossegue. Vejo que as transformações que varrem a a carreira docente, varrem também pessoas, desmobilizam-nas, deixam-nas de fora, na mais desmoralizante precaridade, vejo que a clivagem entre professores se sente mais, vai-se agudizando mais numa clarificação por vezes perversa, sementeira de ressentimentos e injustiças.

Vi reuniões de professores que prometem conflitos acesos a lembrar loucuras norte-americanos porque se há classe que se odeia apaixonadamente é a dos professores.

Outrora pensei-me imune à depressão e à tristeza, pensei-me à parte de uma multidão que se arrasta e nunca se levanta de uma fraqueza de ânimo porque, caso tente fazê-lo, não passará muito tempo sem que se veja de novo humilhada e de novo reenviada ao pó de onde proveio.

A não ser nesta bóia que é a escrita e o meu blogue-obra do dia-a-dia, vou vivendo.

De resto, nítida e claramente, eu faço parte de esses dois milhões, e não tendo o teu distanciamento crítico para falar, Silêncio, falo a quente e com raiva do que sei e do que vivo. Os macro-reajustes na estutura do trabalho na Europa, a reformulação do estatudo do trabalhador na Europa, são fenómenos tão céleres que não podem deixar de gerar os que ficam para trás, o restolho, os despojos humanos de 'insucesso', de 'fracasso' e de 'derrota'.

Estou dentro do processo da perda e do ser pobre, sei o que é. Sei o que é e a que sabe falhar no plano daquilo a que muitos chamam acertar nesta vida.

Não me resigno, combato. Procuro. Mas sei quantas portas se fecham e o modo como, depois de usados, nós, os precários em tudo, levamos um pontapé no cu, regressando ao limbo que parece ser, afinal, o nosso lugar fatal.

Não sou derrotista. Não sou coitadinhista. Não sou pessimista.

Estou rebelado com o azar que me coube, que me forneceram, que me atribuíram, que me subsidiaram.

A solução de este problema que é meu, que sou eu, que é nosso que somos nós, que é de dois milhões de portugueses, se não esquecermos todos os outros pobres que eu conheci no Brasil para sofrer e para chorar com eles, a solução é uma radical alteração de perspectivação das coisas e a real assunção do Estado do seu estatuto de servidor, caralho, das pessoas. Servidor das pessoas significa pensar nelas e ser criativo.

Um Estado que prolonga e serve apenas a parte plutocrática da Sociedade, é um Estado que no mínimo trai grosseiramente o seu desígnio.

No fim da Segunda Grande Guerra, graças à intuição de grandes homens, percebeu-se que o problema da Guerra nunca teria uma solução sem uma partilha de bens e benefícios e sem uma ordem justa a regular as principais nações contendoras.

Parece que em Portugal, vive-se bem e dorme-se em paz ignorando a privação que muitos têm do básico e a privação dos bens culturais que humanizam e dão sentido à vida, sem que se intervenha activamente pela justiça social.

Lembro a ilha onde vivi um ano inteiro: lembro-me das bebedeiras ruidosas e violentas dos ucranianos; das chuvas no quarto onde dormia, dos dias com fome e com frio, mas onde eu estive mais vivo e amado do que alguma vez poderia imaginar. Lembro o trabalho duro e não compensado, não remunerado. Vi os pagamentos sonegados. Vi a vergonha e o cansaço. Vi.

Hoje não me conformo nem com a miséria (nunca me conformei!) nem com a precaridade a que me sinto condenado e onde me sinto atolado porque tenho uma filha pequenina. Tenho arte para intervir. Tenho uma palavra a dizer. Tenho uma realidade para criticar. Tenho uma loucura pela verdade e pela autenticidade para experimentar.

O trabalho que me realize e me faça justiça posso conquistá-lo. Mas como partir se é tão pesado o lastro da descrença?

Bjs

joshua

GIL disse...

Há aqui muitos s.o.s. para quem quiser ouvir e perceber. Nota-se uma grande elevação nos comentários ultimamente. Os visitantes já não marcam presença dizendo trivialidades mas procuram ler e perceber e opinar sobre os temas que aqui estão expostos. Acho isso extraordinário e acho que a continuarem assim estão a dar lições à comunicação em Portugal e aos bloguistas todos que se julgam importantes mas que todos juntos não valem uma unha de vocês.
Tudo o que podia dizer sobre o conteúdo do post já aqui foi dito e muito bem dito.

Crítica e denúncia disse...

Parabéns pela nova aparência do blogue e pelo tema.

Meus amigos, feliz do país que pode chamar 20% do povo de "pobres".
Pobre para mim, é alguém que não tem muitas condições de vida, mas tem um pequeno trabalho, come mal ou bem e vai sobrevivendo. Estes são os lutadores do mundo.

Eu gostaria de me bater pelos miseráveis. Aqueles que nada tem e já alcançaram um grau de degradação moral e física que não os permite sair do buraco onde caíram. Longe de mim pensar que pobreza e miséria é a mesma coisa. Nestes miseráveis ninguém pensa, alguns nem papéis tem; vivem nas ruas, no becos, não votam, nem são somados aos índices populacionais, portanto são os "excluídos". Por eles eu queria lutar.

Vejo aqui claramente o quanto esta blogosfera está mudando e precisa mudar ainda mais sem demagogia, sem "auê", porque as palavras passam e as ações ficam.

Que vontade de gritar ao mundo "fim da miséria" todos têm direito aos alimentos. Venham que a mesa está pronta. A fome acabou.

Acho que falei demais.
Beijo a todos com carinho.
Alda

quintarantino disse...

Grande Joshua, curvo-me respeitosamente ante as palavras sinceras e as feridas profundas que aqui nos revelas. Aceita, companheiro, um abraço solidário deste que uma vez apodaste de Tarantino.

SILÊNCIO CULPADO disse...

JOSHUA
Quando fiz este texto nunca imaginei ler comentários tão emocionais como muitos dos que aqui foram feitos. E apesar de ser uma sentimentalona e não ficar imune ao que aqui foi dito, congratulo-me por se ir conseguindo tirar aquela máscara que usamos, como uma segunda pele, no nosso dia a dia. Que ao menos a blogosfera possibilite a queda de barreiras e nos possamos mostrar tal como somos, com as nossas angústias, as nossas generosidades e também as nossas insuficiências. Porque é isso que nós somos um pouco de tudo. E quando aprendermos a gritar estamos já a exorcizar os nossos fantasmas.
Joshua não desistas nem percas as estribeiras. Quando perdemos a mão no que nos rodeia, ficamos na mão do que perdemos. Tens dois braços não tens? Luta! Tens uma cabeça não tens? Luta!Tudo é possível desde que se acredite que se é capaz.
Cada vez sinto mais a necessidade de fazer algo de concreto. Porque (e eu adoro esta do Jorge Palma) "enquanto houver estrada para andar, a gente vai continuar".

João Rato disse...

Não me venham com a solução batida de que é preciso criar riqueza. A riqueza em Portugal, quantas vezes à custa dos pobres, tem vindo a aumentar! O que tem faltado são governos interessados em promover a distribuição da riqueza produzida!
Vivam os salários baixos! Vivam a flexibilidade e a mobilidade! Vivam as mansões dos patrões! Viva a comitiva de Sócrates! Viva a pobreza!

Rui Caetano disse...

Quem governa e dirige os destinos do país tem de ter ideias, projectos, um plano de intervenção para resolver ou tentar resolver este flagê-lo. Também acho que não pode ser entregar subsídios a torto e a direito, não se resolvem assim os problemas.

Carol disse...

Joshua, o respeito que tenho por ti, depois deste post, justifica-se em pleno!
Penso que, depois do que disseste, não há mais nada a dizer.

João RAto: Peço desculpa, mas não me parece que se tenha falado aqui em produção de riqueza. Eu, pela minha parte, não ambiciono riqueza. Gostaria, apenas, de não ter de esticar tanto o ordenado a partir do dia 15! Gostaria que quem vive de aparência tivesse a coragem de assumir aquilo que pode ou não pagar, para não me deixar calotes que me poderiam pagar a renda de casa de um mês!
Gostaria de ter colocação numa escola, porque foi para isso que estudei durante 18 anos da minha vida! Gostaria que não houvessem tantos Joshuas por esse país... Gostaria de tanta coisa!

P.S.: Gostei do novo look!

E.Adriano disse...

Cumprimentos antes de mais



Não só Concordo, como apoio.........




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Miss Vader disse...

Olá, eu só vim aqui dizer que gosto do vosso blogue. Mas nem sempre percebo tudo. Não gosto de política e ainda sou nova.
De qualquer maneira, também quero agradecer terem posto o meu "cantinho" em destaque.

JOY disse...

Amigo Joshua,

Deste uma prova de coragem ao pores a nù a tua situação ,que é a situação de muita gente ,respeito-te e só te posso mandar um abraço e que tenhas força .

JOY

Laurentina disse...

Bem para não me repetir com o que ja esta dito por outros ,concordo basicamente com quase tudo o que aqui se escreveu , só acrescento uma coisa que realmente me preocupa ...temos ca dentro 2 milhões de pobres , não acredito devem ser muitos mais, quem é realmente pobre , quem não tem que comer , quem não pode manter os filhos a estudar mesmo no ensino basico obrigatório , não fala , tem vergonha .Quem não tem dinheiro para pagar a prestação ou renda da casa não pia , enfim o dinheiro não chega para quem ganha um salario mensal de 1000 euros quanto mais para os outros , o grande grupo que além do desemprego que tem às costas o subsidio nem chega aos 500 euros , isto ja a exagerar nos "euros"...
É indigno ouvir nas noticias o ministro das finanças dizer que tem só em Lisboa mais de 1500 imóveis para vender , lojas não sei quantas , carros de alta cilindrada , que a coleta ultrapassou as espectativas .
Muito bem, nas tascas tb se pôe a lista dos bebedos à porta que se emborracham e não pagaram .
Cobraram certo , porque quem não pode fugir paga e não bufa esses se fugiram é porque o sistema lhes permitiu. Esse dinheiro não reverte a favor do povo pois não ? Porquê?
Não vai ser para melhorar o ensino , não vai ser para melhorar a saúde , não vai ser para criar postos de trabalho ...vai ser isso sim para falsear os dados do deficit publico .
Toda a gente é avaliada nas suas areas agora mais do que nunca e a essa gente ninguém os avalia ? O T.C. para que serve ? o P.R para que serve?

Na minha modesta opinião o futuro não augura melhoras antes pelo contrario .
Que esquerda é esta que de social não tem nada .
Dêem-lhe corridas em calção e camisola todo suado para mostrar que é popular , só tenho pena que no meio daquele povo todo não surja ninguém com uma valente tranca para o estropiar de uma vêz por todas .

E nós andamos aqui às voltas como os cães quando querem evacuar ,a falar sempre do mesmo a destilar as nossas raivas , os nossos medos.
Acções palpaveis é que é preciso olhar para o visinho do lado para saber se esta tudo bem mesmo ou existe algo encapotado...

A caridadezinha era apanágio do "Movimento Nacional Feminino" se é que alguém ainda se lembra do que isso era ...vamos resuscitá-lo?!

Peço desculpa caramba não queria escrever este testamento .

beijos para todos

SILÊNCIO CULPADO disse...

Eu gostei muito do teu testamento laurentina. Acho que demos um grande salto qualitativo ao não termos medo de falar e nos mostrarmos tal como somos. Eu subscrevo todas as tuas preocupações e é importante que tudo seja dito, sem falsos pudores nem hipocrisias, para que nos possamos inteirar da realidade e, ao fazê-lo, já estamos a caminhar noutro sentido.

NuNo_R disse...

OLÁ silêncio...

Apesar de não ter assistido ao programa em questão ( é raro eu ver a RTP), concordo com o post, pois aborda a realidade em que vive grande parte dos portugueses.
E se calhar não são somente os tais 2 milhões que tanto se falam, mas se calhar um pouco mais, pois existe muita miséria encapotada e que não se vê tão facilmente devido ao orgulho ou vergonha que as pessoas possam ter.

bjs

Vieira Calado disse...

"As pessoas são pobres porque querem". É essa a teoria do Bush e de todos os outros grandes exploradores da sociedade que eles criaram, para depois poder dizer isso.
Um abraço

Tiago R Cardoso disse...

Pra já excelente texto, uma vez mais é de facto um grande problema escrito de uma maneira muito especial pela Silencio, colocando o dedo na ferida que já se transforma numa chaga.

Particular pra o amigo Joshua, nem sei o que lhe diga apenas um abraço de solidariedade, é de facto um momento arrepiante o seu texto e o seu testemunho.
Pelo menos pode, como já sabe contar aqui com um fã do seu blog, da sua escrita e da sua revolta, com umas leituras publicitárias.

antonio disse...

Muito bem! Agora faltam caminhos. Os que nos foram propostos são uma falácia!

Eu defendo uma sociedade que cresça a partir da sua mediania e que meta na gaveta a busca pela excelência. Um sociedade com um classe média forte e esclarecida, o contrário do que nos está a ser servido.

Hoje a educação promove a excelência. Isso invariavelmente quer dizer promover a excelência entre os filhos das elites, como se vê pelo resultado da avaliação às escolas, onde despontam os colégios da Opus Dei.

Vamos ter a coragem de nos reinventarmos?